Por um pouco de luz

O tempo da fartura acabou. Agora, os consumidores brasileiros, acostumados com eletricidade barata e abundante, terão de aprender a conviver com a escassez

A crise da energia elétrica é uma das principais pautas nacionais. É curioso o Brasil chegar a este cenário crítico porque até há pouco o país possuía um sistema energético invejável, com grande abundância e reconhecida eficiência.

O tempo da fartura acabou. Agora, os consumidores brasileiros, acostumados com eletricidade barata e abundante, terão de aprender a conviver com a escassez.

O êxito da mobilização da opinião pública e da sociedade civil convenceu o governo a retroceder na errônea posição de punir os contribuintes com contas de luz astronômicas. Os consumidores não serão mais multados por não economizarem energia e o governo promete dar incentivos aos consumidores que gastarem menos energia elétrica.

Decisão sábia, justificada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso com o raciocínio de que não seria justo punir os consumidores que já economizaram. Para o presidente “as pessoas que pouparem vão ter descontos adicionais nas contas de energia. Mas isso não vai nos eximir da necessidade de cortes”. O preocupante aqui é a necessidade de cortes e apagões elétricos.

A pergunta que deve ser feita é: Por que não se investe seriamente em fontes alternativas de obtenção de energia?

A expansão da matriz energética nacional vem sendo fruto de discussões acaloradas por diversos setores da sociedade brasileira. Embora a opção por um sistema energético misto seja quase consensual, sua implementação depende de cuidadosos cálculos baseados em uma complexa relação custo-benefício.

O Brasil, sem água suficiente para gerar eletricidade, precisará optar por formas mistas de obtenção de energia. A questão é que o custo da água – a matéria-prima das hidrelétricas – é zero e todas as outras formas de produção energética em escala são muito mais caras.

A opção preferencial tem sido pelas termoelétricas, que são caras devido aos altos custos de aquisição do gás natural e à necessidade de compra de equipamentos importados. Sem contar que a diversificação do sistema energético brasileiro não poderá ser implementada de uma hora para outra. Levará tempo, provavelmente alguns anos.

Há os que defendem as fontes alternativas de energia como solução para a crise da energia elétrica no país. As maiores cidades, consumidoras da maior parte da energia produzida no país, precisam de grandes e inúmeras centrais energéticas. Mas o fato é que cerca de 90% dos municípios brasileiros são pequenos ou médios. Para eles, pequenas centrais baseadas em fontes alternativas de energia, como a eólica e a solar, poderiam solucionar em parte o problema.

Conjugar grandes centrais de energia, baseadas em hidrelétricas e talvez em termoelétricas, com pequenas centrais, baseadas em fontes alternativas de energia, seria a concretização de um inovador modelo energético para o país, que evitaria a dependência completa das fontes tradicionais, dispendiosas e distantes de importantes pontos de consumo. As benesses da energia seriam levadas a todos os cidadãos do país, garantindo o acesso ao desenvolvimento, educação, saúde e empregos.

É importante lembrar também que as fontes alternativas de energia não agridem o meio ambiente da mesma forma que as fontes tradicionais. Essa é a chave para um real desenvolvimento do país, que conjuga desenvolvimento socioeconômico com respeito e preservação das riquezas naturais brasileiras. A crise vista por outro ângulo é sinônimo de oportunidade de crescimento.

Helio Mattar é diretor-presidente do Instituto Akatu.

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