Seu dinheiro está trabalhando para quem?

Veja como o destino de suas aplicações também diz respeito ao consumo consciente

Você é um consumidor consciente e, por isso, se preocupa com os impactos causados pelos seus atos diários de consumo. Quando faz suas compras procura sempre privilegiar as empresas social e ambientalmente mais responsáveis. Faz um bom uso do seu dinheiro e gasta naquilo que realmente é necessário para a sua vida. Além disso, pensa no futuro, e coloca seus excedentes financeiros em fundos de aplicação disponíveis no mercado.

Mas você já se perguntou para onde vai o seu dinheiro quando ele é aplicado?  Você tem idéia sobre onde o banco ou a instituição financeira efetivamente coloca as suas economias para render?

Pois é, cada vez um número maior de pessoas está se fazendo essas perguntas e buscando direcionar seus investimentos de acordo com critérios que vão além dos estritamente financeiros, ou seja, da garantia e da rentabilidade. Elas querem que suas economias sirvam também para financiar operações de empresas que buscam agir com responsabilidade social e ambiental.

Para atender às demandas desses investidores, surgiu o mercado de finanças “socialmente responsáveis”, ou seja fundos que garantem ao investidor que seu dinheiro será destinado exclusivamente para apoiar empresas que procuram a sustentabilidade ou nos quais, parte dos rendimentos é direcionada para organizações que trabalham em prol da sustentabilidade.

 

Ações Sustentáveis

Para apoiar os investidores brasileiros que tem uma preocupação com a sustentabilidade foi criado o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Criado em dezembro de 2005 pela Bovespa, o ISE é composto por um conjunto de empresas selecionadas com base em critérios ligados ao desenvolvimento sustentável e à responsabilidade ética das corporações.

As empresas incluídas no ISE são aquelas que apresentam o melhor desempenho do ponto de vista do Triple Botton Line (TBL), isto é, envolvendo elementos ambientais, sociais e econômico-financeiros. Aos princípios do TBL, foram adicionados outros três indicadores: governança corporativa, características gerais e natureza do produto.

A metodologia do ISE foi desenvolvida pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade (Gvces) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP). Com base nos critérios do ISE, está hoje selecionado um conjunto de 40 ações de 32 empresas. “Ali estão listadas as empresas que se destacaram nas respostas e, atenderam aos critérios estabelecidos pelo índice”, esclarece Roberta Simonetti, Coordenadora Executiva do ISE e Coordenadora do Programa de Sustentabilidade Empresarial da GVCes. “Fazer parte do ISE demonstra a preocupação e busca pela sustentabilidade”, complementa Roberta.

O número máximo de ações a serem incluídas no ISE não deverá superar 40.  “O objetivo dessa medida é a de aprimorar a qualidade do índice, pois mesmo que uma empresa esteja de acordo com os critérios do ISE, ela poderá ser descartada por outra que apresente uma avaliação superior” informa Rogério Marques, Supervisor de Assistência ao Mercado da Bovespa.

Segundo Marques o ISE já representa um grande atrativo, “principalmente para o investidor que pensa em longo prazo e gosta de apostar em empresas com selo verde pela maior probabilidade de retorno da aplicação e também para aqueles, que não querem ser sócios de uma companhia que polui o meio ambiente”, afirma. .

Existem fundos de investimento que escolhem investir exclusivamente em ações listadas no ISE. Desta forma, dão ao investidor a garantia de que estará usando seu dinheiro para investir a favor da sustentabilidade, apoiando empresas e grupos empresariais comprometidos com o cuidado social e ambiental, em adição à preocupação com os retornos financeiros.

Outros fundos comparam o seu desempenho com o das ações que compõe o ISE. Desta forma, comparam o desempenho do conjunto de ações escolhido para compor o fundo com o desempenho das ações que compõe o ISE. É uma maneira do investidor ter um elemento de comparação para a sua decisão de investimento social e ambientalmente responsável.

