Spam é um desafio contra o desperdício de energia na era digital

Relatório aponta que brasileiros são os vice-campeões no ranking dos que mais enviam e-mails indesejados no mundo

Marcelo D’Salete tem 29 anos e é artista plástico. Ele passa, em média, cinco horas por dia na frente de computador fazendo pesquisas, publicando trabalhos, baixando músicas, enviando e recebendo e-mails encaminhados pelos amigos e pelos internautas que visitam seu site. “Parte desse tempo eu perco para identificar e me livrar dos spams”, conta D’Salete.

O que o artista plástico — e, provavelmente, a grande maioria dos internautas — não sabia é que o tempo gasto com essas mensagens eletrônicas indesejadas enviadas em massa tem custos não só para o bolso, mas também para o meio ambiente. É o que mostra o relatório sobre os efeitos ambientais do spam produzido pela McAfee, empresa especializada em soluções de segurança eletroeletrônica e digital.

Só em 2008, o volume estimado de spam no mundo foi de 62 trilhões de mensagens. Esse tráfego de mensagens significa, ainda segundo o relatório, um consumo de 33 bilhões de kWh — o equivalente à energia consumida por 2,4 milhões de domicílios nos Estados Unidos naquele ano. Para produzir essa quantidade de energia, a Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira, uma das mais eficientes do sistema da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), precisa de quantidade de água equivalente a que cai pelas cataratas do Iguaçu durante seis anos.

Naturalmente, esta demanda adicional de energia elétrica precisa ser suprida. Para isso, é necessário uma maior geração. Isso significa, nos países desenvolvidos, uma maior utilização de termoelétricas, que contribuem para o aquecimento global. Já em um país como o Brasil, significa a necessidade de construir hidroelétricas, que exigem o deslocamento das populações que ocupam as áreas onde serão feitos os lagos de acumulação da água, um impacto social muito importante. Além de significar que mais dinheiro público será usado para a construção de usinas de geração, o que significa que haverá menos recursos públicos para aplicar em serviços fundamentais á população, como a educação e a saúde.

Brasil é o 2º gerador de spam
O Brasil, de acordo com o Relatório de Spam da Symantec , empresa especializada em segurança digital, ocupa o 2º lugar na lista dos países que mais geram mensagens eletrônicas indesejadas, com 10% do total. Fica atrás apenas dos Estados Unidos, geradores de 26% do spam mundial. Na continuação da lista estão Turquia, Polônia, Índia, Rússia e Coréia do Sul, todos com 4% cada. O mesmo levantamento destaca que o spam já representa mais de 90% de todo tráfego de e-mail da internet.

A maior parte do desperdício de energia provocado pelo spam cai nos ombros do usuário final. O relatório McAfee calcula que 52% dessa energia é gasta para ler mensagens, 27% é para buscar mensagens indevidamente marcadas como spam e 16% ao processar softwares para que os filtros funcionem adequadamente. A criação e transmissão do spam são responsáveis por uma parte quase insignificante da energia consumida.

O consumidor pode minimizar os impactos ambientais causados pelo spam seguindo algumas dicas preparadas pela Symantec. Veja abaixo:

Para identificar:
. Mensagens que não incluem seu endereço de e-mail nos campos “Para:” ou “CC:” são formas comuns de spam;
. Alguns spams podem conter linguagem ofensiva ou links para websites com conteúdo inadequado;

O que fazer:
Instale o software de filtragem/bloqueio de spam.
O software anti-spam examina os e-mails recebidos e separa o que tem alta probabilidade de ser spam de mensagens legítimas.

Não responda a e-mails suspeitos.
Se você suspeitar que um e-mail é spam, não responda, apenas exclua-o. Não clique em nenhum link no e-mail que solicite a retirada do seu nome da lista de destinatários; algumas vezes os links para cancelamento de inscrição nem funcionam, e qualquer tipo de resposta sua apenas confirma o seu e-mail e pode resultar em um número maior de mensagens indesejadas.

Configure um endereço de e-mail descartável.
Mantenha um endereço secundário para uso público, como para registros on-line e sites de e-commerce. Configure o endereço secundário para que encaminhe os e-mails recebidos para sua conta principal. Quando desejar, você pode abandonar ou desativar o endereço secundário.

Crie um nome para o e-mail que seja difícil de adivinhar.
Alguns spammers usam programas de computador para adivinhar endereços de e-mail. Pesquisas mostram que endereços de e-mail que contêm números, letras e sublinhados são mais difíceis de adivinhar e tendem a receber um número menor de spam.

Exiba e-mails em texto simples.
Spam gravado em HTML pode conter programas que redirecionam o navegador da Web do usuário para uma página de anúncios. Imagens em e-mails podem ser adaptadas para enviar mensagens de volta para o spammer. Eles usam essas imagens para localizar endereços de e-mail ativos e enviar spam posteriormente. É uma boa idéia desativar o painel de visualização do e-mail e ler os e-mails em texto simples.

Crie um filtro de spam para o seu e-mail.
A maioria dos programas de e-mail já possui uma forte defesa contra spam. Se o seu programa de e-mail não possuir um filtro de e-mails indesejados, crie um. Crie um filtro que procure mensagens que não incluam o seu endereço de e-mail nos campos “Para:” ou “CC:”. Configure o filtro para que transfira as possíveis mensagens com spam para uma pasta de itens indesejados ou de spam. No entanto, filtros de e-mail não são 100% eficientes e, por isso, examine periodicamente a pasta de itens indesejados ou de spam antes de excluir.

Não publique links para endereços de e-mail em websites.
Spammers usam ‘spambots’ ou spiders da Web para localizar endereços de e-mail em páginas da Web. Por esse motivo, uma boa idéia é exibir endereços de e-mail de maneira que os ‘spambots’ não reconheçam. Por exemplo, em vez de Joao_Silva@empresa.com, publique o endereço de e-mail como Joao_Silva[arroba]empresa.com. Outras opções incluem a exibição de endereços de e-mail como imagens em vez de texto ou o uso de formulários para contato. Formulários para contato permitem que visitantes de websites enviem e-mail através do preenchimento de um formulário no navegador da Web. O servidor encaminha o formulário para um endereço de e-mail sem jamais revelá-lo.

Atenção para as caixas de seleção marcadas.
Ao inscrever-se em serviços ou boletins informativos na Web, seja meticuloso na leitura do conteúdo. Observe textos localizados no fim dos formulários de registro que dizem: “SIM, desejo ser contactado por terceiros sobre produtos que possam me interessar”. Algumas vezes a caixa de seleção ao lado do texto já está marcada. Nesse caso, será necessário desmarcá-la.

Informe sobre o spam.
A maioria dos provedores de serviços da Internet proíbe usuários de utilizarem spam. Rastreie o provedor do spammer e relate o ataque. Se for descoberto que o usuário usou spam, o provedor encerrará o seu serviço. Outra opção é registrar uma queixa na Federal Trade Commission (FTC) sobre qualquer e-mail de spam que você tenha recebido. Acesse a FTC on-line para registrar uma queixa ou encaminhe o e-mail à mesma para investigação.

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