Nova embalagem da Tetra Pak evita “efeito glub”

Nas caixas longa vida tradicionais, as bebidas geralmente transbordam ao servir o líquido quando a embalagem ainda está cheia

Não é irritante aquela “espirrada” que o leite e o suco dão logo que se abre a caixa longa vida e é servida a primeira porção? Parece que uma pequena quantidade do líquido insiste em bater na borda da caixa e cair na mesa, na cadeira, no chão, menos no copo.

Os técnicos da indústria chamam de “efeito glub” esse primeiro jato que sai com mais força da caixa por causa da pressão do líquido.

E no final? As caixas com tampinha também teimam em reter lá dentro parte do líquido que não sai nem virando e chacoalhando ao mesmo tempo.

Paranoias de consumidor à parte, esse glub inicial e o líquido não consumido no finalzinho significam desperdício – de suco, de leite, de iogurte, do dinheiro do consumidor e também de todos os recursos naturais empregados na cadeia produtiva desses alimentos. Até o gás carbônico, que leva ao aquecimento global e é emitido pelos caminhões durante os transporte do produto, será totalmente em vão, já que aquela parcela da bebida restará perdida.

Para combater essa perda de produto – e de água, energia e recursos naturais desde o início da cadeia lá na agropecuária –, a multinacional Tetra Pak lançou uma nova embalagem com tampa de rosca com boca maior e a superfície superior inclinada. O novo design foi desenvolvido especificamente com o objetivo de evitar o desperdício no consumo em casa: a abertura da boca foi aumentada para reduzir a pressão do jato do líquido e evitar perdas na hora de servir – é o fim do efeito glub. E a inclinação permite o consumo até a última gota, já que libera o famoso “restinho”, muitas vezes difícil de tirar das embalagens tradicionais, em formato de paralelepípedo.

No Brasil, a Batavo – da Brasil Foods (BRF) – já faz uso da nova caixinha, com produtos já nos supermercados.

Tetra Pak e Brasil Foods não têm ainda um levantamento do desperdício evitado, mas a FAO (agência da ONU para alimentação e agricultura) divulgou neste ano pesquisa mundial que aponta que, em média, um terço da produção mundial de alimentos é desperdiçada.

No Brasil, pesquisa do Akatu indica a mesma proporção de perdas no consumo para os alimentos perecíveis.

Em enquete realizada entre os internautas do portal do Akatu, no final de outubro, o leite apareceu entre os alimentos mais desperdiçados. Pesquisa sobre a percepção do consumidor, também realizada pelo Akatu, em 2010, confirma que, entre as iniciativas que o consumidor mais valoriza nas empresas, estão as que melhoram a sua saúde e de sua família e as que trazem ganhos ambientais.

“Essas inovações que acompanhamos em diversos setores só comprovam a força do consumidor. Para atender seus anseios e também para melhorar a ecoeficiência dos produtos e serviços, o setor produtivo tende a apresentar novidades numa velocidade cada vez maior”, analisa Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu.

“Penso que cabe ao consumidor consciente demandar mais e mais inovações que melhorem seu dia a dia e reduzam desperdícios e ainda valorizar o que o mercado já oferece. Por dois motivos básicos. Primeiro, barateamento: quando aumentamos a escala de produção de um produto, fatalmente os preços caem e tornam-se mais acessíveis; segundo, efeito indução: quanto mais consumidores compram produtos inovadores, mais empresas – de olho no mercado – migram para as novidades mais sustentáveis e abandonam velhos processos”, conclui Mattar.

As empresas não divulgaram valores relativos às mudanças nas embalagens.

 

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