Mais do que um dia na praia, experiências para toda a vida

Turismo sustentável proporciona lazer com consciência e respeito ao meio ambiente e às pessoas visitadas

“Muita gente imagina que turismo sustentável é coisa para mochileiros. Mas, descansar em uma boa rede, apreciando uma vista incrível depois de comer a comida mais gostosa da região, é um luxo que este estilo de turismo proporciona”, conta Maria Teresa Junqueira Meinberg sobre o novo jeito que os brasileiros estão descobrindo para aproveitar as férias. Ela é uma das fundadoras da operadora de viagens Turismo Consciente, especializada em destinos pouco conhecidos e explorados no Brasil, principalmente na Amazônia.

Viver esse tipo de experiência é uma tendência do turismo mundial, de acordo com o World Travel Trends, um estudo realizado anualmente sobre o setor de viagens e turismo. O estudo de 2007 destacava o surgimento de um novo perfil de viajante: em vez de ficar deitado numa praia, esse turista prefere praticar atividades culturais ou esportivas. Em suas viagens, ele busca hospitalidade, autenticidade, tradição e quer ter contato com a natureza, sempre preocupado com a sustentabilidade. No estudo divulgado em 2008, a previsão é de que essa tendência continuará nos próximos anos, apesar da crise econômica.

No Brasil, o turismo sustentável vem se desenvolvendo graças à procura cada vez maior de pessoas que querem visitar lugares bonitos com menor infra-estrutura, mas de grande valor sociocultural. A Amazônia é considerada uma região de destino privilegiada por oferecer ainda muitos lugares naturais desconhecidos, e onde as comunidades estão sensíveis à atividade turística solidária. Não por acaso, as primeiras ações do Proecotur (Programa de Apoio ao Ecoturismo e à Sustentabilidade Ambiental do Turismo), do Ministério do Meio Ambiente, foram nessa região. Com apoio do Ministério do Turismo, o Proecotur Amazônia estrutura o ecoturismo gerando oportunidades de negócio, conciliando o desenvolvimento econômico e social com o respeito ao meio ambiente.

A preparação dos roteiros é um ponto fundamental neste tipo de  turismo – que também  é chamado de turismo de base comunitária, pois agrega comunidades inteiras nas diversas fases do negócio. Inclui a participação dos moradores das comunidades de destino, desde o plano de negócios até a prestação de contas. Na essência desta atividade está o respeito ao patrimônio artístico, arqueológico, ambiental e cultural.

Segundo um princípio básico do turismo consciente, não apenas a população local é protagonista, mas também o turista é um ator fundamental. A atividade turística consciente proporciona ao viajante um aprendizado especial: ao ser recebido pelas comunidades especialmente preparadas, o visitante se beneficia da vivência, dos costumes e das tradições de seus moradores.

Essa é a experiência de quem viaja à Vila do Pesqueiro, na Ilha de Marajó, no Pará, o primeiro roteiro construído pela Turismo Consciente. A rota confirmou que as atitudes do turista têm mesmo grandes impactos ambientais e culturais — e não apenas negativos. “Mostramos aos moradores do vilarejo de pescadores que o turismo poderia ser uma fonte de renda para eles e suas famílias. Assim, eles não precisariam mais tirar seus filhos da escola para que complementassem a renda da casa. Além disso, as crianças têm hoje uma perspectiva de trabalho, guiando turistas que querem viver experiências diferentes, imersos em diferentes costumes e tradições”, explica Maria Teresa Meinberg.

O dinheiro que o turista gasta nas comunidades, entretanto, pode ter efeitos inesperados, levando, por exemplo, à desvalorização de hábitos tradicionais.  Alguns costumes, como a troca de mercadorias para suprir as necessidades cotidianas dos moradores, acaba caindo em desuso pela existência de dinheiro circulando na comunidade. Alguns produtos podem ter seu valor inflacionado, ou produtos industrializados podem começar a cair no gosto das comunidades. O turismo consciente tenta limitar esse processo predatório, transformando o turista em um parceiro dos moradores locais.

