Pesquisa Akatu: patrocinadores falam sobre os insights mais relevantes para suas empresas

O evento contou com a participação de representantes de grandes empresas como Coca-Cola, Unilever, Grupo Boticário, Natura e Cargill.

Lançamento da Pesquisa Akatu 2018 teve painel das empresas patrocinadoras da pesquisa. Da esquerda à direita, Helio Mattar, diretor-presidente do Akatu, Yuri Feres, líder de responsabilidade corporativa e desenvolvimento sustentável para América Latina da Cargill, Andrea Mota, diretora de sustentabilidade da Coca-Cola, Larissa Berbare, head de consumer insights da Natura, Juliana Perna de Mendonça, gerente de branding e comunicação do Grupo Boticário, Antonio Calcagnotto, diretor de assuntos corporativos e sustentabilidade da Unilever. Foto: Douglas Matsumoto/Yantra Imagens.

 

Os patrocinadores da Pesquisa Akatu 2018 estiveram presentes no evento de lançamento do estudo, realizado no dia 25 de julho no Sesc Consolação, em São Paulo. Representantes das empresas Coca-Cola, Unilever, Grupo Boticário, Natura e Cargill falaram sobre os insights mais relevantes, inspirados nas conclusões da pesquisa. A mediação deste painel foi realizada por Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu.

A “Pesquisa Akatu 2018 – Panorama do Consumo Consciente no Brasil: desafios, barreiras e motivações” está em sua quinta edição e investiga a evolução do grau de consciência dos brasileiros no comportamento de consumo, além de indicar os principais desafios, motivações e barreiras à prática do consumo consciente.

Para Andrea Mota, diretora de sustentabilidade da Coca-Cola, o que chamou mais a atenção na pesquisa foi a porcentagem de consumidores que declararam enfrentar barreiras para adotarem produtos sustentáveis, de 60%. “O papel das empresas é ajudar as pessoas a reduzir seus esforços para conseguirem ter uma vida mais sustentável. Devemos refletir sobre que ações concretas podemos fazer em prol dos consumidores, especialmente os iniciantes, que são 38% da população”, enfatiza ela. “Se conseguirmos converter esses iniciantes para engajados e conscientes, 75% da população praticará o consumo consciente”, completa Mota. Ela também ressaltou a importância de investimentos na comunicação com o público. Andrea disse que a Coca-cola pretende melhorar as informações nos rótulos de seus produtos e aumentar o número de embalagens retornáveis. Durante o evento, também foi perguntado sobre o que se espera de uma “empresa do futuro”. A diretora disse que o ideal é continuar operando com o menor impacto possível, contando com três grandes forças: os consumidores, os associados e os investidores.

Antonio Calcagnotto, diretor de assuntos corporativos e sustentabilidade da Unilever, também comentou sobre a Pesquisa Akatu. “O que chamou muito a atenção é que uma pequena parcela da população, somente 7%, se considera consumidor consciente. Não adianta nós apenas sermos sustentáveis em toda a cadeia produtiva. Precisamos falar mais sobre sustentabilidade com o público. Também estamos fazendo um trabalho muito forte de convencer setores a mudar”, conta o especialista. Ele destacou a necessidade de as empresas trabalharem além do que a lei diz, como por exemplo, melhorar o descarte de resíduos sólidos. Sobre a “empresa do futuro”, o diretor disse que o ideal é sistemas de produção sem desperdício, sem trabalho infantil e que não haja consumo de recursos naturais que não possam ser renováveis.

Juliana Perna de Mendonça, gerente de branding e comunicação do Grupo Boticário, foi a terceira pessoa avaliar os resultados da pesquisa. Ela frisou a alta porcentagem de consumidores que desconhecem o que seja sustentabilidade e para melhorar essa situação, as empresas devem investir mais em comunicação. “A gente precisa encontrar uma forma de mostrar ao consumidor o real valor do sustentável, não só do ponto de vista individual mas também do coletivo” afirma a gerente. Ela cita como exemplo ter divulgação clara sobre o descarte correto de embalagens recicláveis, que faz parte da responsabilidade das empresas que as produzem. Outro insight foi a questão dos preços altos como barreira. “Na cadeia de produção, é necessário conseguir negociar suprimentos a um custo mais justo para que isso não pese tanto no bolso do consumidor. Que os preços de produtos sustentáveis não sejam o principal motivo para deixar de consumir de uma maneira mais consciente”, promete Juliana Mendonça.

Na sequência, Larissa Berbare, head de consumer insights da Natura, salientou a importância da pesquisa para a consulta de grandes empresas, como um mapa completo sobre comportamentos e hábitos de consumo no Brasil. “Um dos grandes insights foi não ter uma estratégia bola de prata. Não há nada que se possa fazer tão relevante e convincente pra todo mundo ao mesmo tempo, pois há quatro perfis. Os iniciantes são os que têm mais potencial para influenciar, assim a gente não fica falando só com quem já está consciente e engajado, que é a minoria da população”, diz a gerente. Para isso, será preciso valorizar mais a comunicação: “É importante a consistência da narrativa sobre o valor da sustentabilidade. E não deve ser só sobre o valor de um produto sustentável ou de menor impacto socioambiental. O desafio é como ajudar as pessoas a se verem como parte desse ciclo poderoso que é o consumo, que se veem empoderadas em cada escolha, influenciando toda a cadeia”. Sobre a visão do futuro, Berbare diz que a Natura sempre focou na redução de impactos negativos. Mas hoje define como meta para 2050, uma empresa focada em impactos positivos, com visão ecossistêmica.

Quem finalizou o painel das empresas foi Yuri Feres, líder de responsabilidade corporativa e desenvolvimento sustentável para América Latina da Cargill. Assim como Juliana Mendonça, do Grupo Boticário, ele ressaltou a barreira preço como um entrave para o consumo de produtos sustentáveis. “Não é todo mundo que tem acesso a mais recursos ou que vai tomar decisão para pagar mais por um item sustentável”, afirma o especialista. Para que isso deixe de ser um problema, Feres diz que é necessário “desromantizar” o termo sustentabilidade, usado como um nicho. “Toda vez que se cria um mercado de nicho, cria-se um diferencial de preços e isso diminui o acesso. Por isso, nosso papel é mudar o status quo, ou seja, fazer com que os produtos sustentáveis deixem de ser um nicho”, sugere. Ele também ressaltou a rotulagem de produtos, que deve ser mais clara e objetiva, atendendo as expectativas dos consumidores. E por fim, destacou o problema das fake news, que afetam negativamente o consumo, com informações incorretas e imprecisas. Mas ele ainda não tem muita clareza sobre como combater esse problema. “É hora de buscar soluções”, disse.

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