Número de cheques devolvidos cresce em todo o Brasil

O consumidor consciente planeja seu orçamento e sabe que quanto maior a inadimplência, maior é a conta que todos nós temos que pagar

O número de cheques devolvidos em 2006 cresceu, em todo o Brasil. Para cada mil cheques compensados, 20,7 não tinham fundos. Isso representa uma alta de 9,5% sobre a média registrada em 2005, de 18,9 cheques devolvidos para cada mil, conforme levantamento recente da Serasa.

Entre janeiro e dezembro de 2006 foram devolvidos 35,5 milhões de cheques no País, dentre 1,7 bilhão de compensados. No acumulado de 2005, foram 36,7 milhões de devoluções, em um universo de 1,94 bilhão de documentos compensados. No ranking dos estados elaborado pela Serasa, maior empresa do Brasil em pesquisas, informações e análises econômico-financeiras, São Paulo apresenta o menor volume de cheques devolvidos a cada mil compensados e Roraima é o estado com o maior índice no mês.

Os analistas da Serasa observam ainda que o cheque perdeu espaço para outros meios de pagamento. Em 2006 os consumidores emitiram 240 mil cheques a menos que em 2005. Apesar disto, cresceu a devolução porque, segundo ainda a Serasa, a maior facilidade e a concessão inadequada de crédito foram responsáveis pelo acúmulo de dívidas por parte da população.

Em geral, os pequenos varejistas aceitam receber cheques pré-datados porque assim podem conceder crédito sem a necessidade de pagar taxas às operadoras de cartões de crédito. No entanto, a inadimplência crescente gera uma maior desconfiança no mercado, tornando mais difícil para o consumidor comprar a prazo. Outra conseqüência é o aumento da taxa de juros, pelos bancos, agências de crédito e comerciantes, de modo a compensar a possível inadimplência. Com os juros maiores, todos pagam mais do que precisariam se houvesse maior confiança de recebimento pelo mercado.

Adotar o hábito de fazer um orçamento doméstico consciente é uma boa medida para evitar inadimplência. O orçamento consciente inclui o dinheiro que entra e sai do caixa, como um orçamento comum. Mas, antes disso, propõe que o consumidor faça uma reflexão sobre suas reais necessidades e possibilidades em termos de consumo, buscando rever o seu estilo de vida e estabelecer metas financeiras compatíveis com seus rendimentos. Acionalmente, no orçamento consciente, o consumidor busca analisar, em cada um dos itens de seu consumo, a forma de maximizar os impactos positivos de suas ações de consumo sobre o meio ambiente, a sociedade, a economia e sobre ele próprio.

O consumidor consciente passa a se guiar pelo estilo de vida que quer e pode levar, não apenas com base em seus próprios recursos, mas também com base nos recursos da sociedade e do meio ambiente. Como conseqüência, busca equilibrar suas necessidades com as possibilidades de levar o estilo de vida escolhido, seja do ponto de vista individual, seja do ponto de vista coletivo. Essa atitude, naturalmente, exige disciplina para que esta forma de ordenar os gastos se torne um hábito.

Agindo dessa forma, o consumidor receberá como retorno o equilíbrio de suas contas, ao mesmo tempo que toda a sociedade, o meio ambiente e a economia também ganham.
Este processo pode incluir também a escolha de empresas que adotam práticas de responsabilidade socioambiental. Sempre que se  investe numa empresa com esta conduta, se está alimentando o ciclo dos bons investimentos.

Este processo pode ser apoiado pela Série Temática Consumo Consciente do Dinheiro e do Crédito, lançada em 2006 pelo Akatu, com um conjunto de quatro publicações que tratam da educação financeira associada ao consumo consciente. A coleção mostra como é possível atender aos interesses econômicos e objetivos individuais e também contribuir para a sustentabilidade planetária.

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