Obra Limpa ajuda construtoras a diminuir impacto ambiental de resíduos

A consultoria busca reduzir os danos por meio de consultoria e planejamento com as empresas da construção civil

Criar programas de gestão para os milhares de resíduos produzidos todos os dias na construção civil e, com isso, dar fim ao desperdício de matéria-prima e minimizar o impacto ambiental de entulhos na cidade. Com esse objetivo, a companhia paulistana Obra Limpa resolveu mudar seu foco de atuação há cerca de dois anos e meio, deixando de fazer apenas coleta de entulho e passando a ser uma consultoria de planejamento e projetos de gestão junto a construtoras.

A ação da Obra Limpa vem ao encontro de leis recentes, como a resolução 307 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), que determina a responsabilidade do construtor sobre os resíduos gerados nos canteiros de obras e aponta que, no caso de não aplicação das normas, um processo judicial pelo depósito irregular dos entulhos seja aberto. Atenta às novas resoluções, em março de 2002 a Obra Limpa passou a atuar em dez obras de nove construtoras na região metropolitana de São Paulo.

Segundo Elcio Dudushi Careli, diretor da empresa, os programas de gestão compreendem duas fases. A primeira visa separar todos os resíduos de acordo com a sua natureza, pois há uma grande variedade de materiais – gesso, concreto, madeira, plástico, tintas etc. Para isso, sua equipe faz um planejamento conjunto com a liderança da obra para adequar o canteiro a esse procedimento. A construção ganha diversos coletores, dispostos em locais acessíveis aos operários.

Treinamentos são ministrados para que os trabalhadores saibam a maneira correta de direcionar os resíduos. “Fazemos avaliações nas obras seguindo três critérios: limpeza, segregação dos resíduos e destinação dos mesmos. E damos notas para cada um deles”, explica o diretor. Na segunda fase, a Obra Limpa ajuda na destinação dos resíduos e identifica locais adequados para os entulhos que não foram processados na obra. A separação dos resíduos permite o reaproveitamento dos materiais ou sua reciclagem. Alguns são encaminhados para coleta seletiva e outros, como a madeira, por exemplo, enviados a empresas que a utilizam como fonte de energia em seus fornos.

O modelo do programa de gestão aplicado nas diversas construções varia apenas para se adequar às peculiaridades de cada canteiro de obra, principalmente porque os resíduos produzidos nas obras comerciais não são os mesmos que das residenciais. “Queremos construir um modelo que possa se reproduzir, ou seja, que as construtoras não precisem reinventar ao mudar de obra, só ajustar-se às particularidades de cada uma”, resume Careli.

O programa inclui um intenso monitoramento para que os procedimentos não onerem os custos.  “O que acontece é uma economia na compra de materiais, pois não tem tanto desperdício. Procuramos trabalhar de maneira cidadã, com um respeito maior pela matéria-prima”, aponta André Aranha Campos, diretor da Inmax Tecnologia de Construção, empresa que adotou o programa em duas obras na região do ABC Paulista. A construtora incorporou as novas ações aos seus procedimentos e criou documentos para o controle e avaliação dos processos. André acredita que a preocupação com os resíduos das construções terá um impacto maior quando mais empresas aderirem à ação. “Essa questão precisa ser mais valorizada, parece que ainda existe uma barreira”.

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