Prêmio Educação Além do Prato incentiva merendeiras de escolas de São Paulo

A mudança nas merendas escolares também foi apoiada pelo Edukatu, projeto de educação do Instituto Akatu, que indicou planos de aula com esta temática

 

Feijão tropeiro, torta surpresa e feijoada maravilha ecoavam nos gritos de guerra das torcidas das merendeiras durante a entrega do Prêmio Educação Além do Prato na última sexta-feira, dia 12/12. Estes são alguns dos pratos que estavam concorrendo nas categorias Prato Quente e Prato Frio do Prêmio, criado pela Secretaria Municipal de Educação de São Paulo com o objetivo de melhorar os hábitos alimentares dos alunos.

O desafio proposto para as escolas trouxe novas ideias de receitas e também contou com uma grande mobilização, que começou sete meses atrás. Para participar do Prêmio, as merendeiras foram estimuladas a criar receitas que agradassem os pequenos e, ao mesmo tempo, privilegiassem o consumo consciente, a partir do uso integral dos alimentos e do reaproveitamento de ingredientes. Com este incentivo, também começaram a fazer hortas e compostagem dentro das escolas.

Já dentro da sala de aula, o material trabalhado para a conscientização dos alunos teve como uma das fontes o Edukatu. Com o percurso Comer, Dividir e Brincar, o Edukatu estimula crianças e jovens a conhecerem os alimentos e sua função no corpo para, assim, poderem tomar decisões relacionadas a sua saúde e bem-estar.

O Prêmio também destacou o importante papel das merendeiras dentro das escolas participantes, onde, agora, a “tia da merenda” é conhecida pelo seu nome. “O Prêmio veio para colocar as merendeiras onde elas deveriam estar, como verdadeiras chefes da cozinha escolar”, disse Erika Espíndola Fisher, diretora do Departamento de Alimentação Escolar.

O projeto levou para a final 26 receitas e, mesmo com a premiação de apenas duas delas, Cesar Callegari, Secretário Municipal de Educação de São Paulo, acredita que “todos que participaram foram premiados. Sabemos que na educação vale muito mais o processo”. Para Fernando Haddad, Prefeito de São Paulo, “é o estímulo da rede neural da criança que, com uma alimentação de qualidade, torna o ensino mais produtivo”.

Para expandir a ideia, as finalistas devem fazer parte do cardápio da alimentação escolar da rede paulistana e ainda do livro de receitas do Prêmio, que será traduzido em três idiomas. Merendeiras e merendeiros finalistas foram agraciados com um curso de gastronomia criado especialmente para a realidade da rede municipal de educação. Os primeiros colocados farão ainda uma viagem internacional de intercâmbio e renovação, visitando um espaço ambiental relacionado à alimentação e saúde em suas escolas.

Ingredientes principais
Na categoria Prato Quente, o primeiro lugar foi para a E.M.E.I. (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Recanto Campo Belo – DRE Capela do Socorro. Já a ganhadora da categoria Prato Frio foi a receita da C.E.I. (Centro de Educação Infantil) Bom Jesus – DRE Penha, a torta surpresa.

Feita com massa de arroz e legumes, a receita chegou até a escola por meio da tia-avó de uma aluna. Joana Souza soube pela irmã sobre o projeto e foi até a escola dar sua contribuição. “Levei a ideia e ensinei para elas [as cozinheiras] a receita da torta. Muitas vezes, as crianças não comem legumes… e a torta eles adoram! Esta receita veio da minha avó para minha mãe e eu passei para a escola”. A receita da Dona Joana foi ensinada também para Vera Lucia Mendes, cozinheira há 14 anos. “Aprendi muito nestes últimos meses, mas o mais importante é saber que estamos alimentando ainda melhor as crianças”.

Também com a ideia de usar ingredientes tradicionais da refeição dos brasileiros, Danubia Pereira, merendeira na E.M.E.I. Dorina Nowill, criou uma nova receita de feijão tropeiro utilizando muitos dos ingredientes da horta da escola. Este é o primeiro emprego de Danubia, que relata que a receita foi aceita por todos. “Somos quatro na cozinha e testamos muitas receitas. O feijão foi o mais aceito por nós e pelos alunos. E o melhor é que o que mais usamos está dentro da escola, na horta”.

A empolgação na hora de inventar novas receitas também deu origem à feijoada maravilha, criada por Lunalva Silva e suas companheiras de cozinha. Merendeira há 4 anos na E.M.E.I. Francisco Rebolo, ela conta que o projeto fez com que aprimorasse ainda mais o que adora fazer. “Quanto tempo eu cozinho? Sou cozinheira a vida toda! Adoro fazer isso e, para o Prêmio, pensamos numa feijoada só com proteína, sem carne e com muitos legumes. Ficou uma delícia!”, comemora.

 

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