População da Grande São Paulo reduz o consumo de água em 15%

Dois anos após fim do racionamento, moradores da Região Metropolitana Paulista incorporaram medidas no dia a dia que ajudaram a diminuir o consumo, segundo a Sabesp

A água que respinga do chuveiro durante o banho pode ser reutilizada para dar descargas. Foto: Creative commons/Tookapic/ PIxabay

 

Os moradores da Grande São Paulo estão consumindo 15% menos água hoje do que há quatro anos, segundo dados divulgados pela Companhia Estadual de Saneamento Básico (Sabesp).

Em fevereiro de 2014 houve o início da seca no Sistema Cantareira e também o lançamento do programa de desconto na conta para quem reduzisse o gasto, promovido pelo governo paulista.

Atualmente, a Sabesp distribui 60,9 mil litros por segundo (l/s) para abastecer 21 milhões de pessoas na Grande São Paulo. Há quatro anos, a demanda era maior: 71,4 mil l/s. A redução do volume foi de 10,5 mil l/s, o que equivale, em um dia, ao consumo de três milhões de pessoas. No auge da crise, em 2015, o volume distribuído chegou a ser de 53,2 mil l/s por causa do racionamento, que perdurou até início de 2016.

Outro dado importante divulgado pela Sabesp, que mostra a mudança de hábito no consumo hídrico, é o gasto médio per capita. Em 2017, foi de 129 litros por habitante/dia, o mesmo índice de 2016, o primeiro pós-racionamento. Em 2013, antes da crise, esse índice era de 169 litros por habitante/dia, ou seja: 31% maior.

A mudança definitiva de comportamento do consumidor para um uso mais consciente da água é fundamental para enfrentar uma situação que pode ser permanente de escassez hídrica. É um equívoco achar que essas atitudes só fazem sentido se usadas em situações de crise – quando os reservatórios das cidades caem a um nível crítico. As situações de crise, na realidade, podem acontecer a qualquer momento, visto que o aquecimento global levou a uma mudança no clima que passou a ser extremo (por exemplo, secas prolongadas ou grandes inundações) e imprevisíveis. Assim, o que antes ocorria em uma situação de crise é agora uma condição que pode ser considerada potencialmente permanente.

A crise foi uma oportunidade para a mudança de comportamento do consumidor, o que é ótimo. Mas, embora o consumo per capita dos habitantes da RMSP tenha caído, ainda está acima do indicado pela UN Water – divisão da ONU especialista em água – de 100 litros por pessoa, por dia, suficientes para suprir todas as necessidades de nutrição, higiene e saúde.

A água no planeta pode ser abundante, mas o percentual de água doce, utilizada nas atividades humanas vitais do dia a dia, é pequeno. Basta ver que, se toda a água da Terra coubesse em uma garrafa de 1 litro, a água doce disponível equivaleria a pouco mais de uma gota!
Essa relativa escassez, somada à gestão inadequada dos recursos hídricos, ao crescimento populacional, ao aumento do consumo de bens e alimentos e à instabilidade climática em consequência do aquecimento global, tem complicado a situação de disponibilidade de água em muitas cidades ao redor do globo, como é o caso nos dias de hoje na Cidade do Cabo (Africa do Sul) e Brasília, para citar apenas dois exemplos.

Neste contexto, todos os atores sociais devem participar e contribuir para que haja uma mudança real. O engajamento dos consumidores é tão importante quanto a atenção das organizações da sociedade civil, do governo ou das empresas.

DICAS

Veja a seguir algumas dicas do Akatu para ajudar a reduzir o seu consumo de água no dia a dia:

Reaproveitamento de água  em casa

• A água que sai da máquina de lavar roupa após o enxague pode ser aproveitada direcionando o cano de despejo da máquina para um balde. A cada ciclo de uma máquina de cinco quilos são gastos 135 litros. A água desse balde pode ser usada na descarga dos vasos sanitários, lavar o quintal ou o carro. E veja que prático: essa água já vem com um pouco de sabão! Além disso, o segundo enxague da máquina, “a água do amaciante”, mais limpa, também pode ser reaproveitada para abastecer a próxima lavagem.

