Relatório Global de Nutrição: 44% dos países têm níveis alarmantes de desnutrição ou obesidade

Taxas de obesidade e sobrepeso estão crescendo em todas as regiões do planeta, revela o estudo

Crédito da foto: Creative Commons/Cristobal Pizarro

 

A edição de 2016 do Global Nutrition Report (Relatório Global de Nutrição) revelou que 44% dos países avaliados apresentam níveis sérios tanto de desnutrição quanto de sobrepeso e obesidade em adultos.  E, apesar do progresso em alguns países, o mundo está fora da rota para reduzir e reverter essa tendência.
Um grupo de especialistas independentes produz anualmente o Relatório, que é supervisionado pelo Food Policy Research Institute.

As taxas de obesidade e sobrepeso estão subindo em todas as regiões do planeta e quase em todos os países, de acordo com o relatório. O levantamento também revelou que o progresso foi insuficiente na luta contra todas as formas de má nutrição. Todos os países precisariam aumentar seus esforços para reduzir a anemia em mulheres e na prevenção do diabetes, por exemplo.

A má nutrição é responsável por quase metade de todas as mortes de crianças menores de 5 anos e, junto com as dietas pobres, é a principal responsável  por muitas doenças globais. “Uma a cada 3 pessoas sofrem de alguma forma de má nutrição”, disse Lawrence Hadda, um dos diretores do grupo independente de especialistas do Global Nutrition Report, do International Food Policy Research Institute (Instituto de Pesquisas de Políticas de Alimentação Internacional).

Um dos destaques do relatório são os custos econômico da má nutrição, além das lacunas de investimentos e comprometimentos:

–    11% do PIB é perdido, todos os anos, na África e na Ásia, por conta da má nutrição.  As perdas anuais de PIB no mundo com a má nutrição são maiores do que o que foi perdido a cada ano, durante a crise financeira de 2008-2010;
–    Nos Estados Unidos, quando uma pessoa da família é obesa, esta família gasta, em média, um extra de 8% de sua renda anual em cuidados com a saúde. Na China, o diagnóstico de diabetes resulta em uma perna anual de 16,3% da rede de quem tem a doença;
–    Lacunas de financiamento: uma análise recente feita para o Relatório mostrou que as doenças não-transmissíveis relacionadas à má nutrição receberam apenas 50 milhões de dólares do financiamento de doações em 2014, apesar de serem causa de 50% das mortes e desabilitação em países de renda baixa ou média.

“Governos e doadores devem enfrentar a ameaça das doenças não-transmissíveis relacionadas à má nutrição e obesidade, de forma a melhorar a saúde e o desenvolvimento global. Uma em cada 12 pessoas mundialmente tem diabetes e quase 2 bilhões de pessoas são obesas ou sobrepeso.  Temos que deter essa onda”, disse a professora Corina Hawker, uma das diretoras do grupo independente de especialistas do Global Nutrition Report e diretora do Centro de Políticas da Alimentação da City University London, na Inglaterra.

Além de abordar os desafios, o Relatório mostrou progressos obtidos. Por exemplo, o número de crianças raquíticas de menos de 5 anos está diminuindo nas regiões, exceto na África e na Oceania.

Muitos países, individualmente, mostraram progressos marcantes: em Gana, o índice de raquitismo caiu de 36% para 19% em 11 anos. Peru e Malawi estão próximos de atingir as metas globais em amamentação e redução de anemia. “O ingrediente chave para o sucesso dessas histórias é o compromisso político”, disse Lawrence Haddad.

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