Obesidade e risco de câncer

Nós, assim como tantas outras nações, nos acostumamos a seguir as regras americanas de estilo de vida e estamos pagando altos preços quanto ao comprometimento da nossa saúde

Hoje em dia, somos as pessoas mais pesadas na história da espécie humana, com 2/3 da população ocidental, principalmente na América do Norte, oficialmente classificada como de sobrepeso; e 1 a cada 3 de nós já pode ser considerado obeso ou no caminho da obesidade. Muitos de nós, dia após dia, fornecemos aos nossos corpos uma carga exagerada de alimentos, principalmente industrializados, que contém número elevado de calorias sob forma de carboidratos e gordura. Essa quantidade é muito maior do que aquela que necessitamos e que nossos organismos são capazes de utilizar de forma apropriada. Cercados por tentações saborosas, mas que não contribuem para a construção de vidas saudáveis, caminhamos para nos tornarmos cada vez mais pesados.

Mais grave ainda é a constatação de que a obesidade atualmente afeta uma percentagem assustadora de crianças e adolescentes e já não é raro encontrar pacientes nessas idades tenras portadores de doenças relacionadas com excesso de peso, antigamente encontradas somente em adultos, tais como diabetes, artrites, pressão arterial elevada, pedras na vesícula e doenças cardiovasculares.

Somando-se às doenças crônicas conhecidamente relacionadas à obesidade, vários tipos de câncer também têm se mostrado mais frequentes quando as pessoas se tornam obesas. Recentemente, um artigo publicado na revista The Lancet Oncology demonstrou a inquietante situação de aumento de incidência de câncer entre obesos de qualquer faixa etária.

Os achados clínicos e laboratoriais são inquietantes quando nos referimos à obesidade, pois percebe-se que a batalha tem sido ganha pelos que se interessam em produzir alimentos excessivamente calóricos e com o incentivo ao sedentarismo visto em todas as classes sociais. A televisão e os videogames, acompanhados de petiscos de várias naturezas, estão completando um ciclo promotor de mudanças severas no corpo dos seres humanos e promovendo uma verdadeira pandemia de doenças degenerativas que acompanham a obesidade.

Obesidade é um problema de Saúde Pública nos países do ocidente, principalmente nos Estados Unidos. Nós, assim como tantas outras nações, nos acostumamos a seguir as regras americanas de estilo de vida e estamos pagando altos preços quanto ao comprometimento da nossa saúde.

A alimentação industrializada, repleta de conservantes químicos e agrotóxicos, também é praticamente isenta de nutrientes benéficos ao organismo e repleta de carboidratos e sal que nos levam “ladeira abaixo” no que diz respeito a qualidade de vida. Isso também faz parte do nosso mundo tóxico. Esses alimentos processados são, muitas das vezes, oferecidos aos filhos como forma de compensações e premiações, mas somos obrigados a saber o quão perigosos são para toda a humanidade. Mais assustador é quando tomamos conhecimento de pesquisas que garantem que a atual geração de jovens deverá ser a primeira na história da humanidade que deverá viver menos que seus pais.

A única maneira de se evitar essa catástrofe é manter-se informado e investir no estilo de vida saudável. Se isso não for levado a sério, teremos que nos lamentar, verdadeiramente.

*Sergio Vaisman é médico especialista em Cardiologia e Nutrologia, formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Atua em São Paulo na área de Medicina Preventiva e é professor de pós-graduação em “Bioquímica aplicada à medicina”, pela Universidade Fernando Pessoa, em Portugal, e professor visitante da Universidade de Estudos de Siena, na Itália.

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