Nova rede de empresas pretende popularizar prática de análise de ciclo de vida de produtos no Brasil

Articulação entre empresas e entidades, lançada pela Braskem em parceria com o Akatu e a Associação Brasileira de Ciclo de Vida, deseja levar o consumidor a fazer escolhas mais sustentáveis

Sabendo da relevância da análise do ciclo de vida de produtos e serviços para a tomada de decisões pelas empresas e pelos consumidores, um grupo de companhias e entidades se reuniu voluntariamente para formar a Rede Empresarial Brasileira de Análise de Ciclo de Vida. A proposta de criação da Rede foi lançada em 6 de setembro durante o III Congresso de Gestão de Ciclo de Vida, realizado em Maringá (PR).

Articulado pela Braskem, em parceria com o Instituto Akatu e a Associação Brasileira de Ciclo de Vida (ABCV), o grupo de empresas pretende debater o tema e estabelecer ações comuns para promover e popularizar a prática de análise de ciclo de vida (ACV) de produtos e serviços no mercado brasileiro. A missão da rede é disseminar o conceito de ACV como determinante na avaliação socioambiental de produtos e serviços, mobilizando as empresas, educando o consumidor e incentivando a elaboração de políticas públicas. Danone, Embraer, GE, Natura, Odebrecht e Tetra Pak* já aderiram à iniciativa. A Rede está aberta a todas as empresas interessadas em debater o assunto e inclui-lo na estratégia dos seus negócios.

Por que isso é importante para o consumidor?
Muitas vezes acreditamos que um produto é mais sustentável que outro. Nem sempre isso é verdade. A ACV nos permite, entre outras coisas, ter acesso a informações sobre os impactos socioambientais “do berço ao túmulo” dos itens de consumo. Isso significa levar em conta desde os impactos da extração das matérias-primas usadas em um produto, passando pelos de sua manufatura, transporte, uso, e descarte. Para sair do senso comum e realmente fazer diferença pelas nossas escolhas de consumo é preciso saber os impactos socioambientais de todas as “fases da vida” de cada produto consumido, envolvendo desde um shampoo, um carro, os materiais de construção, as lâmpadas e os alimentos que consumimos. Só assim podemos optar por itens de menor impacto negativo para o planeta e para nossa sociedade.

O Akatu, como parceiro da Rede Empresarial Brasileira de Análise de Ciclo de Vida, divulgará para o consumidor a importância de se levar em conta a ACV dos produtos na hora de fazer escolhas de compra, uso e descarte. A articulação da rede fortalece o Programa Brasileiro de Avaliação do Ciclo de Vida (PBACV), desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Saiba mais: o que é análise de ciclo de vida?
Análise do ciclo de vida (ACV) é uma ferramenta que permite a quantificação das emissões ambientais ou a análise do impacto ambiental de um produto, sistema ou processo. Essa análise é feita sobre toda a “vida” do produto ou processo, desde o início (por exemplo, desde a extração das matérias-primas, no caso de um produto) até o final de sua vida (quando o produto deixa de ter uso e é descartado como resíduo), passando por todas as etapas intermediárias (manufatura, transporte, uso). Por essa razão, esta análise é também chamada de “análise do berço à cova”.

É possível ainda considerar aspectos econômicos e sociais nessa conta, permitindo uma análise mais ampla dos produtos e processos.

A Fundação Espaço Eco aplica no Brasil metodologias que consideram esses dois aspectos. A Análise de Ecoeficiência é uma ferramenta de gestão que compara produtos e processos, considerando aspectos ambientais, de acordo com a norma NBR ISO14040 – Avaliação de Ciclo de Vida, como uso da terra, consumo de energia e recursos naturais e emissões, agregando ainda potencial de toxicidade e riscos. Também são avaliados, com os mesmos pesos atribuídos aos aspectos ambientais, os aspectos econômicos como preço, investimentos, manutenção de equipamentos, entre outros.

A Análise de Socioecoeficiência (SEEbalance®) também disseminada pela Fundação é uma ferramenta mais abrangente para mensuração da sustentabilidade de um produto ou processo, pois considera – além dos aspectos ambientais e econômicos já previstos pela análise de ecoeficiência – os aspectos sociais ao longo de todo o ciclo de vida das alternativas avaliadas. Dentre os indicadores de desenvolvimento social abordados estão salários e remunerações, treinamento profissional, investimentos em gerações futuras, igualdade de gênero, importações de países em desenvolvimento, acidentes de trabalho e doenças ocupacionais, potencial de toxicidade para colaboradores e consumidores, entre outros.

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* lista atualizada em 01/07/2013

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