As redes sociais aproximam as pessoas, mas geram impactos ambientais negativos

Usuários brasileiros com conta ativa no Facebook, por exemplo, são responsáveis pela emissão de 30,6 toneladas de gases de efeito estufa (GEE), quantidade equivalente à emitida por mais de 4 mil carros dando uma volta completa na Terra

Ser um consumidor consciente implica em reconhecer que tudo o que fazemos, invariavelmente, gera algum tipo de impacto e, por isso, é fundamental buscar o melhor impacto possível dos pontos de vista ambiental, social e individual. Ao contrário do que muita gente imagina, não significa abolir ou reduzir drasticamente o consumo, mas sim consumir diferente, procurando entender as formas de satisfazer as funções desempenhadas pelos produtos de forma a minimizar os impactos negativos e aumentar os positivos desde o estágio de produção até o de descarte.

Quando dizemos que tudo o que consumimos gera impacto, é tudo mesmo, inclusive no que se refere à nossa produção e arquivo de conteúdos em plataformas digitais.

Ou seja, aquela foto postada no Facebook ou aquele vídeo no Instagram geram impactos negativos para o meio ambiente. Claro que o impacto individual de uma foto ou vídeo são muito pequenos, mas considerando que, se o Facebook fosse um país cujo seus habitantes fossem os usuários, ele seria o segundo mais populoso do mundo, depois da China. E a tendência é que cada vez mais pessoas se conectem a internet ao redor do planeta, aumentando continuamente o impacto da produção e do arquivo de conteúdos, que precisa ser monitorado de perto.

Data centers de todo o mundo respondem por 1,4% do consumo energético total mundial. Foto: Pixabay

O principal impacto decorre do fato de as redes sociais ou dos sistemas de armazenamento de informações e computação em nuvem dependerem de servidores armazenados em data centers para realizar suas atividades, e essas estruturas consomem uma enorme quantidade de energia elétrica. Por sua vez, a geração dessa energia elétrica, especialmente quando de fontes não renováveis (fósseis), emite gases causadores do efeito estufa (GEE) na atmosfera, além de causar outros impactos socioambientais.

Somente o setor de Tecnologia da Informação (TI) é responsável por 7% do consumo total mundial de energia elétrica, equivalente a 1.817 TWh. Já os data centers de todo o mundo respondem por 1,4% do consumo energético total mundial. Quanto à pegada de carbono do setor de TI, ela é responsável por 2% das emissões totais antropogênicas (geradas em atividades humanas) de GEE do mundo e, somente em 2016, emitiu quase 725 MtCO2.

Os usuários brasileiros com conta ativa no Facebook são responsáveis pela emissão de 30,6 toneladas de dióxido de carbono equivalentes (tCO2e) na atmosfera anualmente, quantidade equivalente à emitida por mais de quatro mil automóveis dando uma volta completa na Terra.

Mas o impacto não para por aí. A energia consumida pelos data centers do Facebook para atender a demanda dos usuários brasileiros chega a mais de 114 mil megawatt-hora (MWh) em um ano, equivalente ao consumo de energia de mais de 15,5 mil residências brasileiras pelo mesmo período.

Além disso, os data centers consomem grandes quantidades de água em seus sistemas de resfriamento. Uma das saídas encontradas pelo Facebook para minimizar esse consumo é utilizar ar fresco exterior e tecnologias de evaporação de água em seus data centers. Mesmo com essas alternativas, o consumo de água anual destinado a atender a utilização da plataforma pelos usuários ativos brasileiros é de mais de 55 milhões de litros, quantidade similar à utilizada na produção de frutas e vegetais para suprir a necessidade diária de mais de 263 mil pessoas por um dia, ou quase 8.800 pessoas por um mês, ou ainda 720 pessoas por um ano, segundo os valores recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS)*.

*a OMS recomenda a ingestão diária de 400g de frutas e verduras distribuídas em cinco porções de 80g cada, além de outros grupos alimentares.

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