Primeira usina brasileira de biodiesel é inaugurada

Combustível alternativo, feito a partir de sementes, como as de girassol e mamona, precisa superar barreiras ambientais e econômicas para substituir o diesel fóssil

Comentário Akatu: Por um lado, o biodiesel polui menos do que o diesel convencional; por outro, se os grãos forem plantados em monoculturas extensivas, poderá ocorrer assoreamento de rios, contaminação de águas superficiais e subterrâneas por agrotóxicos e destruição de habitats, comprometendo a biodiversidade. Diminuir a dependência energética externa do país e promover a agricultura familiar são idéias interessantes e positivas, mas o custo ambiental deve ser observado de perto.

 

A inauguração da primeira usina de biodiesel no Brasil, no final do mês passado, dá alento às promessas de acabar com a importação de combustível fóssil, mas existem barreiras econômicas e ambientais a serem ultrapassadas.

A refinaria Soyminas, sediada em Cássia (MG), terá capacidade instalada para produção de 12 milhões de litros do novo combustível, produzido a partir de girassol e nabo forrageiro, por ano.

A usina confirma o Brasil como o produtor pioneiro de alternativas agrícolas para os combustíveis fósseis. Os recentes investimentos na pesquisa do biodiesel, uma alternativa ambientalmente favorável ao diesel comum, faz parte de um programa de 30 anos para desenvolver substitutos para o petróleo.

A maioria dos automóveis no Brasil tem motores que usam tanto gasolina quanto álcool. A gasolina vendida nos postos tem mistura de 22% de álcool de cana-de-açúcar. O biodiesel será misturado ao diesel em apenas 2%, e os veículos não necessitarão de adaptação especial.

O biodiesel promete diminuir a dependência de combustível estrangeiro. Atualmente, 15% do consumo anual de 40 milhões de barris de diesel é importado.

A busca de combustível alternativos pode ajudar a atingir metas ambientais. Resultados de uma pesquisa feita durante um ano pela Universidade de São Paulo em conjunto com a montadora francesa Citroen revelou que as emissões poluentes em carros com mistura de 30% de biodiesel foram reduzidas em 16%. Em Curitiba, os ônibus municipais estão funcionando com 20% de biodiesel desde 1997 e produzem até 33% menos poluição do que o diesel comum, testes indicam.

O governo brasileiro também espera que os combustíveis agrícolas possam beneficiar os agricultores mais pobres do país, especialmente no Norte e no Nordeste. Pequenos produtores estão sendo encorajados a plantar mamona para vender à indústria do biodiesel.

Mas os combustíveis vegetais custam duas ou três vezes mais do que o diesel comum, o que dificulta a ampla comercialização do produto. Subsídios de cerca de R$ 260 milhões seriam necessários. Atualmente, a venda de combustível com 2% de biodiesel é opcional, mas o governo pretende torná-la obrigatória até o final de 2007, com misturas de 5% a 20%.

Outro problema sério é o aumento considerável das lavouras de sementes oleaginosas necessário para que o biodiesel se torne popular. Isso significaria mais lavouras de soja, o que desagrada os ambientalistas, que já culpam a soja como um agente de desmatamento. O biodiesel pode prometer muito, mas ainda há uma grande distância a ser percorrer antes de se tornar o combustível do futuro.

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