Pé menor, mas pesado

Brasileiro tem pegada ecológica inferior à média mundial, mas maior do que o recomendável

Pesquisa divulgada na primeira semana de junho, realizada pela organização não-governamental WWF Brasil em parceria com o Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), mostrou que os brasileiros adotam vários comportamentos ambientalmente corretos. O estudo foi realizado com o objetivo de medir os hábitos de consumo para elaboração de indicadores da Pegada Ecológica no Brasil. Assim, acredita a WWF, podem-se identificar avanços em relação ao consumo consciente e mesmo colaborar com a concepção de políticas públicas.

Conforme o estudo, 87% dos brasileiros fecham a torneira enquanto escovam os dentes. É uma boa notícia, visto que, fazendo isso, cada pessoa deixa de gastar (considerando dois minutos de torneira aberta) cerca de 13,5 litros de água a cada vez que escova os dentes. Se um milhão de pessoas fecharem a torneira ao escovar os dentes ao longo de um mês, será poupada uma quantidade de água equivalente ao que cai das Cataratas do Iguaçu por 12 minutos.

Outra boa notícia é que o banho dos brasileiros não é muito longo: 54% dos entrevistados disseram que seu banho demora até 10 minutos. Por outro lado, 13% afirmaram que o banho dura mais de 20 minutos. Se uma pessoa que demora 20 minutos debaixo do chuveiro conseguir reduzir à metade seu tempo de banho, economizará, ao final de um ano (considerando um banho por dia), 11 mil litros de água, o equivalente a 11 caixas de água de mil litros cheias até a boca.

Mais da metade dos brasileiros (54%) se alimenta de forma pouco impactante sobre o meio ambiente. A maior parte dos alimentos consumidos por essa parcela da população não é pré-preparada, nem embalada, tem origem orgânica e é produzida em região próxima aos entrevistados. Quanto menos processos industriais são envolvidos na produção do alimento e menor a distância de transporte, menor será a geração de resíduos e a emissão de CO2, gás que é o principal responsável pelo aquecimento global.

Em alguns casos apontados pela pesquisa, o nível de adoção de determinado hábito não é distribuído igualmente entre as faixas de renda – o que indica que o comportamento pode estar mais ligado ao peso imediato sobre o próprio bolso. No caso da comida, o consumo de alimentos naturais entre as classes D e E é de 61%. Este percentual cai conforme aumenta a renda: entre as classes A e B, apenas 47% disseram consumir alimentos pouco industrializados ou produzidos próximos à região em que vivem.

No caso dos transportes, o fator econômico também tem um grande peso. A pesquisa indica que 87% da população praticam hábitos ambientalmente corretos ao se locomover, ou seja, usam transporte coletivo, bicicleta ou se deslocam a pé. Porém, nesse grupo, apenas 19% possuem carro. Os demais simplesmente não têm escolha.

Percebe-se que, em determinadas ocasiões, a ação pode ser guiada mais pela economia de recursos financeiros do que pela consciência real sobre os impactos do ato de consumo. Não se trata, portanto, de uma escolha “consciente”, mas, para efeitos de pegada ecológica, não deixa de ser um hábito sustentável que ajuda o índice brasileiro de consumo de recursos naturais a manter-se em um patamar abaixo da média mundial.

A pegada ecológica permite calcular qual é a área (em hectares) necessária para produzir tudo aquilo que consumimos e, ainda, absorver os resíduos desses processos, em um ano. A conta é feita considerando toda a quantidade de água e de espaço físico necessários para o plantio, pastagem, pesca etc. Os dados levantados até agora permitem avaliar que a pegada ecológica média no Brasil é de 2,1 hectares por habitante por ano, inferior, mas bastante próxima da média mundial per capita de 2,2. Porém, esse número é superior à média mundial indicada para que se atinja um padrão de consumo sustentável hoje, que seria de 1,8 hectares por habitante por ano. Atualmente, a pegada ecológica média global indica que humanidade já consome 30% acima da capacidade de renovação do planeta.

O documento completo está em:
Relatório de Tabelas

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