Seminário promove discussão sobre o uso de bicicleta como meio de transporte em São Paulo

ONGs, iniciativa privada e cicloativistas se reúnem para falar dos avanços e desafios do uso de bikes na capital paulista

Foto: ciclovia em São Paulo – Crédito: Creative Commons/Milton Jung

 

Além de ser um meio de transporte eficiente, bicicleta é sinônimo de felicidade, dizem os cicloativistas. Ela pode ajudar a resolver problemas como trânsito, poluição, obesidade, estresse, além de resgatar a cidadania nas metrópoles.  O tema foi discutido no workshop de mobilidade urbana em São Paulo, promovido pelo Itaú nesta terça-feira (16/9), em São Paulo.

Nos seus projetos de cidades sustentáveis, o Itaú identificou que o uso de bicicleta era uma tem recorrente. “Por isso, a empresa resolveu incentivar o uso das bikes como meio de transporte nas cidades”, afirmou Luciana Nicola, superintendente de relações governamentais e institucionais. Segundo ela, o sistema de bicicletas compartilhadas (bike sharing) do Itaú já tem mais de 450 estações e de 4.500 bicicletas no Brasil, que permitiram 5,4 milhões de viagens. “A aceitação foi muito boa, recebemos sempre pedidos de novas estações”, disse.

Na visão do consultor em mobilidade Daniel Guth, uma boa infraestrutura gera demanda. Como exemplo, ele cita o caso da Avenida Eliseu de Almeida, no Butantã, zona oeste da cidade de São Paulo.  Em 2012, um levantamento identificou que 585 pessoas passavam de bicicleta pela avenida. Neste ano, com parte da ciclovia construída no local, o número de ciclistas subiu mais de 50%: 888 pessoas  utilizam a ciclovia diariamente. “O número de ciclistas mulheres nessa ciclovia triplicou, o que é muito sintomático.”

Coordenador da implantação das ciclofaixas de lazer em São Paulo, Guth acredita que as ciclofaixas servem de porta de entrada para novos ciclistas que começam a usar a bike para lazer para depois migrar para o uso como meio de transporte.

Em defesa da bicicleta como meio de transporte, Guth apresentou vários argumentos. Ele observa que o índice de fatalidade nos acidentes de trânsito são altos e tende a cair com a crescente adoção das bicicletas. “São 65 mil mortes por ano no trânsito de São Paulo, um número que se aproxima mais das cidades em guerra”, disse.

Os ganhos de saúde também devem entrar na conta, pois 12 pessoas morrem por dia em São Paulo por causa da poluição, argumenta o consultor. “A prática de atividade física traz muitos ganhos e combate problemas como a obesidade, crescente no País.” Além disso, Guth acredita que o uso de bicicleta promove uma ocupação do espaço público, que resgata o respeito entre as pessoas. “Em cima de uma bicicleta somos todos iguais.”

Na visão da cicloativista Renata Falzoni, fundadora do Night Bikers Club, o uso da bicicleta como meio de transporte nas cidades mede o grau de civilidade de um país. “Quanto mais uma cidade usa bicicleta, menos ela segrega socialmente. A bicicleta permite o resgate da cidadania”, disse.
“O uso de bicicletas para transporte é uma tendência mundial, disse Clarisse Link, diretora do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP) no Brasil. Ela cita como exemplos de cidades que investiram na infraestrutura para bicicletas Bogotá, na Colômbia, Londres, na Inglaterra, e Nova York, nos Estados Unidos. “A oportunidade para São Paulo está na mesa, com a vontade política de expandir a infraestrutura para bicicletas.”

No seminário, Clarissee falou sobre a valorização crescente do automóvel desde 1950, veículo que ela valorizado dentro do conceito de “cidade moderna”.  “Hoje, o Brasil é um mercado quente para a indústria automobilística. Mas precisamos ver qual é nossa prioridade: qualidade de vida ou esvaziar o pátio da montadora?”, indaga.  Segundo Clarisse, a estimativa é que o Brasil dobre o número de veículos em 15 anos – hoje são 42 milhões de carros no País.

Por outro lado, o consultor Daniel Guth nota que o incentivo à compra de bicicletas não existe. “No Brasil, temos as bicicletas mais caras do mundo, com imposto de 68,2% em cima do preço, no caso das bicicletas nacionais, e 107% no caso das importadas”, diz. Segundo ele,  a informalidade atinge 40% da produção. Guth é um dos líderes Bicicletas para Todos (BPT), que defende o IPI zero para as bicicletas.

“A bike é revolucionária”, na visão de Guth. “Ela mexe com a lógica perversa ditada pela indústria automobilística há décadas. Por isso, ao promovê-la, há resistência. Mas, quanto mais pessoas usarem as bicicletas, mais benefícios teremos. Será bom, inclusive para quem só anda de carro”, disse o consultor.

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