Somadas, prestações do celular pagam um aparelho e meio

No entanto, dois em cada três brasileiros desconhecem a taxa dos juros cobrados nos financiamentos e empréstimos

 

Hoje, ao parcelar em 18 vezes um celular que custa R$ 200 à vista, o consumidor paga o preço total de R$ 302, ou seja, um celular e meio. O cálculo é feito com base na taxa média de juros aplicados pelo mercado, que foi de 4,76% ao mês em setembro de 2010, de acordo com uma pesquisa de crediário por setor divulgada mensalmente pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac). Uma geladeira, por exemplo, que à vista sai por R$ 1.000, se parcelada em dez vezes e adicionada à taxa de 5,28% – taxa média para linha branca, segundo a Anefac –, custaria, no final, R$ 300 a mais.

No entanto, a maioria dos brasileiros não leva em conta os juros na hora de parcelar um produto ou contratar um empréstimo. Segundo uma pesquisa realizada pela Ipsos, multinacional de pesquisa de mercado com atuação no Brasil: dois em cada três consumidores (67%) não sabem qual o valor dos juros cobrados nos empréstimos ou compras parceladas. No país, 42% da população faz compras a prazo ou empréstimo, considerando apenas se a prestação caberá no bolso.

“A falta de educação financeira aliada à disponibilidade do crédito no mercado e às diversas facilidades de pagamento de produtos e serviços são fatores que fazem com que o consumidor não avalie os custos dos juros, que chegam a dobrar o valor cobrado pelo produto sem juros, levando ao endividamento e à inadimplência”, explica Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa Experian, empresa de análises e informações para decisões de crédito. “É preciso que o consumidor tome consciência de que não existe produto parcelado sem juros, e mesmo ao se decidir por esse tipo de pagamento, também deve se planejar para evitar endividamentos”, aconselha.

Planejar significa controlar entradas e saídas do dinheiro que compõe a renda pessoal ou familiar de forma a não gastar mais do que o valor total do orçamento. Isso é fundamental para consumir a curto, médio e longo prazo sem sobressaltos. Outra dica é nunca comprometer mais do que 25% a 30% da renda com financiamentos, inclusive de carro e mobiliário.

Clique aqui para aprender a fazer um orçamento familiar. Leia também a Cartilha do Consumidor, elaborada pela Serasa. Ela orienta para o consumo consciente do dinheiro e do crédito, por meio do controle de gastos, da criação de um fundo de emergência da família entre outros.

“Sempre que possível, ou seja, não sendo uma questão emergencial, vale esperar e juntar o dinheiro para pagar à vista. E, nessa forma de pagamento, o consumidor deve exigir desconto”, diz Almeida.

Segundo o levantamento do Ipsos, os mais desatentos são as mulheres, com 71% que dizem desconhecer as taxas cobradas, e os jovens entre 25 a 34 anos (68%).

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