OIT alerta para aumento de empregos precários no mundo

Novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta para um crescimento global dos empregos considerados precários

Fábrica na China. Crédito: Matt

 

Comentário Akatu: Governos, sociedade civil e empresas – ou trabalhadores e empregadores – precisam estar envolvidos em um processo que culminará na construção de um novo modelo de produção e consumo mais sustentável, que valorize as relações de trabalho mais justas. O relatório feito pela OIT sobre o aumento de empregos precários e atípicos no mundo, mencionado na reportagem abaixo, serve de alerta para repensarmos essas formas de trabalho e buscar novas alternativas para a construção desse modelo. Assim, do ponto de vista do consumidor, é importante, sempre que possível, valorizar empresas reconhecidas por adotar condições justas de trabalho ao longo de toda a cadeia produtiva de seus produtos.

 

Novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado no dia 14 de novembro, apontou para um aumento global dos empregos considerados precários ou atípicos, que incluem trabalhos temporários, autônomos, de meio expediente, com subcontratos, entre outros.

Segundo a pesquisa da OIT, esse tipo de emprego está associado a maiores inseguranças para os trabalhadores. Em países onde a prática é generalizada, os funcionários enfrentam riscos de desemprego e de jornadas inadequadas.

Além disso, o relatório alerta para uma diferença salarial de 30% entre os empregos temporários e os normais em atividades semelhantes e confirma que, em alguns casos, trabalhadores podem não exercer seus direitos fundamentais ou não ter acesso a benefícios previdenciários e treinamentos adequados.

Nos países industrializados, a OIT afirma que esses empregos podem ser comparados aos trabalhos casuais, conhecidos como “bicos” no Brasil, nos países em desenvolvimento.

No Reino Unido, 2,5% dos trabalhadores estão nesta situação e o índice sobe para 10% nos Estados Unidos. Já na Índia e em Bangladesh, quase dois terços dos empregos assalariados são casuais. Um terço dos trabalhos é casual no Mali e no Zimbábue. Na Austrália, onde os empregos casuais são uma categoria específica, um em cada quatro trabalhadores está nessa condição.

“Os ganhos de custos e de flexibilidade que os empregos atípicos proporcionam no curto prazo podem ser compensados por perdas de produtividade no longo prazo. Há evidências de que as empresas que usam esse tipo de contratação tendem a investir menos em formação, seja para empregados temporários como para os permanentes, bem como em tecnologias e inovações que aumentam a produtividade”, disse o chefe da unidade da OIT responsável pelo relatório, Philip Marcadent.

“O uso generalizado desses empregos pode reforçar a segmentação do mercado de trabalho e levar a uma maior volatilidade dos empregos, com consequências à estabilidade econômica. A pesquisa mostra que os trabalhadores temporários e de plantão têm mais dificuldade em obter acesso ao crédito e à habitação, tendo mais dificuldades em começar uma família”, acrescentou.

Entre as recomendações feitas pela OIT estão a implementação de políticas que garantam tratamento igual para todos os trabalhadores; fortalecimento das medidas de acordo coletivo de salários, proteção social e geração de novos postos de emprego.

Leia aqui o relatório completo (em inglês).

 

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