Queimadas na Amazônia: mitos e verdades

Saiba como ocorrem as queimadas na Amazônia e se elas estão de fato relacionadas com o crescente desmatamento na região

Daniel Beltrá/Greenpeace

 

Afinal, o que está acontecendo na Amazônia? Nos últimos dias, notícias no Brasil e no mundo divulgaram altos números de queimadas na região amazônica e a repercussão delas no restante do País — como foi o caso da segunda-feira (19 de agosto), em São Paulo, mais tarde conhecida por “o dia em que anoiteceu às três da tarde”.

Diante de tanto burburinho sobre o tema, buscamos responder possíveis dúvidas sobre a ocorrência das queimadas na Amazônia, como elas impactam o meio ambiente, a sociedade e a economia e como cada um de nós pode contribuir na preservação do bioma.

Para ajudar a sanar tais dúvidas, elaboramos um guia de “mitos e verdades” sobre as queimadas na Amazônia. E também damos sugestões de ações para que você, individualmente, possa colaborar na sua preservação.

 

Houve um aumento de queimadas em 2019 em relação a 2018. VERDADE. Desde o começo do ano, foram registrados 32.728 focos de incêndio. Segundo o IPAM, um aumento de 60% em comparação à média dos três anos anteriores.

As queimadas mais recentes são causadas pelas secas na região. MITO. O bioma amazônico sofreu menos com falta de chuvas em 2019 do que em 2018, de acordo com o IPAM.

As queimadas se deram em áreas onde também houve grande desmatamento. VERDADE. Com a estiagem mais branda, a relação desmatamento/queimadas tende a ser mais forte. Segundo o IPAM, os 10 municípios amazônicos que mais registraram focos de incêndio em 2019 foram também os que tiveram maiores taxas de desmatamento.

O Brasil é o país com mais florestas do mundo. MITO. A Rússia tem área florestal similar à de todo o território brasileiro. O Brasil ocupa o segundo lugar no mundo. E está na frente em se tratando de florestas tropicais, de acordo com a WWF.

Fatores causadores do desmatamento:

Faltam áreas para produção de alimentos no Brasil. MITO. Há muita área no Brasil destinada à produção de alimentos. O país possui a terceira maior área destinada à agropecuária no mundo: são 245 milhões de hectares, de acordo com o Mapbiomas.

As áreas protegidas atrapalham o desenvolvimento do país. MITO. Existem, nas florestas brasileiras, as chamadas concessões florestais, onde se produz madeira e outros produtos da floresta. Existem também as reservas extrativistas, nas quais as comunidades produzem borracha, castanha, açaí, etc. Segundo a Imazon, em 2017, o Brasil gerou renda de R$ 1,5 bilhão apenas com a comercialização de produtos não madeireiros originados da floresta.

O Brasil é o país que mais desmata no mundo. VERDADE. Em termos absolutos, o Brasil é o país que tem a maior área anual desmatada no planeta. Nos últimos 30 anos, o país teve uma perda líquida de florestas que supera os 70 milhões de hectares, de acordo com o Mapbiomas, o que coloca o país na posição desconfortável de campeão do desmatamento.

Vamos precisar desmatar mais para produzir alimentos no futuro. MITO. Para alimentar a população projetada para o planeta, bastaria aproveitar melhor as áreas hoje utilizadas na produção agrícola por meio do uso de técnicas de aumento de produtividade, como também aproveitar melhor as áreas já desmatadas. Segundo a Terraclass, na Amazônia, 60% da sua área desmatada é atualmente ocupada por pecuária de baixa produtividade e 23% correspondem a áreas abandonadas e que estão se regenerando.

 

Conheça também alguns dos impactos da destruição da floresta amazônica pelas queimadas:

  1. Perda de biodiversidade: a perda do habitat impede a sobrevivência de diversas espécies, o que resulta em perda de biodiversidade especialmente quando a espécie está concentrada em uma determinada área;
  2. Agravamento das mudanças climáticas: a Amazônia concentra milhões de toneladas de gás carbono em suas árvores que são liberadas quando as árvores são queimadas ou cortadas;
  3. Problemas de saúde: a fumaça leva a problemas na qualidade do ar, que desencadeiam problemas respiratórios nas pessoas e acarretam gastos maiores com a saúde pública;
  4. Desequilíbrios hidrológicos (secas): o vapor d’água que emana das florestas é transportado para todo o território brasileiro. Sem a Amazônia, muitas áreas podem sofrer com problemas de estiagem;
  5. Prejuízos às comunidades: sem as florestas, muitas pessoas deixam de usufruir do manejo sustentável dos recursos naturais ali concentrados, o que amplia a condição de pobreza de muitos.

A preservação da Amazônia não é responsabilidade só de governos, empresas e ONGs. Cada um de nós pode contribuir a partir da adoção de hábitos diários de consumo e de comportamento. Saiba como você pode ajudar:

1. Informe-se. Busque informações de fontes confiáveis, compartilhe com amigos e familiares e questione as ações que impulsionam o desmatamento.

2. Use sua voz. Participe de mobilizações contra o desmatamento e as mudanças climáticas e cobre ações dos governos e das empresas para reverter esse cenário.

3. Preserve as florestas, comprando madeira certificada. Verifique se a origem dos produtos madeireiros (como móveis e papel) é legal e sustentável e opte pela compra de itens produzidos com madeira certificada, o que garante que não provém de áreas de desmatamento.

4. Reduza seu consumo de carne vermelha. A abertura de áreas para a pecuária é uma das maiores causadoras do desmatamento; portanto, reduza o consumo de carne, substituindo-a por outras fontes de proteína.

5. Doe e apoie programas de conservação da Amazônia. Suporte ações de organizações confiáveis que direcionam seus esforços para a proteção das florestas. Se não for possível contribuir financeiramente, torne-se um defensor da causa e um agente multiplicador, compartilhando suas mensagens e mobilizando sua família e amigos.

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