Reformatando Cidades

A Escala Humana debate uma nova forma de se habitar as grandes metrópoles, com menos isolamento humano

 

O trabalho do arquiteto dinamarquês Jan Gehl serve de base para o documentário A Escala Humana, que analisa formas de se melhorar a convivência humana nas grandes cidades e, ao mesmo tempo, diminuir a presença de tudo que possa ser um agente isolante da população. Ou seja, diminuindo o tráfego de carros, tornando as cidades mais preparadas para pedestres e pensando na integração ao se construir novos prédios.

“Ninguém sabia que a forma com que construímos as cidades teria impacto nas pessoas”, argumenta Gehl no filme, cujos estudos serviram de teoria para soluções executadas – ou planejadas – para metrópoles da China, Austrália, Bangladesh e Nova Zelândia, entre outros países. A linha de pensamento é simples: se 50% da população (80%, até 2050, segundo previsões) já vive nas cidades, não se pode ceder ao sistema econômico opressor, cuja tendência é diminuir cada vez mais a convivência humana.

Copenhagen, na Dinamarca, serve como o maior exemplo de como a urbanização pode ser mais sensível às necessidades da população. A cidade tem 350 quilômetros de ciclovias e 35% dos locais adotou esse meio de transporte (ainda utilizam carros: 24%). Para Gehl, a pressão por se construir ruas e avenidas nem sempre faz sentido: “Se você fizer mais ruas, terá mais carros”.

A adaptação popular para esse tipo de ação enfrenta, claro, uma resistência inicial. Antes da implantação de uma praça livre de trânsito de automóveis na Times Square, em Nova York, os motoristas de táxi fizeram questão de vociferar contra o projeto. Mais tarde, o nível de aprovação subiu para 74%, além do registro de uma diminuição de mais de 60% dos acidentes da área.

Em outros casos, as situações são ainda mais extremas. A Escala Humana mostra a dificuldade dos oficiais de Dhaka, Bangladesh, em lidar com um influxo de cerca de 1000 pessoas que se mudam por dia para a cidade. Já em Christchurch, Nova Zelândia, a população luta por uma reconstrução mais inteligente da cidade, destruída por um terremoto em 2011 – enquanto empresas defendem a posição oposta, com a mesma estrutura que não resistiu ao abalo sísmico, baseada em grandes edifícios e muito mais interessante financeiramente.

As lições de Gehl eventualmente se mostram utópicas demais – especialmente se colocadas ao lado das pressões de um mundo consumista -, mas os exemplos de pequenas mudanças que geram enormes resultados na qualidade de vida humana apontam para um futuro possível e animador.

A Escala Humana faz parte da a programação da 3ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental será exibido nas seguintes datas e locais: sábado (22 de março), no Cinusp Maria Antônia, às 18h; quarta (26), no Cine Livraria Cultura, às 19h; quinta (27), no Reserva Cultural, às 19h.
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Sobre a 3ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental

Confira a programação completa

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