Volume de pesca registra recorde histórico e ameaça espécies

Das 140,5 milhões de toneladas pescadas, cerca de 75% é destinado diretamente para a alimentação

Um relatório lançado recentemente pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) indicou que a produção mundial da pesca e aqüicultura em 2004 atingiu 140,5 milhões de toneladas, por um valor estimado em US$ 84,9 bilhões – alta de 3,6% em relação a 2003. Essa produção equivale ao abastecimento de 16,6 quilos (equivalente ao animal vivo) por ano por habitante. Esse é o índice mais alto registrado na história, segundo a entidade.

O relatório também alerta que, no mesmo ano, três quartos dos recursos pesqueiros do mundo estavam ameaçados. O documento, chamado “O estado mundial da pesca e da aqüicultura”, faz um balanço da situação pesqueira nos últimos anos e indica que 25% dos recursos pesqueiros estavam esgotados ou sendo superexplorados, ao passo que 52% ainda eram explorados no limite, o que significa que um nível maior de captura será insustentável.

Entre os animais que mais estão em perigo, segundo a FAO, estão a merluza-branca, o bacalhau-do-Atlântico, o mero e o atum-vermelho. Apesar da situação crítica, que teve seu ápice a partir das décadas de 1970 e 1980, o número de espécies superexploradas e esgotadas foi mantido nos últimos dez ou quinze anos.

Do total produzido (140,5 milhões de toneladas), cerca de 75% é pescado diretamente para o consumo humano. O restante também é destinado ao consumo humano, sob a forma de matéria-prima para fabricação de farinhas e óleos, que compõem rações de outros animais.

Portanto, a situação atual dos recursos pesqueiros do mundo está ligada ao consumo humano, uma vez que a pesca existe para atender a essa demanda. Assim, o consumidor consciente tem a oportunidade de contribuir para minimizar os danos aos estoques pesqueiros, por meio de suas escolhas de consumo. Por exemplo, evitar comer peixes em sua época de defeso, que é período em que a pesca é proibida, para viabilizar a reprodução dos animais. No site do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é possível encontrar uma lista com as datas de defesa de cada espécie.

Outra medida importante é evitar consumo de peixes ameaçados de extinção, cuja pesca e comercialização são proibidas pelo governo federal, como é o caso do mero. Este peixe tem seu comércio vetado, mas sua venda é comum em mercados e feiras livres. Além disso, dar preferência a produtos de maricultura, como, por exemplo, mariscos, ostras e camarão, e aqüicultura, como salmão de água doce, truta, tilápia, garoupa, onde os animais são criados em áreas delimitadas e sua produção é, em geral, controlada e sustentável, é uma ação que faz diferença.

A proteção de ecossistemas marinhos é importante para o meio ambiente (uma vez que todas as espécies, incluindo seres humanos, estão interligadas por meio da cadeia alimentar), mas também para o desenvolvimento econômico, já que a atividade é fonte de renda para muitas pessoas. O esgotamento de espécies marítimas significa que, mesmo que se aumentem os esforços de captura, os volumes pescados serão menores. De acordo com um relatório divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente no ano passado, somente no Brasil, o setor pesqueiro gera 800 mil empregos que, direta e indiretamente, sustentam 4 milhões de pessoas.

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