Preservar cinturão verde evita enchentes, dizem especialistas

Preservação e reflorestamento das matas ciliares na cidade de São Paulo melhoraria a qualidade do ar e da água, fazendo bem para a saúde e para o bolso dos cidadãos

Comentário Akatu: Não é de hoje que a cidade de São Paulo é castigada por inúmeros problemas relativos à água: enchentes, racionamentos, falta de qualidade da água oferecida, alto preço da conta d’água etc. Uma maneira muito mais barata e sensata de minimizar estes problemas é não apenas preservar, mas recuperar a mata ciliar _o que não apenas melhoraria a qualidade da água, mas também do ar, aumentando a umidade, diminuindo a poluição e combatendo gastos da Prefeitura. Os cidadãos conscientes podem ajudar discutindo esta idéia em sua comunidade e entrando em contato com o seu vereador, cobrando projetos que incentivem o reflorestamento na região metropolitana.

A região metropolitana de São Paulo pode economizar milhões de reais em tratamento de água, obras contra enchentes e internações hospitalares. Para isso, basta reverter a taxa de desmatamento em seu cinturão verde, afirma um grupo de especialistas.

Os pesquisadores, que se reuniram em 1º de abril num seminário no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em São Paulo, querem agora calcular o valor dos chamados serviços ambientais que o cinturão, uma área de 1,5 milhão de hectares, presta aos 23 milhões de habitantes da megalópole e arredores.

O diagnóstico, que deve ser concluído em 2007, integra a Avaliação Ecossistêmica do Milênio, um esforço que envolveu quase mais de 1.000 cientistas de 95 países para realizar um raio-X da saúde dos ecossistemas da Terra.

Além do diagnóstico global, cujos resultados foram apresentados no início do mês pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a Avaliação do Milênio conta com 33 estudos de caso regionais, que têm como objetivo determinar o quanto as ações humanas já comprometeram a capacidade dos ecossistemas de prestar esses serviços e munir os tomadores de decisão locais de ferramentas para reverter o quadro.

Uma das avaliações subglobais que já estão prontas é a de San Pedro de Atacama, no deserto chileno. O diagnóstico da região mostrou, por exemplo, que as licenças de uso de água na região já excederam a capacidade de recarga de rios e aqüíferos. Num deserto, isso é receita para o desastre.

Diferentemente de outros estudos de ecossistema, a Avaliação do Milênio segue uma abordagem declaradamente “antropocêntrica”, nas palavras do engenheiro florestal Rodrigo Victor, do Instituto Florestal de São Paulo, coordenador da Reserva da Biosfera do Cinturão Verde. Essa foi uma das razões que levaram o comitê da Avaliação do Milênio a escolher a maior cidade da América do Sul como o único estudo de caso brasileiro.

Os serviços prestados pelo Cinturão Verde podem ser difíceis de quantificar, mas a ausência deles pesa no bolso e no cotidiano dos paulistanos. O controle de enchentes é um exemplo.

A dragagem de rios e canais da cidade consome, por ano, R$ 19 milhões de reais. Cada piscinão feito para conter o excesso de água das chuvas no verão custa R$ 15 milhões. Reflorestar as margens de rios e córregos reduziria esses custos, já que a mata ciliar tem a capacidade de reter água e sedimentos.

Os custos da perda de vegetação também se fazem sentir na pele _ou melhor, nos pulmões. “A poluição do ar mata. O excesso de mortes atribuível à poluição [em São Paulo] é de sete a oito pessoas por dia”, disse o patologista Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP. Segundo ele, os custos de internações relacionadas à poluição em São Paulo chegam a R$ 320 milhões por ano. Saldiva e seu grupo vão tentar avaliar o quanto a mata reduz esses custos ao aumentar a umidade do ar e diminuir a temperatura.

Mas o principal serviço ambiental do Cinturão Verde _e o mais ameaçado_ deve ser a capacidade de fornecer água à região metropolitana. “Os reservatórios são fundamentais do ponto de vista da segurança da população”, afirma José Galizia Tundisi, do Instituto Internacional de Ecologia, um dos maiores especialistas em recursos hídricos do país.

Tundisi foi encarregado de diagnosticar o estado dos recursos hídricos na região metropolitana. Seus estudos mostram que, se a taxa de remoção de florestas e áreas alagadas das cabeceiras dos rios permanecer constante, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) gastará 30% a mais só com carvão ativado para tratar água em 2025. “Em 1995, o custo do tratamento de mil metros cúbicos de água era R$ 15. Hoje, é R$ 150”, disse Tundisi à Folha.

O pesquisador lembrou que, de todos os mananciais que abastecem a região metropolitana, os menos poluídos são os do Sistema Cantareira, onde a mata está relativamente intacta, servindo de filtro natural ao nitrogênio e ao fósforo lançados nos rios. Tundisi afirma que, levando isso em conta, a Sabesp deveria comprar e proteger áreas de mata e charcos no Cinturão Verde para diminuir os custos do tratamento.

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