Desafio Escolas Sustentáveis promoveu mudanças de consumo consciente em cinco escolas do país

Projeto liderado pelo Akatu financiou projetos de 5 escolas do Brasil que irão gerar economia anual de quase 2 toneladas de CO2 nas instituições

O Desafio Escolas Sustentáveis, promovido pelo Akatu, chegou ao fim com a conclusão da implementação dos planos de ação nas cinco escolas públicas de Ensino Básico selecionadas. Entre melhorias como instalação de energia fotovoltaica, construção de hortas e composteiras e de sistema de captação e reaproveitamento da água da chuva, a previsão é de uma economia anual de cerca de 2 toneladas de CO2. Esse montante equivale às emissões geradas na produção de 1.300 marmitas (com arroz, feijão, carne, batata e tomate) ou no deslocamento de 250 alunos para ir e voltar da escola, durante uma semana.

As cinco instituições selecionadas foram contempladas com um financiamento total de R$ 225 mil para tirar do papel  atividades e melhorias nas instalações acadêmicas com foco em sustentabilidade. Cada uma representa uma  região do país:  Colégio Estadual Leôncio Correia, de Curitiba (PR), Centro Estadual de Educação Profissional em Gestão e Negócios Letice Oliveira Maciel, em Seabra (BA); Escola Municipal José Calil Ahouagi, de Juiz de Fora (MG); Escola Estadual Luiz Lopes de Carvalho, de Três Lagoas (MS); e Escola Estadual Indígena Dom Lourenço Zoller, de Uiramutã (RR).

Mesmo com as restrições impostas pela pandemia, 793 pessoas das comunidades  escolares participaram de atividades online, como webinares e aulas interdisciplinares. Além da conscientização de alunos, professores e familiares, o programa deixa um legado permanente nas instituições participantes, com mudanças curriculares e melhorias sustentáveis em infraestrutura no ambiente escolar que ainda irão gerar economias na conta de água e luz.

O Desafio Escolas Sustentáveis fez parte de um esforço global coordenado pelo The Institute for Global Environmental Strategies (IGES) e pela One Planet Network, financiado pelo Ministério do Meio Ambiente do Japão. Ele foi realizado simultaneamente em nove países — Brasil, Namíbia, África do Sul, Uganda, Camboja, Quirguistão, Filipinas, Vietnã e Suriname.

Confira os principais resultados de cada escola selecionada pelo projeto no Brasil:

Colégio Estadual Leôncio Correia (Curitiba – PR)

Dentro das propostas de aprimoramento estruturais, uma das atividades centrais foi a criação de um Centro de Educação Socioambiental, espaço onde os estudantes interagem com teorias e práticas relacionadas aos conhecimentos socioambientais, com bioconstrução de estrutura de bambu e arquibancada de hiperadobe, além de hortas, composteiras, sistema agroflorestal (SAF), caixas para apicultura de abelhas nativas (jataí e mirim) e espaços lúdicos e didáticos. 

Foi implementado um sistema de captação de água da chuva, com duas cisternas verticais, caixa d’água de 5 mil litros e 200 metros de conexões para distribuição de água ao longo do espaço do Centro de Educação Socioambiental. A elaboração e implementação do plano de gerenciamento dos resíduos sólidos também foi completa pela escola, com a construção de uma vermicomposteira para resíduos orgânicos, em operação desde julho de 2020, e uma Central de Resíduos onde tudo o que é gerado no colégio será separado, mensurado e destinado corretamente. A adquiriu lixeiras para coleta seletiva, e firmou uma parceria com o Instituto Estre para palestra educacional.

A escola ainda completou a implementação do sistema de geração de energia fotovoltaica, com 12 painéis solares e quiosques/laboratórios de energia solar. Também foi instalado um sistema de telemetria para mensuração de quantidade de energia gerada, disponível em site para análise de dados em atividades pedagógicas. O sistema de geração de energia fotovoltaica será capaz de cobrir o equivalente a 5% do consumo durante um mês normal (pleno funcionamento da escola), e esteve entre 15% a 20% do consumo total da escola durante o período de isolamento social. Nos 7 meses em que o sistema de geração de energia fotovoltaica esteve operando, a escola deixou de gastar aproximadamente R$ 1.300, além dos créditos de carbono gerados pela produção de energia.

Por fim, foi criada uma Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola (COM-VIDA), com espaço físico e grupo de alunos engajados. Os seminários e palestras previstos no projeto foram realizados de maneira on-line, na “Semana de Diálogos” entre os dias 26 a 31 de outubro, e disponibilizados no canal do Youtube do colégio. Ao todo, o ciclo de webinares contou com 398 participantes, entre alunos, professores e membros da comunidade escolar.

