Nova plataforma digital do IBGE traz dados sobre o uso da terra em cada quilômetro do Brasil

Entre 2000 e 2014, cerca de 13% do território nacional sofreu algum tipo de mudança de uso da terra, como a ampliação de áreas urbanas e o desmatamento de florestas

Amazônia. Crédito: Creative commons/ Ana Cotta

 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou em dezembro uma ferramenta que permite o acompanhamento das mudanças na cobertura vegetal e na ocupação de atividades agropecuárias em todo o país. Há dados disponíveis para os anos de 2000, 2010, 2012 e 2014.

A plataforma digital traz informações cartográficas sobre cada um dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados (km²) do território brasileiro. É alimentada com dados do Monitoramento de Cobertura e Uso da Terra, informações obtidas por satélites e levantamentos de campo, entre outras fontes.

O mapeamento mostra que, entre 2000 e 2014, cerca de 13% do território nacional sofreu algum tipo de mudança de uso da terra, o que pode envolver da ampliação de áreas urbanas ao desmatamento de florestas para atividades pecuárias. Isso representa mais de 1,1 milhão de km².

A plataforma aponta que as áreas agrícolas apresentaram uma expansão de 37% entre os anos 2000 e 2014. Em um período de apenas dois anos (2010-2012), houve um aumento de 8,5%. Nos primeiros dez anos do levantamento (2000-2010), a ampliação da área agrícola havia sido de 21%.

Segundo os dados do IBGE, as pastagens com manejo também apresentaram significativos índices de expansão, superiores a 53% entre os anos de 2000 e 2014, sendo que a maior parte deste avanço ocorreu no período 2000 a 2012. Essa atividade foi uma das grandes responsáveis pela mudança de uso da terra ao redor do bioma amazônico. É possível visualizar recortes por estado. No Pará, por exemplo, a área dedicada à pastagem com manejo subiu de 6,37% do território em 2000 para 13,88% em 2014.

O levantamento ainda destaca as áreas dedicadas à silvicultura (florestas plantadas), que cresceram quase 55% ao longo dos 14 anos.

A plataforma do IBGE é uma preciosa ferramenta para monitorar as mudanças no uso e na ocupação da terra, umas das principais causas das mudanças climáticas no Brasil, que ameaça o bem-estar das pessoas e do meio ambiente. O relatório da 5ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório Clima, mostra dados alarmantes sobre a produção de gases GEE gerada pela utilização do solo. Segundo a pesquisa, em 2016, o setor de mudança do uso da terra – que inclui desmatamentos, como o da Amazônia – teve um aumento de 23% nas emissões, correspondendo a 51% do total dos 2,277 bilhões de toneladas de C02 lançadas no ar em todo o Brasil. E dentre as atividades econômicas que mais emitiram GEE está a agropecuária, que responde por 22% do total. O relatório ainda revela que, entre 1990 e 2016, o setor de uso da terra no país emitiu mais de 50 bilhões de toneladas de CO2, o equivalente a um ano de emissões mundiais.

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