Para José Goldemberg, sustentabilidade é caminho inevitável para as empresas

Presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Fecomercio destaca importância de ações sustentáveis para setor comercial

A Fecomercio — Federação do Comércio do Estado de São Paulo — anunciou na noite do dia 23 de setembro os quatro vencedores da 1ª edição do Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade. A Sincoquim , com o Projeto de Distribuição Responsável, o Projeto Terra de Comércio Solidário, a Editora Mol, com a Revista Sorria e o Grupo Pão de Açucar (associada ouro do Akatu), com a Loja Verde de Indaiatuba, foram as campeães nas categorias entidade, micro, média e grande empresa, respectivamente. Todos os projetos vencedores receberam prêmios no valor de R$ 15 mil.

Hugo Bethlem, do Grupo Pão de Açucar, aproveitou o momento para anunciar que até o final de 2010, todas as lojas do grupo terão o conceito de Loja Verde.

O físico José Goldemberg, ex-ministro da Educação e ex-secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, é presidente do Conselho de Estudos Ambientais da Fecomercio. Em entrevista ao Akatu, ele revelou seu desapontamento com o baixo número de participantes do prêmio. Apesar disso, o prêmio será mantido nos próximos anos, pois, segundo Goldemberg, o desenvolvimento sustentável é um caminho inevitável pelo qual as empresas deverão seguir.

Instituto Akatu: Como nasceu a iniciativa e com que objetivo foi idealizado o Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade?

José Goldemberg: Tudo isso começou com uma exposição promovida pela Fecomercio no ano passado, em que participaram organizações e pequenas empresas, com o objetivo de mostrar iniciativas sobre desenvolvimento sustentável. Detectamos idéias muito interessantes do ponto de vista da sustentabilidade e surgiu a idéia de premiar os mais criativos. A idéia foi bem recebida porque o Conselho de Estudos Ambientais da Fecomercio vinha discutindo sobre a necessidade da sustentabilidade nas empresas. Essa é uma discussão muito importante para o comércio porque este setor, diferentemente da indústria, por exemplo, está em contato direto e constante com a população. Ele tem o poder de influenciar o padrão de comportamento das pessoas e até de educá-las, coisa que a indústria dificilmente faz. Portanto, o objetivo do Conselho é promover o desenvolvimento sustentável dentro da Fecomercio.

IA: Foram 28 projetos inscritos e 26 empresas participantes. Esses números são satisfatórios?

JG: Não, não considero satisfatórios. Gostaria que mais organizações tivessem participado. Mas, há duas razões para isso. A primeira é que essa premiação é pouco conhecida. A segunda é que estamos na primeira edição apenas, de modo que acreditamos que nos próximos anos haverá mais participantes. Acredito nisso porque a premiação pela Fecomercio poderá significar conseqüências favoráveis para as empresas, porque desenvolvimento sustentável valoriza as ações das empresas no mercado. Na Bolsa de Nova York, por exemplo, as empresas que têm ações de sustentabilidade em seus modelos de negócio têm as suas ações mais valorizadas que as outras. A tendência é que isso comece a acontecer no Brasil também.

IA: Haverá novas edições do prêmio nos próximos anos?

JG: Sim. Talvez não anualmente, porque são projetos que levam algum tempo para amadurecer. Vamos considerar a melhor periodização para a realização de próximas edições. Pode ser que seja de dois em dois anos, ou de três em três. E, se o número de inscrições aumentasse muito, defenderia que fosse uma edição anual.

IA: Entre as empresas que enviaram projetos, há uma grande variedade em termos de setores de atividade. Qual o significado disso, em sua opinião?

JG: Acho que a sustentabilidade não é privilégio de nenhuma empresa. Há sustentabilidade em todos os níveis, ou pelo menos deveria ser assim. Sustentabilidade vai desde a questão ambiental até a questão de democratização de acessos a produtos e serviços de todos os segmentos humanos. Portanto, organiza-se o negócio de maneira humana, dando mais qualidade vida às pessoas e de maneira equitativa. Essa é uma realidade que as empresas no Brasil começam a compreender. Entretanto, ficaria mais satisfeito se mais empresas tivessem se inscrito.

IA: Uma das exigências para que o projeto fosse inscrito era que já estivesse em andamento. Pode-se concluir, a partir daí, que as empresas estão incorporando práticas de sustentabilidade em suas atividades?

JG: Nossa idéia quanto a essa exigência era justamente evitar que aparecessem apenas propostas. Mas, de fato, as empresas já estão engajadas nesse sentido. A premiação da Fecomercio está reconhecendo o sucesso da ação de organização que tem feito empreendimentos nesse sentido.

IA: A partir da avaliação dos projetos inscritos, é possível visualizar, ainda que de maneira superficial, em que estágio as empresas se encontram no que diz respeito à sustentabilidade e preservação ambiental?

JG: Se tivesse havido mais inscritos, daria para responder à sua pergunta com mais segurança. Entretanto, acho que alguns dos projetos são de muito boa qualidade. Isso vem do fato de que o desenvolvimento sustentável já chegou ao Brasil. É preciso que fique claro que ainda estamos numa fase embrionária, mas há o consenso de que esse é um caminho inevitável.

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