Escola Estadual Luiz Lopes de Carvalho (Três Lagoas – MS)

Ofereceu disciplinas eletivas aos alunos do ensino médio, à distância e com atividades práticas na escola em esquema de rodízio, para tratar das temáticas de compostagem, produção de sabão caseiro, reciclagem e coleta seletiva, reaproveitamento de água, horta e alimentação saudável. Dentre os aprimoramentos estruturais implementados, a escola finalizou a construção de uma horta em mandala e de composteiras em alvenaria. Também implementou com sucesso um sistema de captação de água da chuva da quadra. 

Uma oficina de produção de papel reciclado resultou em 654 placas que serão utilizadas com trabalhos de arte e cultura em 2021. Outra resultou na produção de 10 kg de sabão caseiro em barra e 200 litros de sabão caseiro líquido em que a matéria-prima foi o papel. 

Inicialmente, foram plantadas cerca de 800 mudas na horta, como alface, rúcula e couve, e foram produzidas mais 500 mudas em sementeiras. Estima-se que cerca de 86 m³ de água da cozinha serão reaproveitados por mês para a irrigação da horta da escola. O sistema de captação de água da chuva, por sua vez, poderá coletar até 63.612 m³ de água por ano, o equivalente a quase 17 piscinas olímpicas (50m x 25m x 3m).

 

Centro Estadual de Educação Profissional Letice Oliveira Maciel (Seabra – BA)

A escola promoveu uma jornada pedagógica antes do início da pandemia e, após, adaptou as atividades propostas para o formato virtual. Ao longo do ano, foram realizadas rodas de conversa, sessões de cinedebates, oficinas em temáticas variadas (bioconstrução, horta sustentável, ecodesign), e campanha de mobilização para descarte adequado de resíduos na escola (“#sextasemlixo”). 

Outro eixo das atividades foi a implementação do Ponto de Entrega Voluntária (PEV), mobilizando alunos, professores e comunidade para o descarte correto No total, de janeiro a outubro de 2020, a escola coletou e destinou 1.319,4 kg de papel, 412 kg de plástico, 23,9 kg de alumínio e 109,5 kg de outros metais, totalizando 1.865 kg de resíduos destinados para a reciclagem. Para um período de aulas normais, a meta é coletar 3.000 kg de resíduos, estimando-se um impacto anual de redução de emissão de 1.000 kg de CO2.

Entre as melhorias estruturais, foram instalados sistemas de captação de água da chuva, construção de pergolado, readaptação de sala multifuncional da escola e instalação de refletores de energia solar para sistema elétrico. 

Os 6 encontros de formação realizados pela escola (jornada pedagógica inicial presencial e demais encontros virtuais organizados pela Coletiva ECO-CEEP) contaram com uma participação total de 110 pessoas, entre alunos, professores e membros da comunidade escolar.

Escola Estadual Indígena Dom Lourenço Zoller (Uiramutã – RR)

A escola realizou um seminário sobre sustentabilidade e outro sobre plantas medicinais e produção de xaropes caseiros, para cuidados a sintomas relacionados à COVID-19. Também buscou conscientizar a comunidade para a não-combustão de resíduos e um descarte mais adequado tem sido feito por meio da escola:  membros da comunidade encaminham os resíduos para lá a cada 15 dias. Por fim, a escola completou a instalação das placas de energia fotovoltaica, em substituição ao motor a combustão.

Os seminários realizados alcançaram um total de 159 pessoas. O resultado mais expressivo é quanto à geração de energia fotovoltaica: antes do projeto, a escola consumia cerca de 30 litros de diesel a cada 15 dias, que era queimado em motor para geração de energia. As placas fotovoltaicas, por sua vez, foram capazes de suprir toda a demanda de energia da escola, que deixou de utilizar o motor a combustão.

Escola Municipal José Calil Ahouagi (Juiz de Fora – MG)

Uma das melhorias estruturais implementadas foi a instalação de um sistema de captação de água da chuva. O projeto foi desenhado por voluntários do Engenheiros Sem Fronteiras da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e implementado na quadra de esportes da escola. O sistema está operando e as estimativas indicam uma captação anual de até 119,5 m³ de água da chuva. A escola também construiu composteiras, minhocários e a estrutura de um pergolado em eucalipto, onde serão realizadas oficinas após retorno das atividades presenciais.

Uma série de 4 webinares, nas temáticas de reaproveitamento de água da chuva, agroecologia e bioconstrução, composteiras domésticas e escolares, e plantas medicinais foi realizada ao longo do ano. Participaram das palestras 107 pessoas, entre alunos, professores e membros da comunidade escolar. Também como parte da vertente educacional do projeto, a escola desenvolveu 3 apostilas para serem utilizadas como materiais didáticos, impressas em papel reciclado e com ilustrações dos alunos da escola.

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