Bancos oferecem opções para todos os bolsos

Em adição aos fundos que investem em ações listadas no ISE, alguns bancos criaram fundos de investimentos com critérios sociais e ambientais além do retorno financeiro.

No Brasil e na América Latina, o Banco Real ABN Amro, parceiro pioneiro do Instituto Akatu, foi o pioneiro ao criar o primeiro fundo de ações composto exclusivamente de empresas com boas práticas ambientais, sociais e de governança corporativa, o Fundo Ethical, criado em 2001. Hoje o Ethical é o segundo maior fundo de ações do banco e representa 20% do total aplicado no segmento de fundos socialmente responsáveis.

Outro exemplo de fundo de investimentos em ações é o do Banco Itaú, parceiro pioneiro do Instituto Akatu, que possui o Fundo Itaú de Excelência Social. Os recursos são aplicados em ações de empresas que possuem práticas que evidenciam responsabilidades sociais diferenciadas, que englobam Governança Corporativa (grau de transparência e segurança na divulgação de informações sobre a empresa e a responsabilidade dos acionistas controladores perante os minoritários), Práticas Sociais (políticas socialmente responsáveis com respeito aos empregados, consumidores, fornecedores e comunidade) e de Gestão Ambiental (políticas e práticas que evidenciam esforços da empresa em proteger e preservar o meio ambiente).

Nele, metade da taxa de administração cobrada dos aplicadores é destinada para ONGs da área de educação, incluindo de educação ambiental. Em janeiro último, o Itaú anunciou a liberação de 3,3 milhões de reais para financiamento de projetos das organizações participantes do fundo. A aplicação mínima do Fundo Itaú de Excelência Social é de R$ 500,00 e o investidor vai obter seus ganhos de acordo com a valorização das ações de empresas participantes do fundo.   “O Itaú está sempre atento às possibilidades de lançamento de novos produtos como o Excelência Social”, informa Flavio Pires, superintendente de Investidores Institucionais do Banco Itaú, sobre o futuro dos fundos sócio ambientais do banco.

Uma modalidade de aplicação mais diretamente ligada à conservação ambiental é o título de capitalização oferecido pelo Bradesco, parceiro mantenedor do Akatu. O Pé Quente Bradesco Amazonas Sustentável destina parte do valor arrecadado à Fundação Amazonas Sustentável, que desenvolve programas e projetos de conservação ambiental e desenvolvimento sustentável no Estado do Amazonas. Com aplicações mensais de R$ 20, o investidor, além de contribuir para a conservação da maior floresta tropical do mundo ainda concorre a prêmios pela Loteria Federal e ao final do plano recebe o dinheiro de sua aplicação atualizado pela TR.

Para os investidores mais conservadores, que não querem investir em fundos de ações, existem outras alternativas, aplicações em renda fixa, por exemplo. Mais focado na área social, o Banco do Brasil possui o fundo BB Referenciado DI Social 200. Como o próprio nome revela, o fundo exige uma aplicação inicial de R$ 200,00. Metade, 50% da taxa de administração do fundo, é destinada a programas sociais por meio da Fundação Banco do Brasil. Em 2006, o Banco do Brasil investiu R$ 1,4 milhão, proveniente desse fundo, na geração de trabalho e renda em comunidades carentes.

O Unibanco, parceiro mantenedor do Instituto Akatu, possui dois fundos voltados ao apoio a 11 entidades e projetos sociais dedicados à educação de crianças e adolescentes. Um deles é o Unibanco Private Social, fundo de renda fixa no qual o investidor tem a garantia de receber o mesmo rendimento da poupança, doando a diferença, que gira em torno de 40% do CDI, ao programa. O Unibanco contribui com a taxa de administração. Já no Unibanco Multigestor Social II – uma carteira multimercado -, o investidor não contribui diretamente. Ele recebe cerca de 100% do CDI em suas aplicações, e o banco contribui com a taxa de administração.

