Nova certificação brasileira avalia se imóvel economiza energia

Consumidores poderão considerar a eficiência energética de prédios, casas e apartamentos na hora da compra

A partir de agora, a exemplo do que já existe para os eletrodomésticos, consumidores de todo o Brasil poderão considerar mais um critério na hora de comprar um imóvel: a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia para residências, condomínios e suas áreas comuns. O certificado, que garante a eficiência energética de imóveis, foi lançado na segunda-feira (29/11) pela Eletrobrás e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), em São Paulo.

A certificação, que não é obrigatória, foi concebida dentro do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) e prevê que moradores de prédios com a etiqueta de eficiência energética possam reduzir de 30% a 40% a conta de luz no fim do mês.

Segundo Solange Nogueira, gerente da Divisão de Eficiência Energética em Edificações da Eletrobras, a avaliação das edificações residenciais considera aspetos do edifício que representam consumo significativo de energia elétrica. “Avaliamos, principalmente, o desempenho térmico de fachadas e coberturas, com ênfase na iluminação e ventilação naturais e a eficiência do sistema de aquecimento da água, sempre considerando as diversas estações do ano”, explica.

Para cada um dos pré-requisitos é dada uma classificação, que vai de “A” a “E”, dependendo dos níveis de eficiência energética verificados. A média ponderada das categorias determina a nota final do prédio, que tem a mesma variação.

No caso de edifícios com várias residências, cada unidade de apartamento terá etiqueta individual correspondente ao seu nível de eficiência energética e o prédio como um todo receberá sua própria etiqueta com o número de unidades por estágio de eficiência e com a mesma variação. Também serão avaliadas e receberão etiqueta as áreas de uso comum dos prédios.

“Com base em outros produtos, a população já entende a etiquetagem, e as empresas da construção civil certamente vão querer obtê-la como um diferencial”, diz Ubirajara Rocha Meira, diretor de Tecnologia da Eletrobras.

“Levando em consideração que o imóvel é, geralmente, o produto mais caro e mais duradouro que se adquire, o consumidor não deve se importar apenas com o custo da aquisição, mas com a economia obtida durante a vida útil da casa”, afirma Marcelo Takaoka, presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS).

Segundo a Eletrobrás, no Brasil, as edificações respondem por 45% do consumo nacional de energia elétrica, sendo as residências responsáveis por 22% desse total.

A economia, que pode ser obtida a partir da redução do consumo – com imóveis planejados, construídos ou reformados de forma eficiente –, significa mais disponibilidade de energia para o crescimento rápido do país.

Como adquirir a etiqueta
Por enquanto, o único órgão que emite a certificação no Brasil é o Laboratório de Eficiência Energética da Universidade Federal de Santa Catarina (LabEEE), que teve o projeto piloto para desenvolvimento da tecnologia de avaliação financiado pela Eletrobras. O Inmetro deve credenciar novos laboratórios de medição.

O custo da certificação está sendo calculado pela Federal de Santa Catarina. O laboratório pode atender em qualquer lugar do Brasil, mas as construtoras que quiserem o selo deverão arcar com os custos da certificação e da logística de transporte dos técnicos.

De acordo com o engenheiro Roberto Lamberts, supervisor do LabEEE, prédios já construídos e aqueles que passarem por reformas também podem solicitar a etiqueta.  Os pedidos podem ser feitos por pessoas físicas ou jurídicas.

“O projeto tem foco em prédios novos, mas nada impede que moradias já construídas ou aquelas que passaram por reformas visando atender às exigências da etiqueta possam solicitá-la. A ideia é que o Inmetro licencie mais laboratórios pelo país para facilitar a o processo e massificar a etiqueta”, explica.

Metodologia
A metodologia de avaliação foi definida a partir de 150 mil simulações feitas para os diferentes climas brasileiros. Os critérios são diferentes para as oito regiões bioclimáticas do país.

“A etiquetagem está constituída de três índices, que avaliam o nível de eficiência do imóvel no verão, no inverno e o aquecimento de água nas diferentes estações do ano”, explica. Há também um índice para avaliar o desempenho da edificação quando refrigerada artificialmente.

Serviço:

Laboratório de Eficiência Energética da Universidade Federal de Santa Catarina (LabEEE)

Contatos: e-mail energia@labeee.ufsc.br

Telefones: (0xx48) 3721-5184 e 3721-5185.

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