Organização Meteorológica Mundial divulga alerta sobre mudanças no clima

A organização lançou estudo em que mostra os avanços do aquecimento global no planeta em 2015 e as tendências futuras alarmantes

Crédito: Creative commons/Otota Dana

 

O ano de 2015 entrou para a história com a quebra de recordes de temperatura, ondas de calor intenso, chuvas irregulares, secas devastadoras e atividade incomum de ciclones tropicais, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM). E essa tendência de quebrar recordes deve continuar em 2016. Todos esses dados foram reunidos no estudo “A Declaração da OMM sobre o Estado do Clima”, com o tema “Mais quente, mais seco, mais úmido. Encare o futuro”, que destaca os desafios das mudanças climáticas e o caminho para sociedades resistentes ao clima. A pesquisa foi lançada em 23 de março, Dia Mundial da Meteorologia.

“O futuro está acontecendo agora”, sintetizou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, no estudo. “A taxa alarmante de mudanças que estamos testemunhando agora em nosso clima como resultado das emissões de gases de efeito de estufa não tem precedentes nos registros modernos”, alerta o especialista.

De acordo com o estudo, janeiro e fevereiro de 2016 definiram novos recordes mensais de temperatura, com calor especialmente pronunciado nas altas latitudes do hemisfério norte. A extensão do gelo marinho no Ártico atingiu um pico de baixa nos registros de satélite nesses dois meses de acordo com a NASA e com a NOAA-National Oceanic and Atmospheric Administration dos Estados Unidos.  As concentrações de gases de efeito de estufa ultrapassaram o limite de 400 partes por milhão limite. E os problemas não param por aí.

Veja, a seguir, as principais conclusões da Declaração sobre o Estado das Clima em 2015.

Temperaturas da superfície do mar e do calor do oceano
Grandes áreas dos oceanos aqueceram-se significativamente. Em particular, as zonas tropicais do centro e o leste do Pacífico ficaram muito mais quentes do que a média por causa do El Niño. O conteúdo de calor global do oceano foi recorde tanto nos 700 metros superiores como no nível de 2000 metros. O aumento da temperatura do oceano responde por cerca de 40% da elevação do nível global do mar observada nos últimos 60 anos e espera-se que tenha uma contribuição semelhante sobre o futuro aumento do nível do mar.  O nível do mar, medido por satélites e marégrafos tradicionais, foi o maior já registrado.

Gelo do Mar Ártico
A extensão máxima diária de gelo do mar Ártico aconteceu em 25 de fevereiro de 2015 e foi a mais baixa já registrada (este recorde foi batido em 2016).  A extensão mínima de gelo marinho do Ártico, registrada em 11 de setembro, foi a quarta menor.

Calor
Muitos países passaram por ondas de calor intensas. As mais devastadoras em termos de impacto humano foram na Índia e no Paquistão. A Ásia, como continente, teve seu ano mais quente já registrado, assim como a América do Sul. A Europa Ocidental e Central registrou uma onda de calor excepcionalmente longa, com a temperatura se aproximando ou cruzando os 40° C em vários lugares. Vários novos recordes de temperatura foram quebrados (Alemanha: 40,3° C; Espanha 42,6° C; Reino Unido 36,7° C). O nordeste dos EUA e a parte ocidental do Canadá tiveram uma temporada recorde de incêndios, com mais de 2 milhões de hectares queimados durante o verão apenas no Alasca.

Tempestades
As precipitações globais em 2015 estiveram próximas da média de longo prazo. Mas dentro deste nível médio global houve diversos casos de chuvas extremas nos quais o total que caiu em 24 horas ultrapassou a média mensal normal. Por exemplo, na África, Malawi sofreu sua pior inundação em janeiro. Níveis excepcionais de chuva foram também provocados por uma das monções no Oeste Africano. A costa ocidental da Líbia recebeu mais de 90 milímetros de chuva em 24 horas, em setembro, em comparação com a média mensal de 8 mm. A cidade marroquina de Marrakech recebeu 35,9 mm de chuva em uma hora em agosto, mais de 13 vezes a mensal normal.  O poderoso El Niño fez com que 2015 fosse mais úmido em muitas partes subtropicais da América do Sul (incluindo Peru, norte do Chile, Bolívia, Paraguai, sul do Brasil e norte da Argentina) e em partes do sul dos Estados Unidos e norte do México.

Seca
Uma grave seca afetou o sul da África, fazendo com que 2014/2015 fosse a temporada mais seca desde 1932/1933, com grandes repercussões para a produção agrícola e a segurança alimentar. Na Indonésia, o El Niño levou a grandes incêndios provocados pela seca, afetando a qualidade do ar inclusive em países vizinhos. A parte norte da América do Sul sofreu uma seca grave, incluindo o Nordeste do Brasil, Colômbia e Venezuela, afetando setores da agricultura, água e energia. Partes do Caribe e da América Central também foram severamente afetados.

Ciclones tropicais
Globalmente o número de tempestades tropicais, ciclones e tufões não esteve muito longe da média, mas alguns eventos incomuns foram registrados. O ciclone tropical Pam atingiu a costa de Vanuatu como um ciclone de categoria 5 em 13 de março de 2015, causando devastação generalizada. O Patricia atingiu o México em 20 de outubro como o furacão mais forte já registrado tanto no Atlântico ou como nas bacias do nordeste do Pacífico, atingindo velocidades máximas de de 346 km / h. Um ciclone tropical extremamente raro, o Chapala, atingiu o Iêmen no início de novembro, levando a inundações substanciais. Ele foi imediatamente seguido por Cyclone Megh, que atingiu a mesma área.

A comunidade da OMM continuará a apoiar os países na busca pelo desenvolvimento sustentável e no combate às alterações climáticas através da disponibilização da melhor ciência possível e de serviços operacionais para tempo, clima, hidrologia, oceanos e do ambiente.

O Instituto Akatu entende que toda atividade humana impacta o clima e influencia os ecossistemas. O aquecimento global é uma consequência do aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, causado principalmente pelo desmatamento, pela atividade agrícola e pecuária em larga escala, e pela queima de combustíveis fósseis, especialmente em processos industriais e para a geração de energia. Se os consumidores fazem parte da origem do problema, são também parte de sua solução por meio de suas práticas cotidianas e suas escolhas, : têm a força de diminuir o aquecimento global. Podem, por exemplo, reduzir o consumo de energia, em casa ou no trabalho; diminuir o uso de veículos individuais, aderindo ao transporte coletivo, bicicleta ou caminhada para alguns deslocamentos. O poder de escolha e a capacidade de mudança dos consumidores pode estimular empresas e governos a produzirem de forma ‘mais limpa’, isto é, com menos emissão de CO2. Este novo comportamento e esta nova consciência são fundamentais para frear o aquecimento global e suas consequências desastrosas para clima do planeta.

 

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