Obesidade deve ser prevenida desde a primeira infância, dizem especialistas

Evento em São Paulo promoveu debates sobre as causas e consequências dessa doença

Alguns dos principais pesquisadores da área de nutrição e saúde infantil estiveram presentes no 1º Encontro de Especialistas em Obesidade, ocorrido em São Paulo no dia 1º de junho e promovido pelo International Life Science Institute Brasil (ILSI). Todos foram unânimes em afirmar que é preciso prevenir a obesidade desde os primeiros anos de vida.

Mudar hábitos alimentares não é uma tarefa fácil. O consumidor consciente de alimentos, porém, sabe que além de fazer bem à sua saúde, a adoção de uma dieta equilibrada e com menos produtos industrializados traz uma série de benefícios à sociedade: gera menos lixo – diminuindo o desperdício e o uso de embalagens – e reduz a incidência de doenças gástricas e cardiovasculares.

Segundo a professora Maria Arlete Escrivão, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a obesidade é uma doença crônica, que pode ter as seguintes conseqüências: prejuízos psicossociais, problemas ortopédicos, alterações dermatológicas, distúrbios respiratórios e aumento de triglicérides e colesterol, além de altos riscos de hipertensão, doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2.

As principais causas apontadas para o crescimento da obesidade em todo mundo, inclusive entre crianças, foi o sedentarismo associado aos maus hábitos alimentares. Os números mostrados pela professora Maria Arlete revelam que o índice de pessoas obesas ou com sobrepeso, entre a população adulta norte-americana, chega a 24%. Entre os adultos com mais de 50 anos, o diagnóstico é ainda pior, 60% encontram-se nessa situação.

Ana Beatriz Vasconcellos, da Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição (CGPAN), também apresentou números representativos do quanto a obesidade tem repercutido na saúde da população brasileira. Em 1930, cerca de 12% dos brasileiros morriam por causas relacionadas às doenças cardiovasculares; em 2003, esse índice já era de 30%.

O mesmo levantamento do CGPAN aponta também que 37% dos brasileiros são sedentários (ou seja, realizam menos de uma hora e meia de atividade física por semana) e que o consumo de frutas e verduras ainda é muito baixo. Apenas 3% da população consome a quantidade recomendada (veja tabela do Ministério da Saúde) desses alimentos diariamente, mesmo nas classes mais elevadas.

A escola é uma das organizações que mais têm condições de reverter esse processo porque pode atuar, junto com os pais, na formação de hábitos alimentares saudáveis desde o início da vida dos cidadãos.

A professora de nutrição Glória Valéria Veiga, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), concorda com a afirmação acima. Por isso, organizou a aplicação de uma pesquisa e de uma campanha em duas escolas públicas de Niterói-RJ. Apenas seis meses depois do início desse projeto-piloto, o número de crianças que freqüentavam fast-foods toda semana (incluindo barraquinhas de cachorro-quente) diminuiu de 15% para 11% e os que freqüentavam raramente subiu de 36% para 44%. Para Glória, seis meses é ainda um tempo curto para dizer se a campanha realmente está funcionando, mas esses números já podem ser um bom indício.

Segundo estudo realizado pelo Ministério da Saúde e divulgado no final de 2005 dentro do “Guia alimentar para a população brasileira”, 260 mil mortes por ano poderiam ser evitadas no Brasil se a população tivesse hábitos alimentares mais saudáveis. O Guia aponta ainda que as novas formas de alimentação não dão conta de suprir as necessidades nutricionais do corpo.

Se uma parte significativa da população está obesa, isso significa que ela está consumindo excessivamente e, conseqüentemente, está utilizando mais recursos naturais do que o necessário. O que implica que mais lixo está sendo gerado e mais energia e mais água estão sendo gastos.

Outras possíveis causas do consumo excessivo são de ordem psíquica e estão, muitas vezes, ligadas à insatisfação em relação ao mundo em que vivemos. Por isso, vale lembrar que consumir menos depende também de cultivar valores como solidariedade, ética e cidadania em detrimento de valores relacionados ao consumo.

O homem é parte harmônica do universo em que vive. Quanto mais ele se mantiver equilibrado, mais isso tende a refletir no meio em que vive e vice-versa.

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