Pesquisadores criam método barato de tratamento de água

Protótipo de baixo custo reutiliza esgoto e fornece água não-potável, para limpeza ou irrigação; projeto pode oferecer melhores condições de saneamento básico

Comentário Akatu: A falta de saneamento básico é um dos grandes males do Brasil, já que cerca de 70% das internações nos hospitais públicos se deve à ingestão de água contaminada. Qualquer iniciativa limpa, barata e sustentável de reaproveitamento de água (um recurso finito e precioso) é bem-vinda e deve ser apoiada e adotada pelos consumidores conscientes.

Graças a um protótipo de baixo custo feito para o reuso do esgoto, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estão conseguindo economizar água na Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri).

O sistema piloto, desenvolvido na própria faculdade, é usado para o fornecimento de água não-potável. “Com a metodologia, a água tratada fica livre de patógenos e pode ser utilizada novamente na agricultura ou para limpeza de ambientes”, disse Edson Abdul Nour, coordenador do projeto.

O esgoto passa por cinco unidades em série. A primeira é um reator anaeróbio, que trata o esgoto bruto. O efluente é levado para a segunda unidade, chamada de leitos cultivados, onde as raízes das plantas lá existentes realizam a contenção dos microrganismos. Na terceira unidade, a água passa pelos tanques com brita ou pedaços de bambus cultivados com macrófitas. Em seguida, na quarta etapa, ocorre a ação dos filtros compostos de areia. Na quinta unidade é realizada a desinfecção, deixando a água com condições para ser reutilizada.

A previsão dos pesquisadores é que a metodologia seja adotada em todo o novo prédio da Feagri, que será construído em breve. As novas instalações serão planejadas com dupla tubulação de captação de água, para que os banheiros também possam ser abastecidos com água de esgoto tratada. “Quando o sistema estiver funcionando, a intenção é tratar 60% do volume total do esgoto gerado pela Feagri”, disse Nour.

O pesquisador acredita que uma aplicação alternativa para o sistema seria em comunidades carentes. “Todos os objetos necessários para a implementação da tecnologia podem ser encontrados em qualquer casa de material de construção, com um custo acessível”, disse Nour. “Com isso, é possível oferecer melhores condições de saneamento básico para pequenos núcleos habitacionais e comunidades rurais de algumas regiões do país”, acredita. O projeto foi financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), por meio do Programa de Pesquisa em Saneamento Básico (Prosab).

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