Resistência microbiana é o tema do Dia Mundial da Saúde

Consumido consciente de medicamentos pode ajudar a conter a proliferação de bactérias e de outros micro-organismos resistentes

A proliferação de bactérias e de outros micro-organismos resistentes aos medicamentos deve ter atenção redobrada por parte dos governos e das autoridades médicas. É com esse alerta que a Organização Mundial de Saúde (OMS) elegeu, em 2011, o Combate à Resistência Microbiana como tema do Dia Mundial de Saúde, que se comemora no dia 7 de abril.

O uso indiscriminado dos antibióticos é apontado como a causa principal para o surgimento das superbactérias. Segundo Glacus Brito, imunologista e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), o antibiótico é a mais eficaz arma de que a medicina dispõe contra as doenças causadas por bactérias. “Mas devido ao uso intenso e frequente desse tipo de remédio, por meio de prescrições médicas sem obedecer aos critérios definidos, as bactérias vão criando mecanismos para contornar a ação do remédio, que passa a ser incapaz de matá-la”, explica.

O alerta da OMS é dirigido especialmente a entidades ligadas à gestão da saúde pública, mas o consumidor final, ao praticar o consumo consciente dos medicamentes, também pode ajudar no combate superbactérias, já que a automedicação e o descarte incorreto de medicamentos também contribuem para o mal.

“O descarte do medicamento no lixo comum polui o meio ambiente, já que esses remédios se deterioram em lixões ou aterros, contaminando o solo e as águas subterrâneas que nós consumimos. Tem também o perigo de contaminar diretamente os coletores de lixo ou de serem ingeridos por pessoas desinformadas”, explica Brito.

Ao evitar a automedicação e o descarte incorreto de medicamentos, o consumidor pratica um ato de cidadania, que ajuda a preservar a sua saúde, da sua família e da sua comunidade, além de evitar gastos desnecessários que os governos destinam à resolução de problemas de saúde pública.

Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que o aumento desses micro-organismos ameaça a eficácia de vários tratamentos e cirurgias, como o câncer e o transplante de órgãos. Além disso, a resistência microbiana deixa as pessoas doentes por mais tempo, eleva o risco de morte e torna os tratamentos caros. Em 2010, foram registrados, pelo menos, 440 mil casos de tuberculose multirresistente e 150 mil mortes em mais de 60 países.

Combate
Para a OMS, o combate passa pelo controle da prescrição de antibióticos, o desenvolvimento de novas drogas e a higienização das mãos, principalmente por parte dos profissionais de saúde. No entanto, estudos da própria organização mostram que grande parte dos profissionais não segue a orientação, ou seja, não adota o hábito de lavar as mãos com água e sabão antes e após atender um paciente ou de algum procedimento cirúrgico. As justificativas são as mais variadas, como falta de tempo, estrutura ou intolerância aos produtos de assepsia.

O álcool em gel tem sido uma opção de higienização dentro dos hospitais. Em 2010, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tornou obrigatório o uso do produto em unidades de saúde públicas e particulares.

Em casa
Evite a prática da automedicação. No Brasil, a Anvisa proíbe a venda de antibióticos sem receitas médicas. “Em caso do medicamento prescrito não surtir o efeito desejado, o paciente deve procurar o médico e nunca aumentar a dosagem ou prolongar o tratamento sem instruções específicas do profissional”, diz o imunologista Glacus Brito.

De tempos em tempos, verifique na sua casa a data de vencimento de seus medicamentos. Separe os vencidos e aqueles que você sabe que não serão mais usados e leve-os com suas respectivas caixas aos pontos de coleta.

A Anvisa, por meio da Resolução nº 306, de 07 de dezembro de 2004 e da Resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) nº 358, de 29 de abril de 2005, obriga postos e outros serviços de saúde pública a recolher medicamentos vencidos e destiná-los ao tratamento e a disposição. O serviço de descarte deve ser executado por empresas licenciadas nos órgãos competentes.

Antes de descartar os medicamentos verifique através da Secretaria de Saúde de sua cidade se há possíveis postos de coleta, farmácias, hospitais ou postos de saúde que recebam este material.

Outra resolução da Anvisa, de agosto de  2009, permite às farmácias e drogarias promover programas de coleta de medicamentos a serem descartados pela comunidade com o intuito de preservar a saúde pública e a qualidade do meio ambiente.

Veja abaixo algumas dessas iniciativas que já oferecem ao consumidor final pontos de coleta para o descarte do material:

– No Estado de São Paulo, o programa Descarte Consciente, desenvolvido pela BHS Brasil Health Service, em parceria com a rede de drogarias Droga Raia e o grupo Pão de Açúcar, recolhe medicamentos vencidos em diversos pontos. Clique aqui para conferir os endereços.

– No site da Eurofarma, moradores de São Paulo encontram os endereços dos pontos de coleta espalhados pela cidade. A partir de maio de 2011, as 154 lojas do grupo espalhados pelo país passarão a receber os medicamentos.
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