Produção e consumo: mudar é preciso

A missão do Akatu é mobilizar as pessoas para o uso do poder transformador de seus atos de consumo consciente como instrumento de construção da sustentabilidade da vida no planeta, por Helio Mattar

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi estabelecido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1972, marcando a abertura da Conferência de Estocolmo sobre Ambiente Humano.

Celebrado anualmente no dia 5 de Junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente catalisa a atenção e a ação política de povos e países para aumentar a conscientização em relação à preservação ambiental.

Entre os principais objetivos das comemorações estão os de mostrar o lado humano das questões ambientais, capacitar as pessoas a se tornarem agentes ativos do desenvolvimento sustentável, e promover a compreensão de que é fundamental que comunidades e indivíduos mudem suas atitudes em relação ao uso dos recursos e das questões ambientais de modo a contribuir para a sustentabilidade da vida no planeta.

Nesse sentido, a missão desempenhada peo Akatu é central nesse processo, contribuindo para mobilizar as pessoas para o uso do poder transformador dos seus atos de consumo consciente como instrumento de construção da sustentabilidade da vida no planeta.

Para isso, entre as suas diversas ações, no período entre os dias 3 e 10 de junho, o Akatu está promovendo, junto com o Condomínio do Conjunto Nacional, a SOS Mata Atlântica e a Organização Carta da Terra uma série de eventos, exposições, filmes e debates em São Paulo, inclusive participando da Virada Sustentável, nos dias 4 e 5.

A atividade inicial é o lançamento oficial da Semana do Meio Ambiente às 10h da sexta feira, dia 03 de junho, que será seguida de uma intervenção artística na galeria principal do Conjunto Nacional cujo tema será a embalagem de papelão. Na montagem “Humanidade Papelão, Desencaixe-se”, os artistas do coletivo Contrafilé vão chamar a atenção das pessoas e provocar sua reflexão sobre nossos modos de consumo, usando como ícone as embalagens de papelão.

Quando se fala em consumo consciente, fala-se dos impactos de todos os nossos atos de consumo – em nós mesmos, na sociedade, na economia e no meio ambiente em que vivemos. Isso engloba os resíduos que produzimos, dentre eles, as embalagens que descartamos. Em geral, nosso consumo tem como consequência o descarte de um maior ou menor número de embalagens. Daí o uso das embalagens como mote na intervenção de rua e no Conjunto Nacional.

Falamos de papelão apenas? Claro que não. Falamos de sentido de vida. Podemos medir o nosso sentido de vida pela quantidade de embalagens que desembrulhamos? Pelos produtos que empilhamos em nossos armários, gavetas, estantes, cômodos, garagens, casas? A resposta, claramente, é um sonoro não!!!

As caixas de papelão usado no flash mob feito no Conjunto Nacional serve para lembrar que o consumo implica na extração de recursos naturais, água e petróleo; no gasto de energia; na escolha de fornecedores e empresas que sejam éticos e responsáveis; enfim nos impactos que nosso estilo de vida tem sobre as dimensões individual, ambiental, social e econômica.

Atualmente, a humanidade já consome 50% mais recursos do que a Terra consegue repor. E apenas 16% da população mundial consomem 78% do total do consumo no planeta. O consumo é concentrado e excessivo. Se esse padrão de consumo das nações desenvolvidas fosse adotado pelo resto do mundo, precisaríamos de cinco a seis planetas para suprir essa voracidade.

Em 2050 seremos mais de 3 bilhões de famílias no planeta, imagine se todas tiverem seu carro particular; imagine todos esses carros entupindo as “artérias” de nossas cidades, que certamente vão “enfartar; imagine o volume de recursos naturais necessários para toda essa gente se alimentar, vestir, usar celular,  computador, e para suprir suas necessidades de educação, saúde, lazer, cultura; e imagine onde se vai descartar todo o lixo e embalagens produzidas!!!

Precisamos com urgência mudar o modelo usado na produção de produtos e serviços e mudar a forma como se dá o consumo. E, especialmente na questão do consumo, isso só virá com um outro estilo de vida. Urge consumir de forma diferente, privilegiando os produtos duráveis e não os descartáveis; os produtos locais e não os produzidos longe do local de consumo; os produtos virtuais, sempre que puderem substituir os virtuais; a reutilização e reciclagem dos resíduos, só jogando no lixo aqueles que não puderem mais ser usados; o compartilhamento do uso de produtos, sempre que for possível, evitando a posse e o uso individual; priorizando o importante e não o supérfluo; e valorizando a moderação e não o excesso. Não se trata de reduzir o nosso bem estar, mas de reduzir a demanda de recursos naturais, como água, petróleo, minerais, para produzir o mesmo bem estar, desta forma reduzindo os impactos negativos de nosso consumo e aumentando os positivos. Com pequenas mudanças no nosso dia-a-dia – economizando água e energia, gerindo melhor nossos resíduos, planejando nosso consumo, valorizando produtos e empresas mais sustentáveis, cobrando nossos governantes para apoiarem o consumo mais consciente – podemos imprimir enormes mudanças na nossa vida, na vida de nossa cidade e na vida de nosso planeta. Para melhor, muito melhor!!!

É absolutamente urgente que façamos essa transição para uma sociedade mais sustentável. Além de políticas públicas e soluções tecnológicas capazes de minimizar os impactos da previsível explosão de consumo, é preciso investir e produzir bens simbólicos no redirecionamento das aspirações da sociedade como um todo. É necessário um esforço urgente e sem precedentes para dissociar o sentido de vida e a felicidade do aumento contínuo do consumo. Esta equação, que ainda move o crescimento da sociedade, é incompatível com o objetivo de compartilhar os benefícios do consumo com toda a sociedade e de fazer isso respeitando a sustentabilidade ambiental.

 

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