Realizar viagens que envolvam estes princípios e práticas é o trabalho da empresa Estação Gabiraba, uma operadora de turismo de Belém. Em conjunto com as comunidades locais, a Estação Gabiraba procura estabelecer um modelo alternativo de turismo que gere renda para as comunidades locais, mas sempre valorizando as suas tradições.

Baseado nesse modelo, a criação do roteiro solidário “Trilha das Flores” por essa empresa ajudou a organizar o Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém – uma ação que fortaleceu as moradoras da região e trouxe o desenvolvimento social e econômico à Baía de Marajó, no município de Belém. Ali ficam 43 ilhas com 20 quilômetros de praias de água doce, hoje desfrutados de maneira consciente, ou seja, com respeito e apoio mútuo entre nativos e visitantes.

Mas, não é só na região amazônica que este turismo se desenvolve. Um exemplo da aplicação dos princípios sociais, ambientais e econômicos de sustentabilidade no turismo acontece no município de São Lourenço da Serra, cidade que fica a menos de 50 quilômetros de São Paulo. Ali, o turismo de base comunitária concilia, desde 2007, a conservação ambiental, a geração de renda e o desenvolvimento local. A experiência é relevante, pois se beneficia de uma área natural estratégica: a região abriga quase 18% do remanescente nacional da Floresta Atlântica e é um ponto de encontro das águas das bacias do Vale do Ribeira e do Alto Tietê.

Se você estiver planejando suas próximas férias, que tal pensar em viver as  experiências proporcionadas pelo contato com a cultura e a hospitalidade das  comunidades  tradicionais por todo o país? E mais: você pode sempre reforçar os impactos positivos e minimizar os impactos negativos da sua viagem com atitudes simples como as que seguem abaixo:

  • Viaje leve
    Ao viajar com pouca bagagem, você poderá mais facilmente deslocar-se em veículos pequenos, utilizar ônibus e trens, andar de bicicleta ou a pé. Além da economia de combustível e do menor impacto ambiental, você poderá ter um convívio mais estreito com o povo e com os costumes locais.
  • Racionalize o consumo de água e energia
    Nos hotéis, reutilize as toalhas e roupas de cama, dispensando a troca diária. Apague as luzes e desligue o ar condicionado e outros aparelhos elétricos antes de sair do quarto. Não use sabão ou detergente quando usar fontes naturais de água.
  • Siga as trilhas e cuidado com o lixo
    Nos passeios, circule apenas em locais permitidos à visitação. Jogue o lixo exclusivamente em locais apropriados e pratique a coleta seletiva quando houver esta alternativa. Deixe os locais como você os encontrou: leve apenas fotos e boas recordações.
  • Prefira alimentos e artigos locais, chame guias nativos
    Pratos típicos, artesanato local e todo tipo de artigos produzidos localmente resumem a cultura do destino visitado. Respeite-as e fortaleça a identidade de suas populações por meio de seu consumo desses bens. Aproveite melhor os passeios em companhia de guias nativos que conhecem melhor que ninguém os melhores pontos para pesca, natação etc. Eles se sentem reconhecidos, além de verem na atividade uma forma de geração de renda de maneira sustentável.
  • Planeje seus gastos
    Faça um orçamento de viagem que seja compatível com suas possibilidades, incluindo os gastos com pequenas despesas e a eventual compra de lembranças e presentes. Não ultrapasse o planejado, tomando cuidado especial com o uso excessivo de cartões de crédito, evitando trazer dívidas de viagem ao voltar para casa.

 

Saiba mais sobre turismo consciente:

Turismo Consciente

Estação Gabiraba/ Peabiru

Proecotur – Programa de Turismo Sustentável na Amazônia 

Pega Leve — dicas de viagem a ambientes naturais

Instituto EcoBrasil — ecoturismo e turismo sustentável

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