Lista única de empresas e entidades contra o trabalho escravo pode guiar consumidores

Para especialistas, diversas e dispersas ações não esclarecem se um produto ou serviço explora trabalhadores em sua cadeia produtiva

Nos últimos anos, têm surgido diversas iniciativas de combate ao trabalho escravo no Brasil, dado o consenso sobre a necessidade da erradicação desta prática. Para saber se determinado produto ou empresa está relacionado à exploração do trabalho escravo, por exemplo, o consumidor pode consultar entre outros cadastros, a Lista Suja do Trabalho Escravo, o Pacto Nacional Pela Erradicação do Trabalho Escravo, ou então os Pactos Setoriais da Madeira, da Soja e da Carne.

“Uma lista ou frente única de combate ao trabalho escravo, além de facilitar a vida dos empresários, que assinariam apenas um compromisso, se torna um serviço de utilidade pública de fácil acesso para o consumidor, que também faria apenas uma consulta para saber com que tipo de produto ou empresa está se relacionando”, argumenta Sérgio Mauro Santos Filho, do Instituto Socioambiental (ISA).

Por isso, o maior desafio do combate ao trabalho escravo no Brasil consiste em criar uma convergência das ações realizadas, unificando e ampliando as diferentes frentes de trabalho. Esta foi uma das principais conclusões do 3º Seminário do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, realizado em São Paulo.

Além de Santos Filho, que representou a iniciativa Conexões Sustentáveis, participaram do debate representantes de diversas ações socioambientais como a Mesa Redonda da Soja Responsável, ou RTRS (Round Table on Responsible Soy, em inglês), representado por Caio Magri, do Instituto Ethos, e a Moratória da Carne, por conta da repercussão do relatório Farra do Boi na Amazônia, representado por Márcio Astrini, do Greenpeace.

“Está claro que todos nós estamos em busca do mesmo objetivo. Agindo de forma integrada, os resultados serão, com certeza, mais positivos ainda”, defendeu Astrini.

Para Magri, “há um grande potencial de sinergia para a conversão de exigências de condutas de responsabilidade socioambiental em políticas públicas mais amplas e permanentes” explicou. Magri defendeu também que se buscasse atribuir caráter legal a uma possível iniciativa única.

Engajamento por setores de atividades
Em paralelo às ações para a criação de uma frente única de combate ao trabalho escravo, o Pacto Nacional dará andamento à suas ações e, já para os próximos meses, pretende dar início a reuniões setoriais para aprofundar convergências entre empresas da mesma área no combate ao trabalho escravo.

A primeira discussão reunirá o setor de carvão e aço. “É prioritário reunir este setor” destaca Leonardo Sakamoto, cientista político coordenador da ONG Repórter Brasil, entidade que se dedica ao combate do trabalho escravo. “Enquanto companhias siderúrgicas que produzem ferro têm demonstrado comprometimento, até hoje, nenhuma empresa do segmento automobilístico assinou o Pacto Nacional”.

Segundo Sakamoto, serão ainda marcadas reuniões para o aprofundamento do compromisso empresarial nas áreas açúcar e álcool, soja, carne, indústria têxtil, construção civil e produção de móveis.

Pacto busca alcance internacional
Ainda este ano, grupos estrangeiros que mantêm relações comerciais com o Brasil terão acesso às informações do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo, informou Sakamoto. “Estamos criando um anexo do Pacto em língua inglesa, para que eles possam se informar sobre seus atuais e, principalmente, sobre seus futuros parceiros no Brasil”.

Internamente, o Comitê continua incentivando atividades de informação
às empresas sobre as ações do pacto e a viabilidade de assiná-lo, de modo a fortalecer a rede de empresas signatárias. “Fazemos as palestras informativas de forma gratuita. Para solicitar o serviço, basta entrar em contato com o pacto”.

Entre em contato com o Akatu e solicite uma palestra informativa sobre o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.

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