Estes são apenas alguns exemplos de possibilidades de investimentos com preocupações sociais e ambientais disponíveis no mercado. Caso você não seja correntista dos bancos citados, vale a pena conversar com o gerente do seu banco. Talvez ele tenha sugestões interessantes.  “Esse mercado ainda é muito novo e incipiente, mas até pelo posicionamento e preocupação das empresas com o tema, ele tende a crescer no futuro” afirma Flavio Pires, superintendente do Itaú. O volume das aplicações nesse segmento está em torno de 0,8% do total dos capitais investidos em fundos de ações. Quanto aos rendimentos, eles ficam, em geral, próximos aos das aplicações convencionais.

Mas o setor promete pelo que se vê em mercados mais maduros. O Índice Dow Jones de Sustentabilidade, da Bolsa de Valores de Nova York, é um indicador que permite avaliar essa geração de valor. O índice lista ações de um grupo de empresas do mundo todo que possuem solidez financeira e uma postura de responsabilidade ambiental e social. Seu desempenho tem sido consistentemente melhor que o registrado pelo Índice Geral Dow Jones. De 1993 a 2004, o Índice Dow Jones de Sustentabilidade teve valorização de 177% enquanto o índice geral Dow Jones teve 134% no mesmo período, segundo dados do Sustainability Index.

O melhor argumento para a disseminação do investimento social e ambientalmente responsável, segundo especialistas, é mostrar que a busca da sustentabilidade vai gerar mais lucro para a empresa, maior retorno para os acionistas e bônus mais generosos para os gestores.

Fique atento ao dinheiro que fica parado na conta corrente

Mas ainda resta uma última questão: às vezes, uma certa quantia fica parada na conta corrente sem render nada para o correntista. “O dinheiro das contas correntes permanece no caixa comum do banco até a sua utilização”, esclarece Flavio Pires, do Itaú, informando sobre uma regra que vigora em todas as instituições financeiras. Estando na caixa comum, ele será gerido, e aplicado, pelo banco. Esse é um outro caso em que você não saberá para qual finalidade seu dinheiro estará sendo usado ou quais atividades estarão sendo financiadas por ele. Portanto, pense na possibilidade de aplicar esse valor nos fundos descritos acima ou até mesmo na caderneta de poupança. Como os recursos da poupança são destinados ao financiamento da casa própria para a população brasileira, pode-se afirmar que você já estará fazendo uma aplicação digna de um consumidor consciente.

Conheça o ISE

O Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) é composto por ações emitidas por empresas que apresentam alto grau de comprometimento com a sustentabilidade e a responsabilidade social e ambiental.

As 137 empresas responsáveis pelas 150 principais ações negociadas na bolsa paulista recebem um extenso questionário com 150 perguntas que abrangem questões ligadas às dimensões econômico-financeiras, sociais e ambientais , cujas respostas são então avaliadas a partir de quatro conjuntos de critérios: Políticas (indicadores de comprometimento); Gestão (planos, programas, metas e monitoramento); Desempenho (indicadores de performance); e Cumprimento Legal (cumprimento de normas nas áreas ambiental, trabalhista, de concorrência, junto ao consumidor entre outras).

O conjunto das ações que compõe o índice é revisado anualmente com base nos procedimentos e critérios para a escolha de cada ação a ser incluída no ISE:

Critérios de inclusão

  1. Ser uma das 150 ações com maior índice de negociabilidade apurados nos doze meses anteriores à reavaliação.
  2. Ter sido negociada em pelo menos 50% dos pregões ocorridos nos doze meses anteriores à formação da carteira;
  3. Atender aos critérios de sustentabilidade apurados no questionário preenchido anualmente.

Critérios de exclusão

  1. Se a empresa emissora entrar em regime de recuperação judicial ou falência.
  2. No caso de uma oferta pública resultar em retirada de circulação de uma parcela significativa de ações da empresa do mercado.
  3. Se algum fato alterar significativamente os níveis de sustentabilidade e responsabilidade social da empresa (caberá ao Conselho do ISE avaliar sobre sua exclusão).
  4. Se a empresa não atender aos critérios de sustentabilidade apurados no questionário.

 

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