Residências consomem 72% de energia solar gerada no país

Atualmente, mais de metade da energia térmica solar produzida em território nacional é demandada por casas e apartamentos; no mundo, o Brasil ocupa o sexto lugar no uso da energia do sol

As residências brasileiras são responsáveis pelo consumo de 72% da energia térmica solar – aquela que é usada para o aquecimento de água – gerada no país. Piscinas construídas dentro no território nacional consomem 17%; o setor de serviços 9% e a indústria 2%. São pouco mais de 5 milhões m2 em placas de coleta de energia solar instalada no país. Em média, o sistema residencial tem dois metros quadrados, o que significa que mais de 2 milhões das 53 milhões de residências brasileiras possuem o sistema. Os dados são do Departamento Nacional de Aquecimento Solar da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Dasol/Abrava). Ao lado do vento, que gera a chamada energia eólica, o sol é considerado uma das mais limpas fontes de energia. A partir desses recursos naturais, é possível gerar energia sem a queima de combustíveis fósseis (energia termelétrica) ou a construção de barragens (energia hidrelétrica), que em geral, causam impactos negativos sobre o meio ambiente. Devido à alta insolação nas cinco regiões nacionais, o Brasil pode ser considerado uma futura potência na geração de energia térmica solar. Essa previsão se baseia no fato de que, além das condições naturais propícias, o país é dotado das matérias primas utilizadas na fabricação dos equipamentos necessários para produção desse tipo de energia: cobre, alumínio, aço inoxidável, vidro e termoplásticos. “São indicativos mais do que suficientes de que o Brasil tem toda a infraestrutura para desenvolver a tecnologia e bons negócios no setor”, afirma Marcelo Mesquita, gestor da Dasol/Abrava.

No entanto, esse tipo de energia deve ser considerada complementar, pois nem sempre há sol. “Ainda assim vale a pena, pois o sistema é conectado diretamente no chuveiro. Para fazer uso da energia solar, basta abrir a torneira com o chuveiro desligado”, explica Mesquita. A entidade estima que a cadeia produtiva de tecnologia solar brasileira conta com aproximadamente 200 empresas, das quais a maioria produz reservatórios térmicos e coletores solares (ou placas) – cerca de 80% delas são micro e pequenas empresas, concentradas nas regiões Sudeste (principalmente) e Sul.

Economia e preservação ambiental
 “A energia solar térmica, usada para o aquecimento de água, é considerada uma tecnologia com boa entrada no mercado nacional. Ela foi valorizada nos últimos anos devido aos seus atributos de baixo custo e preservação do meio ambiente”, destaca Mesquita. Segundo Mesquita, os custos da instalação residencial para uma família de quatro pessoas varia de R$ 1.300 a R$ 1.750. “A maior vantagem é que o retorno desse investimento é concluído em dois anos. Isso sem contar com as vantagens para o meio ambiente”. O valor considera apenas a aplicação do sistema em moradias que já têm dupla tubulação, para água quente e água fria. Nesses casos, o sistema da energia solar é acoplado à tubulação para água quente. Com o uso do sistema solar para o aquecimento da água do banho, uma família de quatro pessoas pode economizar até 150 kWh. Essa quantidade de energia equivale a 130 banhos de 15 minutos com chuveiro elétrico de 4.500 W. Segundo a Dasol/Abrava, a energia térmica solar substitui o gás e a eletricidade no aquecimento de água com bastante eficiência, seja no setor industrial, de comércio e serviços, como também em residências. “No entanto, a tecnologia ainda engatinha no Brasil, embora o país possua excelentes condições propícias para o desenvolvimento da tecnologia” diz Mesquita.

O Brasil no mundo
Apesar de possuir matriz energética basicamente oriunda de hidrelétricas, o Brasil já é o sétimo país melhor colocado no ranking mundial de geração de energia solar, com pouco mais de 5. 270 mil m2 de coletores solares instalados em 2009. Veja os países que ocupam as primeiras posições, segundo dados de 2009 divulgados pela U.S. Energy Information Administration, agência independente americana que se dedica a estatísticas e análises mundiais sobre energia: 1º – China: 125 milhões de m2
2º – EUA: 20 milhões de m2
3º – Alemanha e Turquia: 11 milhões de m2
4º – Japão: 6.300 mil m2
5º – Austrália: 6.100 mil m2
6º – Brasil: 5.270 mil m2

Copa do Mundo e Olimpíadas, uma chance para energia limpa
O programa de habitação popular “Minha Casa, Minha Vida”, do governo federal e as obras da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), que apostam fortemente na energia térmica solar, impulsionam a consolidação dessa matriz energética no Brasil. Segundo Dasol/Abrava, o Brasil registra um crescimento de 18,9% de capacidade instalada ao ano. E com a realização de eventos esportivos de grande porte no Brasil, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, esse crescimento vai aumentar. “O desafio é fazer dois grandes eventos ‘verdes’, e para isso a energia solar térmica dará sua contribuição com atributos adicionais de menor custo, energia no ponto de uso e geração de postos de trabalho para mão de obra especializada”, projetou Mesquita. Ele acredita que a alternativa de energia renovável pode estar disseminada em hotéis, restaurantes, ginásios esportivos, estádios e hospitais do país nos próximos anos.

“Temos uma verdadeira usina solar limpa e gratuita, funcionando o ano todo, em todas as regiões. Sem sombra de dúvida, é a melhor opção em termos ecológicos e da sustentabilidade do que as hidrelétricas”, aposta.

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