ONU lança o primeiro padrão global para medir perda e desperdício de alimentos

Cerca de um terço de todos os alimentos é perdido ou desperdiçado em todo o mundo. Esse problema é responsável por 8% das emissões de gases que causam o efeito estufa

Crédito: Creative commons /Liz West.

 

Comentário Akatu: o desperdício de alimentos deve ser evitado ao máximo, já que a produção consome muitos recursos do ambiente. A redução de desperdício deve ser buscada nas etapas de plantio, armazenagem, processamento, distribuição de alimentos e no consumo final. Cada consumidor pode fazer a sua parte, com pequenas mudanças em suas práticas cotidianas. Adotar como critérios para a compra não só o preço, mas também a qualidade, a origem, as informações sobre os impactos sociais e ambientais causados pela empresa fabricante, pode trazer grandes benefícios para sua saúde, para a sociedade e para o meio ambiente. Na reportagem abaixo, há a iniciativa positiva da ONU em lançar o primeiro padrão global para medir perda e desperdício de alimentos no mundo.

 

A ONU, em parceria com organizações internacionais, anunciou no dia 7 de junho o lançamento do primeiro padrão global para medir o problema do desperdício e da perda de alimentos no mundo. A prática gera, anualmente, um custo global de 940 bilhões de dólares.

O padrão consiste em um conjunto abrangente de definições e requisitos de comunicação para que empresas, países e outros consigam medir, relatar e gerenciar de forma consistente e confiável a perda e o desperdício de alimentos.

De acordo com o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) , Achim Steiner, “esse novo padrão de medição não só irá nos ajudar a entender o quanto a comida não é o que chega a nossa boca, como também vai nos ajudar a definir uma linha de base para a ação contra o problema”.

Segundo a ONU, cerca de um terço de todos os alimentos é perdido ou desperdiçado em todo o mundo no caminho que vai desde a produção da comida até o seu consumo, ao mesmo tempo em que 800 milhões de pessoas encontram-se subnutridas.

Além disso, o desperdício é responsável por 8% das emissões de gases que causam o efeito estufa. De acordo com as estimativas da Organização, se esses dados representassem um país, a nação estaria entre os três maiores poluidores, atrás somente da China e dos Estados Unidos. Saiba mais sobre o novo padrão em http://flwprotocol.org.

Parabenizando o novo padrão, Achim Steiner pediu que todos os países e empresas comecem a usá-lo para medir e relatar a perda e o desperdício de alimentos, e em paralelo tomem medidas concretas para cumprir a terceira meta do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 12, que se trata de reduzir para metade o desperdício alimentar até 2030.

Para Andrew Steer, presidente e CEO da World Resources Institute, “esse padrão é um verdadeiro avanço”. “Pela primeira vez, através do auxílio do padrão, países e empresas serão capazes de quantificar os alimentos que são perdidos e ou desperdiçados, onde esse desperdício ocorre, bem como relatar o problema de maneira altamente consistente.”

“Agora, temos uma nova ferramenta poderosa que ajudará governos e empresas a economizar dinheiro, proteger os recursos e garantir que mais pessoas consigam o alimento que necessitam”, acrescentou.

O PNUMA destacou ainda que o impulso internacional para conter a perda de alimentos está crescendo com o compromisso de governos e empresas. No entanto, muitos ainda não sabem quanta comida é perdida ou desperdiçada ou onde isso ocorre dentro de suas fronteiras, de suas operações ou cadeias de fornecimento. Além disso, a definição de perda e desperdício de alimentos varia muito, e sem uma contagem consistente e uma estrutura de informação, é difícil a comparação dos dados e o desenvolvimento de estratégias eficazes.

O novo padrão também irá ajudar a reduzir a perda de comida e o desperdício dentro do setor privado. Em 2015, o Fórum de Bons Consumidores, que representa mais de 400 dos maiores varejistas do mundo e fabricantes de 70 países, aprovou uma resolução para que seus membros reduzam o desperdício de alimentos em suas operações em 50 % até 2025, usando o padrão de medição.

 

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