O chocolate vai acabar?

Especialista da Universidade de Sydney aponta que em 10 anos o chocolate poderá se tornar item escasso nos mercados

O aumento do consumo mundial de chocolate, com um crescimento de 2% a 3% ao ano, combinado com possíveis instabilidades ambientais e sociais nas principais áreas produtoras de cacau, principal matéria-prima desse alimento, desponta como um problema no cenário da disponibilidade do produto no futuro.

Em sua fala intitulada a “A Crise do Chocolate” (The Chocolate Crisis), realizada em abril deste ano na Universidade de Sydney, o professor David Guest, especialista em agricultura da Faculdade de Agricultura e Meio Ambiente da Universidade de Sydney, alertou para os riscos que a oferta de chocolate no mundo pode sofrer dentro de um período relativamente curto.

Segundo ele, com o crescimento do consumo mundial de cacau, principalmente nas economias asiáticas e nos países em desenvolvimento, a demanda pelo produto aumentou. Dados da ICCO (International Cocoa Organization) revelam que em 2004 o consumo anual per capita de cacau no Brasil era em torno de 480g. Em 2009, atingiu 830g.

Hoje, segundo o professor, a produção mundial de cacau gira em torno de 3,6 milhões de toneladas. Para atender à procura futura, a produção terá que se expandir em um milhão de toneladas a mais por ano até 2020, um panorama incompatível com a situação da produção de cacau hoje no mundo, defende Guest.

Essa incompatibilidade é baseada em pesquisas que salientam a instabilidade das áreas em que predomina atualmente o cultivo de cacau no mundo: oeste da África, América do Sul e o sudeste da Ásia. Os impactos negativos das mudanças climáticas, a incidência de pragas e o agravamento de problemas políticos e sociais, segundo Guest, influenciam na quantidade e na qualidade da produção do fruto. Para ele, esses problemas podem ser contornados com a inclusão de tecnologia no processo de cultivo e com o melhor manejo das plantações.

O pesquisador indica ainda que a adoção de práticas de produção mais sustentáveis, e social e economicamente mais rentáveis para os pequenos produtores – responsáveis por 90% da produção mundial de cacau – são parte do processo de melhoria das condições de produção do fruto. Para Guest, essa seria uma forma de se evitar que o chocolate venha a se tornar um item raro no mercado para as próximas gerações.

Através do estudo, é possível visualizar como a expansão do consumo mundial de chocolate tem impacto direto sobre a oferta do alimento. A questão, somada à fragilidade da capacidade produtiva de nossos recursos naturais em situações de desequilíbrio – seja ela de ordem natural ou humana – chama a atenção para a possibilidade real de escassez do suprimento de itens alimentícios em um futuro próximo.

 

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