Aquecimento global é obstáculo maior para a sustentabilidade do que a pobreza

Diretor presidente do Akatu faz alerta em encontro com jornalistas no aniversário de 5 anos do instituto

O superaquecimento ameaça mais a sustentabilidade global do que a pobreza, segundo avaliação do diretor-presidente do Akatu, Helio Mattar, exposta no encontro com jornalistas no dia 14 de março, por ocasião do aniversário de cinco anos do instituto. O evento foi realizado no Itaú Cultural e contou com a presença de jornalistas de alguns dos principais veículos de comunicação do país, entre eles, o jornal O Estado de S. Paulo e a TV Cultura.

Segundo Mattar, apesar de a pobreza também ser um grave fator de insustentabilidade social, o superaquecimento é pior porque afetará a sociedade de forma muito mais avassaladora, influenciando toda a sua estrutura econômica, cultural e social.

Um exemplo é a agricultura. Se as chuvas se deslocarem para locais onde nunca chove e, em detrimento disso, começar a faltar água em regiões outrora abundantes, terá que haver todo um deslocamento em relação ao conhecimento da cultura agrícola para esses locais e isso será impossível em um curto prazo. A conseqüência desse fato é, invariavelmente, o comprometimento da produção de alimentos no mundo.

Além da insustentabilidade planetária, outros temas relacionados foram abordados: globalização, consumismo, cidadania e mobilização. Para Helio Mattar, a globalização permitiu a emergência de um sistema de consumo em escala global, o que provocou o aumento da oferta (graças às possibilidades de importação e exportação de produtos) e a estruturação de um modelo fechado em que os impactos provocados pela utilização de recursos naturais são sentidos no mundo inteiro. Um dado apresentado é representativo em relação ao aumento do consumo doméstico e do quanto a situação encontra-se insustentável: nos últimos 40 anos, o consumo mundial aumentou em quatro vezes, ou seja, de U$ 5 trilhões, foi para U$ 20 trilhões.

De acordo com o Instituto Akatu, para ocorrer uma mudança de comportamento geral, que gere impacto sobre o meio em que estamos inseridos, a conscientização tem de atingir o cidadão no nível pessoal e também no âmbito social.
A conscientização pode mudar hábitos dentro de casa, por exemplo, ao se diminuir o tempo no banho. No âmbito social, por sua vez, as ações ocorrem no nível da mobilização. Esse mesmo indivíduo pode vir a fazer em seu condomínio uma campanha para que as pessoas diminuam o tempo de seu banho e, assim, preservem recursos naturais.

O papel central da mídia nesse processo de conscientização também foi amplamente ressaltado por Mattar. Para ele, os meios de comunicação devem estar engajados e comprometidos com os valores sociais, para que atinjam a credibilidade que lhes é tão cara. A partir daí, eles poderão informar, sensibilizar e mobilizar.

Também no encontro com os jornalistas foram apresentados os 12 princípios do consumo consciente, um guia que resume os resultados dos estudos desenvolvidos pelo instituto nos seus cinco anos de existência.

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