Projeto de Uberlândia adota tijolos ecológicos na construção de casas

Parte da construção das casas que integram o projeto é feita a partir do reaproveitamento de alguns materiais como telhas e canos de PVC

O projeto habitacional Tijolos Ecológicos, da ONG Ação Moradia, está disseminado um novo conceito de construção em Uberlândia (MG) a partir de um trabalho de mobilização e conscientização ecológica de comunidades de baixa renda da cidade. No programa são selecionadas famílias que participam de um treinamento para que construam suas próprias casas utilizando “tijolos ecológicos” –  fabricados pelos próprios beneficiados.

De acordo com Oswaldo Setti de Almeida Filho, coordenador de Projetos da Ação Moradia, os tijolos também são vendidos na região do Triângulo Mineiro. Ele destaca que a procura pelo produto é motivada não só por ser uma iniciativa de economia solidária, mas também pelo caráter ambiental da fabricação dos tijolos.

O material utilizado para a fabricação dos tijolos ecológicos é diferente dos tijolos tradicionais, que geralmente utilizam a argila pura, retirada do fundo de vales e encostas de rios, o que prejudica a vegetação do entorno. No caso dos tijolos ecológicos, o material usado é solo (terra retirada da superfície, portanto, sem causar graves danos ambientais), cimento e água.
São nove partes de solo para cada parte de cimento.

Além disso, segundo Almeida Filho, os tijolos ecológicos não exigem cozimento, o que evita a queima de madeira ou carvão. A queima de matéria orgânica como carvão e madeira resulta na emissão de gás carbônico para a atmosfera, uma das principais causas do aquecimento global.

Conforme Almeida Filho, os tijolos deixam poucos resíduos por causa de sua estrutura: há um orifício interno, por onde se pode passar as instalações elétrica e hidráulica, evitando a quebra da alvenaria como acontece no sistema de construção convencional. Além disso, os tijolos que se quebram durante a obra podem ser reutilizados como matéria-prima para a construção de outros tijolos. Para isso, basta triturar os pedaços para que o material obtido possa entrar na composição dos tijolos novamente. “É importante pensar nesse problema dos resíduos da construção civil. Muitas vezes, mesmo com a caçamba de lixo, os resíduos são transportados para entulhos”.

Os resíduos de construção civil, quando dispostos em lugares inadequados, como terrenos baldios, podem obstruir canalizações e prejudicar a infra-estrutura do local. Quando tóxicos, podem contaminar solo e água da região. Tudo isso gera a necessidade de investimentos públicos para corrigir ou amenizar este problema específico, reduzindo o orçamento do governo para outras áreas como educação, lazer e cultura.

O programa da Ação Moradia recebe apoio da Brazil Foundation, da ONG Moradia e Cidadania e, por parte do governo, do Ministério das Cidades e da Prefeitura de Uberlândia, que cedeu o terreno para a construção do residencial. Até o momento, são 70 famílias beneficiadas e o projeto caminha para Vitória (ES) e Sorocaba (SP).

Reaproveitamento
Além da capacitação das famílias e da fabricação dos tijolos, a construção das casas que integram o projeto é feita a partir do reaproveitamento de alguns materiais. A ONG recebe doações de telhas de cerâmica, que são lavadas e ficam como novas para serem empregadas nas construções, segundo Almeida Filho.

Ainda de acordo com ele, todas as casas do conjunto residencial que integram o projeto possuem aquecedores solares e bombonas (reservatórios de água) produzidos com PVC reaproveitado, o que barateia o custo, principalmente dos aquecedores (uma economia de R$ 100 por aparelho). “Com isso, uma família de 6 a 7 pessoas toma banho todos os dias sem gasto de energia”, diz o coordenador.

Consumo consciente na construção
Ao construir ou reformar o consumidor consciente tem a oportunidade de cooperar para a conservação do meio ambiente. Preste atenção na origem das madeiras, procure usar produtos certificados e ecológicos, adote sistemas de aquecimento solar e reaproveitamento de água, além de  equipamentos inteligentes que reduzem o uso de água e energia. Ao projetar sua casa, prefira janelas amplas, tijolos de vidro, telhas ou domos translúcidos, aproveitando assim ao máximo a luz natural.

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