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10.07.14 às 9:16

Represa Guarapiranga tem apenas 1,5% do volume útil

Na região metropolitana de São Paulo, 9 milhões de habitantes são abastecidos pela Represa Guarapiranga
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O volume de água da Represa Guarapiranga, responsável pelo abastecimento de 9 milhões de habitantes da região metropolitana de São Paulo, chegou a 20% de sua capacidade na semana passada (3/7). Desse total, 1,5% são do volume útil do manancial e 18,5% do volume morto. Em 3 de junho, o volume da represa estava em 24,6%, o que mostra que o manancial perdeu, em apenas um mês, 4,6% de suas reservas.

Na região da represa, neste ano, somente o mês de março teve média pluviométrica superior à média: 193,3 milímetros de chuva ante 184,1 da média. Em todos os outros meses, choveu menos que o habitual. Em janeiro, foram 87,8 milímetros (mm) ante 259,9 mm da média; em fevereiro, 73 mm ante 202,6mm; em abril, 85,7mm ante 89,3mm; em maio, 37,3mm ante 83,2mm e, em junho, 15,8mm ante 56 mm da média.

“O que causa essa situação são três coisas: primeiro, o fenômeno climático; segundo, a falta de gestão; terceiro, a falta de saneamento. Isso, de forma associada, leva a uma situação de crise hídrica profunda, onde a população acaba sendo penalizada”, destaca o gestor ambiental e presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental, Carlos Alberto Bocuhy.

Em nota, o Grupo Técnico de Assessoramento para a Gestão do Sistema Cantareira (Gtag) diz que, com a atual disponibilidade de água no sistema, não será possível atender à vazão de retirada pretendida até 30 de novembro de 2014. “O Gtag concluiu não ser possível, com o atual volume disponível de 197,5 milhões de metros cúbicos [m³], o atendimento das vazões pretendidas até o horizonte de planejamento considerado de 30 de novembro de 2014.”

O grupo decidiu que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) passe a retirar menos água das represas: 19,7 m³ por segundo no mês, em vez de 20,9mm, como pretendido anteriormente.

“O que não se deve passar para a sociedade é uma falsa sensação de segurança, de que vai chover – ninguém sabe se vai chover. Pode não chover”, disse Bocuhy. Para ele, o governo deveria ter adotado medidas de racionamento para garantir maior volume de água nos reservatórios. “Não se pode passar uma sensação de falsa segurança, porque, na verdade, não se tem essa segurança futura.”

O Sistema Cantareira responde pelo abastecimento de água para 9 milhões de habitantes da região metropolitana de São Paulo. A Sabesp, até o momento, nega vá faltar água e descarta a hipótese de adoção do racionamento.

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