• Use a água do aquário para regar as plantas. Ela é rica em nitrogênio, fósforo e potássio, que fortalecem as plantas, agindo como fertilizantes. Mas lembre-se: as plantas não se dão bem com água salgada ou com controle de PH. E se ela estiver muito suja no aquário, utilize só um pouco da água misturada com água limpa.

• Seu chuveiro tem aquecimento a gás? Use um balde para coletar a água limpa que ainda não chegou à temperatura ideal para o seu banho. Colete também a água que respinga enquanto você toma banho de chuveiro. Essa água pode ser reutilizada para dar descargas, lavar o próprio banheiro ou as áreas externas, como quintais e varandas.

• Você pode também coletar a água que usar para lavar as mãos com um pequeno recipiente e acumular o líquido em um balde, para usar para dar descargas.

• Se você não puder se planejar ou usar o microondas, a comida congelada pode ser descongelada ficando de molho na água, usando uma tina ou uma bacia – e essa água pode ser reutilizada depois para lavar a louça ou regar as plantas. Descongelando na bacia ao invés da água corrente, você economizará em um ano, uma quantidade de água equivalente a aproximadamente três meses, abrindo a torneira apenas para molhar e enxaguar.

 

Como higienizar os alimentos sem desperdiçar água

  • Hortaliças e frutas que serão consumidas cruas devem ser higienizadas cuidadosamente. Primeiro devem ser lavadas em água corrente, para a retirada das sujeiras vistas a olho nu. Controle o uso da água, usando a torneira em meia volta durante a lavagem. Depois, deixe de molho os vegetais em solução desinfetante, como água sanitária e hipoclorito de sódio. Hidropônicos e orgânicos devem passar pelo mesmo processo. Mas, em algumas situações, não é preciso gastar água ou se pode gastar menos água:
  • Se a fruta ou hortaliça for descascada para consumo, não é necessária a desinfecção. Com isso, você economiza a água que seria usada para deixar os alimentos de molho.
  • Os alimentos que serão cozidos não precisam passar pelo processo de desinfecção também. O calor mata os micro-organismos que podem causar doença. Assim, basta lavar levemente em água corrente antes de cozinhar.
  • Mas, se for usar água para higienizar, recolha a água usada na lavagem dos alimentos para ser usada para outras finalidades como, por exemplo, na limpeza do chão ou para dar descarga.

Como evitar o desperdício de água na hora de lavar louça

  • Para lavar a louça acumulada na pia, não é necessário deixar a torneira aberta o tempo todo, nem usar água corrente para “limpar” os pratos e panelas. Retire os restos de comida dos pratos com o uso de esponja ou pano, antes de ensaboá-los. E só abra a torneira na hora do enxágue. Considerando que você reduza o tempo que a torneira fica aberta de 15 minutos para 5 minutos, a fim de seguir orientação de abri-la só para enxaguar a louça, isso resultaria em uma economia de 170 litros de água a cada lavagem e, ao longo de um ano, você economizará água suficiente para abastecer sua casa inteira por mais de 2 meses e meio.
  • Antes de lavar pratos, vasilhames e panelas, limpe bem os restos de comida e jogue-os no lixo com a ajuda dos talheres, esponjas, panos e guardanapos já usados.
  • Em seguida, faça o ensaboamento a seco ou ponha a louça de molho numa bacia com água e gotas de detergente. Como sujeira amolece, basta esfregar de leve com a esponja para a louça ficar limpa. Lembrando que o uso excessivo de sabão e detergente exigem mais água para removê-los e acabam poluindo o meio ambiente (fonte: Sabesp- Especial Condomínios Economize Água).
  • Depois, é só enxaguar. Para economizar ainda mais, faça o enxague com duas bacias cheias de água limpa, em vez de usar a torneira. Após ensaboar, molhe a louça na primeira e, depois, repita o processo na segunda para garantir que o sabão saiu.
  • Antes de colocar a frigideira na pia, descarte o óleo (armazene o óleo usado num recipiente – quando estiver cheio, encaminhe para entidades de reciclagem) e despeje água quente, que vai remover a gordura e facilitar a lavagem.
  • No caso do uso da máquina de lavar louça, proceda à lavagem quando ela estiver cheia. Ao adquirir uma máquina, prefira aquela que requer menos água e energia, consultando as especificações antes da compra.
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