Sabonete de murmuru gera renda para ribeirinhos do Acre

Coco de uma palmeira amazônica é matéria-prima para sabonete 100% vegetal; produção preserva meio ambiente e beneficia ex-seringueiros

Comentário Akatu: Iniciativas como esta aliam a prosperidade econômica à justiça social e à proteção do meio ambiente. Portanto, são socialmente responsáveis e devem ser apoiadas pelos consumidores.

Coco de uma palmeira da Amazônia, o murmuru chamou atenção de pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp) em 1996. O físico Fábio Dias e a antropóloga Margarete Mendes constataram que os índios do Acre conheciam as propriedades do óleo para uso no cabelo. Após testes com a planta, os dois encontraram a fórmula para um sabonete 100% vegetal, hidratante e com  cheiro agradável.

A descoberta resultou na abertura de uma fábrica em Cruzeiro do Sul, a 740 km de Rio Branco. O murmuru tornou-se o produto mais vendido pelo empreendimento, mas a variedade de ofertas aumentou com a produção de sabonetes de açaí, andiroba, buriti e copaíba, que ganharam, em novembro de 2004, o certificado da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O compromisso com o desenvolvimento racional da floresta também eliminou a figura do atravessador. Os pesquisadores fecharam acordo diretamente com os ribeirinhos para colher o coquinho de murmuru e passaram a bancar o transporte da matéria-prima. Hoje, o trabalho beneficia 500 famílias, a maioria ex-seringueiros que viviam da pesca, atividade em declínio na região.

Atualmente, a colheita só é feita entre março e agosto, mas o objetivo da empresa Tawya Comércio de Produtos do Vale do Juruá é aumentar ainda mais a variedade dos produtos extraídos da floresta para garantir o trabalho dos ribeirinhos durante o ano inteiro.

A próxima meta é aumentar o número de famílias envolvidas no negócio de 500 para 1.500 em três anos. Fábio e Margarete já investiram cerca de 3 milhões de reais na última década. A produção já tem venda antecipada e agora eles se preparam para exportar.

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