Relatório da ONU pede mais investimentos em cidades sustentáveis

Levantamento calcula que três quartos dos recursos naturais do mundo já são consumidos em zonas urbanas

Comentário Akatu: Atualmente, a humanidade já consome 50% mais recursos renováveis do que a Terra consegue regenerar, mesmo em uma situação de enorme concentração do consumo, em que apenas 16% da população mundial é responsável por 78% do total do consumo no planeta. E segundo o relatório lançado recentemente pela ONU, objeto do artigo abaixo, três quartos desses recursos são consumidos em zonas urbanas. Por isso, cidades mais sustentáveis são uma excelente oportunidade para enfrentar os principais desafios na transição rumo a um novo estilo de vida, que priorize o bem-estar de todos respeitando os limites do planeta. O modo de viver nas cidades deverá, necessariamente, ser alterado significativamente para que, de fato, as cidades possam dar uma grande contribuição para a sustentabilidade. Para que isso ocorra, diversos serviços urbanos deverão ser disponibilizados ou melhorados, de modo que um consumo mais consciente tenha possibilidade de ser praticado, como, por exemplo, nas áreas de mobilidade e de reciclagem de resíduos. Nesse sentido, é importante que os cidadãos pressionem as autoridades e escolham governantes comprometidos com programas que criem as condições para uma produção social e ambientalmente mais responsável e um consumo mais consciente.  Ao mesmo tempo, os consumidores mais conscientes também podem contribuir diretamente, e muito, ao gerir sustentavelmente seus recursos domésticos (água, energia, alimentos, produtos de limpeza pessoal e da casa etc.) de maneira a reduzir ao mínimo necessário a sua utilização, o que beneficiará o orçamento doméstico além de contribuir para a sustentabilidade ambiental e social. Ainda podem servir de exemplo e mobilizar seus amigos e familiares na mesma direção, englobando também a escolha de produtos e serviços de empresas mais responsáveis nas questões sociais e ambientais.

Um relatório lançado em 17 de abril por duas agências das Nações Unidas sugere que investir em infraestruturas sustentáveis pode diminuir a degradação ambiental, reduzir a pobreza e a emissão de gases que causam o efeito estufa.

O estudo foi produzido pelo Painel Internacional para Manejo de Recursos Sustentáveis, ou Painel de Recursos, que faz parte do Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma. O Programa da ONU para Assentamentos Humanos, ONU-Habitat, também participou do estudo, lançado em Nairóbi, no Quênia.

Crescimento

Cerca de três quartos dos recursos naturais do mundo são consumidos em cidades. A estimativa é que 70% da população global estará vivendo em áreas urbanas até 2050.

Curitiba, no Paraná, foi um dos 30 casos analisados. A cidade é elogiada no relatório por iniciativas públicas de reciclagem e manejo do lixo. Com o programa “Câmbio Verde”, cada 4 kg de materiais recicláveis podem ser trocados por 1 kg de alimentos.

O estudo nota que os benefícios atingem tanto comunidades mais pobres, que têm acesso a uma dieta mais equilibrada, quanto agricultores locais, que têm uma demanda mais estável da produção.

Economia

Recebe destaque ainda uma iniciativa da Austrália, que instalou medidas para eficiência de energia em prédios públicos. Com isso, o país reduziu em 40% suas emissões de carbono.

A Cidade do Cabo, na África do Sul, é citada por ações em projetos de habitação de baixa renda, com o uso de energia eficiente e sistema solar para a água aquecida. Com as mudanças, houve economia de 6,5 mil toneladas de carbono por ano, queda de 75% nas doenças respiratórias, menor custo de água quente para famílias pobres e criação de “empregos verdes”.

De acordo com o relatório, o custo global estimado em uma transição para cidades sustentáveis é de US$ 40 trilhões, entre 2000 e 2030.

Inovação

O cálculo é feito com base nos gastos para a construção de novas estruturas, principalmente em países em desenvolvimento e reformas de prédios e casas em países desenvolvidos.

O diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, ressaltou que “existem oportunidades únicas para que as cidades liderem ações de economia verde, por meio de uma maior produção de recursos e da inovação”.

Arquitetos e Engenheiros

Na opinião de Steiner, falta uma “visão holística sobre o futuro dos centros urbanos”. Já o diretor do ONU-Habitat, Joan Clos, lembrou que “cidades antigas terão de substituir infraestruturas ineficientes” e é preciso questionar que tipo de cidades do futuro estão sendo planejadas por arquitetos e engenheiros.

O estudo faz diversas recomendações a governos e planejadores urbanos, incluindo maior investimento em infraestruturas que estimulem a baixa emissão de carbono.

Acesse aqui o relatório completo em inglês.

*Foto: Prefeitura de Curitiba/Jaelson Lucas
Clique aqui para ler a notícia original publicada pela Rádio ONU.
Siga no Twitter
Curta no Facebook

Gostou da notícia? Compartilhe!
Ajude a disseminar o Consumo Consciente entre os seus amigos.
Compartilhe:
Leia mais: