Pesquisa 2005: Apenas 15% puniu empresas por má conduta

Para Helio Mattar, “consumidor cidadão” está criando um novo atributo competitivo no mercado

Comparado aos consumidores de outros países, o brasileiro é um dos que menos pune as empresas – apenas 15% afirmou ter deixado de comprar produtos ou falado mal de uma empresa como forma de puni-la, além de outros 15% que pensaram em punir, mas acabaram não fazendo. Os australianos, campeões da punição, foram 51%. Esse dado da “Pesquisa 2005 – RSE – Percepção do Consumidor Brasileiro” confirma tendência já apontada por estudos anteriores realizados pelo Akatu: o consumidor brasileiro exerce seu poder de influência mais por meio da premiação, ou reconhecimento, do que pela punição.

Pesquisa realizada pelo Akatu em 2005, chamada “Consumidores conscientes: o que pensam e como agem”, trazia dois dados ilustrativos (também incluídos na pulicação da Pesquisa 2005) sobre essa nova relação entre empresas e consumidores. Oitenta e sete por cento dos consumidores mais conscientes disse acreditar que as empresas têm muita influência no mercado, mas ao mesmo tempo que são influenciadas pelo comportamento dos consumidores. Além disso, 37% deles disseram adotar práticas e incentivar o consumo de produtos/empresas “socialmente responsáveis”. Enquanto isso, apenas 29% da mesma amostra disse deixar de comprar produtos de empresas como punição por terem feito algo prejudicial à sociedade, ao meio ambiente ou a comunidades próximas (veja gráfico).

Segundo o diretor presidente do Instituto Akatu, Helio Mattar, o consumidor está cada vez mais consciente do seu poder de indução e de transformação: “O nome Akatu vem do Tupi e quer dizer ao mesmo tempo “semente boa” e “mundo melhor”. O cidadão consumidor está se tornando um consumidor cidadão”, afirmou.

Mattar afirmou, ainda, que esse consumidor cada vez mais exigente irá privilegiar empresas que vão além do seu papel tradicional de criação de empregos e busca por lucros, criando um novo e importante atributo competitivo.

Ceticismo

A “Pesquisa 2005” também revela certo ceticismo do consumidor brasileiro em relação à divulgação de ações de RSE pelas empresas. Perguntado se “As empresas comunicam com honestidade e veracidade o que elas fazem em matéria social e ambiental”, apenas 50% respondeu positivamente. Esse dado, segundo o diretor presidente do Akatu, denota a necessidade de uma transformação das relações entre as empresas e seus públicos interno e externo.

“O produto não pode ser mais o único veículo de comunicação das empresas com a sociedade. A disponibilidade de informação é uma exigência crescente do consumidor”, afirmou.

A “Pesquisa 2005” mostra ainda que o consumidor brasileiro acha que as empresas são responsáveis por “estabelecer padrões éticos mais elevados, indo além do que é determinado pela lei, ajudando efetivamente a construir uma sociedade melhor para todos”.

  • Faça o download da íntegra da “Pesquisa 2005 – RSE – Percepção do Consumidor Brasileiro”.

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