Novo estilo de vida ajuda a reduzir o impacto no clima e no bem-estar da população

As áreas urbanas podem ser parte do problema ou da solução das Mudanças Climáticas – vai depender das escolhas dos gestores públicos, do setor privado e dos cidadãos

 

Ao escolher seus candidatos a prefeito e a vereador, os eleitores brasileiros geralmente levam em consideração algumas pautas tradicionais como educação, saúde, segurança e transporte público. Nem sempre a sustentabilidade entra em discussão, mas a verdade é que, no cenário das Mudanças Climáticas, as decisões relacionadas ao tema têm um forte impacto na qualidade de vida das pessoas que vivem nas cidades.

As zonas urbanas respondem hoje por pelo menos 40% das emissões globais de gases de efeito estufa, que causam as mudanças no clima – resultado da concentração desses gases na atmosfera, segundo o C40, grupo de líderes das grandes cidades do mundo que discute e implementa medidas contra as mudanças climáticas. A alta concentração de pessoas e o aumento da demanda por recursos, sob gestões nem sempre eficientes, tornam as cidades as principais fontes de poluição e resíduos – pelo grande número de carros circulando e pelo desperdício e descarte inadequado de lixo, por exemplo.

Atualmente, 54% da população mundial vive em zonas urbanas, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2050, os habitantes urbanos podem chegar a 66% da população do mundo. O rápido crescimento populacional nas cidades impôs desafios aos gestores públicos e mudou o padrão de consumo e os anseios dos habitantes dessas regiões. Questões de habitação, saneamento, transporte, saúde e educação ainda hoje são complexas. Num cenário de mudanças do clima, as cidades podem ser parte do problema ou da solução, a depender das escolhas dos gestores públicos, do setor privado e dos cidadãos.

Também é nas cidades que os efeitos das mudanças do clima podem ser mais graves. O aumento do nível do mar, a intensidade do calor, tempestades e secas, por exemplo, afetam a economia e a qualidade de vida nas zonas urbanas. E isso não depende só de condições naturais da região onde a cidade se encontra, mas principalmente de sua infraestrutura e do modo de vida de seus habitantes – determinados pelas políticas públicas, investimentos e pelas escolhas individuais.

Mas, felizmente, também é nas cidades que está boa parte das oportunidades de adaptação aos efeitos já irreversíveis da mudança do clima. Cidades sustentáveis, que valorizam as áreas verdes, têm boa gestão dos recursos hídricos, boas condições de saneamento, mobilidade eficiente e educação e saúde de qualidade não só reduzem as emissões de carbono como podem passar com mais tranquilidade pelos chamados eventos climáticos extremos – seca duradoura ou uma tempestade, por exemplo. Ou seja, uma administração eficiente é boa para o clima.

Por isso é importante escolher gestores e legisladores que se preocupam com esse tema, discutindo a mobilidade (e não se trata só de transporte público, mas da qualidade das calçadas e ciclovias, por exemplo), a criação de parques, a redução do desperdício, o uso coletivo de espaços públicos, a educação ambiental, etc. Ao mesmo tempo, as cidades sustentáveis podem gerar empregos e estimular oportunidades econômicas mais ambientalmente responsáveis, como a compra de produtos sustentáveis, estímulo aos agricultores locais, estímulo a transporte não motorizado e geração de energia renovável local.

O que o cidadão pode fazer para evitar os impactos da vida urbana no clima?

Boa parte das soluções está nas mãos dos cidadãos. Além de escolher governantes e representantes que levem em consideração as novas necessidades urbanas na tomada de decisões, algumas medidas no dia a dia podem reduzir a sua pegada de carbono na cidade – ou seja, a quantidade de carbono que você emite em sua rotina.

• Uma das principais escolhas é o meio de transporte. De acordo com o Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima, o transporte individual é responsável por cerca de 4,3% do total de emissões no Brasil. Apenas 1,7% vem do transporte coletivo e 6,7%, do transporte de cargas. Use o transporte público sempre que possível. Se o uso de veículo individual for imprescindível, abasteça com combustível mais limpo, como o etanol. Faça trechos curtos a pé ou de bicicleta – é bom para o meio ambiente, para diminuir o trânsito e também para a saúde.

• Valorize o consumo de produtos locais. Trazer produtos de muito longe contribui para o aumento das emissões no transporte de carga. Procure saber de onde vem o que você consome, preferindo a produção mais sustentável e ambientalmente responsável.

• Tenha uma dieta variada, substituindo os alimentos com maior pegada de carbono na produção, como a carne bovina, que gera gases de efeito estufa a partir do pasto degradado e do processo digestivo dos animais, que geram metano (CH4, gás potencial de aquecimento maior que o gás carbônico – CO2).

• Também é importante evitar o desperdício de alimentos e descarte de objetos reaproveitáveis, além de cobrar dos gestores públicos a destinação correta do lixo. Os resíduos são uma das fontes de emissões de gases de efeito estufa.

• Use a eletricidade de forma consciente, em especial se usinas de geração térmica estiverem ligadas. Além de mais caras para o consumidor final, a queima de combustíveis para a geração de energia é mais poluente. Veja outras dicas para o uso mais responsável de energia.

• Plante árvores e cultive jardins e hortas urbanas. Se não houver espaço no chão, os jardins verticais são uma boa opção e mudam a paisagem “cinza”. As hortas urbanas comunitárias são cada vez mais comuns, proporcionando aos moradores de cidades alimentos e temperos fresquinhos, livres de pesticidas.

• Antes de impermeabilizar uma área, pense na possibilidade de adotar pavimentos permeáveis, que permitem drenar a água da chuva e, em alguns casos, possibilitam que plantas cresçam entre os espaços de concreto. Além da beleza, áreas verdes são boas reguladoras do clima e evitam a impermeabilização do solo, que ocorre com a cobertura por concreto e construções. Sem uma absorção adequada pelo solo, chuvas intensas ou prolongadas agravam enchentes e enxurradas.

 

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