Use o 13º salário para entrar em 2012 com as contas no azul

Renda extra é uma ótima oportunidade para começar o ano sem turbulências financeiras; planejamento é fundamental, dizem especialistas

 

Empresas e empregadores já pagaram a primeira parcela do décimo terceiro salário. A segunda parte deve chegar até 20 de dezembro. A renda extra é um forte atrativo para as compras do Natal, mas também uma ótima oportunidade para deixar as turbulências financeiras para trás e começar o novo ano com as contas em ordem. Juros do cartão, parcelas de empréstimos e prestações de financiamentos fazem parte da realidade financeira de boa parte dos brasileiros e são dívidas que, se possível, não devem ser transferidas para o novo ano.

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), o salário extra vai injetar cerca de R$ 118 bilhões na economia brasileira, montante que representa aproximadamente 3% do PIB do país. “Mas é preciso lembrar que, por outro lado, esse montante se reflete em uma curva considerável para cima no consumo de matérias-primas, insumos, energia, água, geração de esgotos industriais, produtos químicos, petróleo, transporte, embalagens e emissão de gases de efeito estufa”, alerta Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu.

Vale lembrar que hoje, a humanidade já consome e descarta 50% a mais do que o planeta consegue repor e absorver. “Por isso devemos consumir de maneira diferente, sem desperdícios, ampliando assim os impactos positivos que nosso consumo causa – em nós mesmos, na sociedade, no país e no planeta – e reduzindo os negativos”, explica Mattar. Clique aqui para saber mais sobre o consumo consciente.

Maioria vai quitar dívidas com o abono do Natal
De acordo com a consultoria Boa Vista Serviços, entre janeiro e outubro de 2011, o registro de consumidores com débitos em atraso aumentou em 22%  em relação ao mesmo período de 2010. “Se cada assalariado inadimplente usar o dinheiro do 13º salário para quitar débitos em atraso, sua escolha de consumo causará impactos positivos na nossa economia, já que, honrando compromissos financeiros, a sociedade contribui para a queda dos juros, a atração de novos investimentos e a geração de mais empregos”, destaca Mattar.

A boa notícia é que um levantamento recente feito pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) revelou que mais da metade dos brasileiros (60%) pretende usar o abono natalino para quitar dívidas, e 12% disseram que vão gastar o dinheiro pagando despesas típicas do início do ano, como IPVA, IPTU e matrículas escolares.

Especialistas em finanças pessoais, no entanto, alertam que antes de fazer os ajustes, é importante reunir todos os envolvidos pela renda, inclusive as crianças e juntos discutir sobre as prioridades e as possibilidades mediante a situação financeira da família. “Só sabe quanto pode gastar, sem ficar no vermelho, quem sabe exatamente quanto entra e quanto sai do bolso mensalmente. Por isso, é fundamental definir quanto e com o que se pode gastar”, explica o economista Reinaldo Domingos, consultor financeiro.

“O ideal é evitar ao máximo comprometer mais do que 30% da renda com financiamentos”, recomenda a Cartilha do Consumidor, elaborada pela Serasa para orientar os brasileiros a ter gastos financeiros compatíveis com a renda no médio e longo prazos, por meio do controle de gastos, da criação de um fundo de emergência da família entre outros.

Clique aqui para ver o passo a passo de como fazer o orçamento familiar. Para ajudar, o Akatu também fornece uma planilha para controlar os principais gastos domésticos.

Veja abaixo, algumas medidas para ajudar a quitar dívidas e reequilibrar as finanças:

Cheque especial: mantém uma das mais altas taxas médias de juros praticadas no mundo. Procure seu gerente de conta e proponha uma renegociação dessa linha de crédito. Proponha troca por uma linha de crédito com juros mensais mais baixos;

Cartão de crédito: busque negociação com operadora do cartão ou banco. Proponha um parcelamento com juros bem mais baixos e prestações que caibam no orçamento financeiro mensal. Outra estratégia é buscar crédito com taxas mais baixas e quitar a dívida com o cartão. Mas atenção: não resolve trocar um credor por outro, é preciso resolver e atacar a verdadeira causa do desequilíbrio financeiro.

Compras, presentes e viagens: Planeje-se antes ir às compras. Aplique “Oito R´s” do consumo consciente:

1. Refletir: Lembre-se de que qualquer ato de consumo causa impactos do consumo na sua vida, na sociedade, no país e no planeta. Procure potencializar os impactos positivos e minimizar os negativos;
2. Reduzir: Exagere no carinho e no amor, mas evite desperdícios de produtos, serviços, água e energia;
3. Reutilizar: Use até o fim, não compre novo por impulso. Invente, inove, use de outra maneira. Talvez vire brinquedo, talvez um enfeite, talvez um adereço…
4. Reciclar: Mais de 800 mil famílias vivem da reciclagem hoje no Brasil. Quer fazer o bem? Separe em casa o lixo sujo do limpo. Só descarte na coleta comum o sujo. Entregue o limpo na reciclagem ou para o catador.
5. Respeitar: Você mesmo, o seu trabalho, as pessoas e o meio ambiente. As palavras mágicas sempre funcionam: “por favor” e “obrigado”.
6. Reparar: Quebrou? Conserte. Brigou? Peça desculpas e também desculpe.
7. Responsabilizar-se: Por você, pelos impactos bons e ruins de seus atos, pelas pessoas, por sua cidade.
8. Repassar: As informações que você tiver e que ajudam na prática do consumo consciente. Retuite, reenvie e-mails.

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