Limpeza da praia não deve se restringir a mutirões de verão

Em todas as estações, não só no verão, é preciso manter o lixo longe das praias, pois são portas para os oceanos, habitat de 230 mil espécies e fonte de renda e de alimento da população.

 

O Brasil tem uma extensa costa litorânea, com cerca de 7,5 mil quilômetros, onde estão mais de 2 mil praias, algumas delas famosas internacionalmente. Nessa faixa do nosso território, vive um percentual grande da população nacional: cerca de um quarto dos brasileiros mora em cidades litorâneas, estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). As praias são espaços de lazer e de práticas de esportes, gerando renda à população local por conta de atividades como a pesca e o turismo.

No verão, os turistas somam-se à população litorânea para desfrutar do calor nas praias. É nesta época que, em função do grande número de visitantes, são feitas campanhas e mutirões de limpeza para educar a população a não descartar resíduos na areia e no mar. Mesmo assim, toneladas de lixo são coletadas a cada temporada para evitar que poluam os oceanos.

No entanto, a proteção de nossas praias contra a deposição de resíduos sólidos não deve ocorrer somente em alguns períodos do ano. Eles são, permanentemente, uma das principais formas de poluição marinha, especialmente aqueles de difícil decomposição. Ameaçam a fauna marinha, favorecem a propagação de pragas e doenças, e prejudicam a economia local. Se forem levados pelas correntes marítimas para longe da costa, se tornam um problema de difícil solução.

Por isso, na Semana Mares Limpos da Limpeza de Praia (16 a 24 de setembro de 2017), organizada pela ONU Meio Ambiente, o Instituto Akatu aponta a grande importância de gerenciar adequadamente os resíduos sólidos o ano todo, com objetivo de que as pessoas se engajem para que os resíduos não cheguem às praias e ao mar.

Ao frequentar uma praia, levar uma sacolinha para coletar os próprios resíduos ou descartá-los em uma lata de lixo é uma atitude essencial para manter a praia limpa. Devemos garantir, por exemplo, que o canudo usado para beber a água de coco, o palito do picolé, o guardanapo e os restos de comida não vão ficar na areia com o risco de serem levados pelo mar. Esse é um cuidado básico que todos os banhistas precisam ter, mas não é o suficiente.

O lixo marinho é composto por resíduos que também podem vir de longe, “varridos” pelas chuvas e pelos ventos ou carregados pelos rios que desaguam nos oceanos. Por isso, é importante que as pessoas não descartem lixo em locais incorretos, evitando que cheguem aos bueiros e às redes de esgoto, correndo o risco de migrar para longe da costa, se depositar no mar, ou, até mesmo, voltar para a areia em dias de ressaca.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), de todos os resíduos lançados aos mares, 80% são plásticos. Fragmentos desse tipo de material podem ser encontrados em todos os oceanos do mundo, com concentrações de até 580.000 pedaços de plástico por quilômetro quadrado. De acordo com algumas estimativas, no ritmo em que itens feitos de plástico estão chegando aos oceanos, até 2050 a quantidade de plástico, em peso, superará a quantidade de peixe.

O grande problema decorrente do plástico nos oceanos é que pedaços flutuantes desse material, com diferentes formatos e transparências, são confundidos com alimento e ingeridos por tartarugas, mamíferos e aves, que podem morrer por sufocamento ou por incapacidade de digestão do material ingerido.

Não só a fauna marinha ou aquela que vive próxima ao mar é prejudicada por pelos resíduos descartados inadequadamente. Poluir os oceanos é comprometer o nosso próprio bem-estar, pois o desequilíbrio do ciclo alimentar dos animais marinhos tem um impacto, de um lado, no nosso prato e, de outro, na economia, dado que parte da população depende da pesca para obter sua renda. Acumulado nas praias, o lixo traz ainda problemas para a saúde em virtude da proliferação de parasitas que levam ao surgimento de doenças.

Para que esse rico ecossistema seja protegido, governos, empresas e toda a população (do litoral e do interior) devem estar empenhados na prática dos 4Rs relativos aos resíduos: Repensar, Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Leia o texto a seguir para entender melhor o que isso significa.

REPENSE
Um consumidor consciente reflete antes de fazer uma compra, sem se deixar levar pelo impulso. Pense: eu preciso comprar mais ou tenho o suficiente? O consumismo e o desperdício têm como consequência o aumento de resíduos e, uma parte deles, vai parar nas praias e oceanos.

REDUZA
Ciente da sua necessidade de consumir somente o necessário, tome atitudes para diminuir o volume do seu lixo. Uma das dicas é dar preferência a produtos duráveis e evitar os descartáveis. Você pode, por exemplo, carregar a sua própria garrafa consigo e reabastecê-la com água do filtro. Um estudo da fundação Race for Water revelou que cerca de 35% dos plásticos produzidos no mundo são usados uma única vez, por apenas 20 minutos.

REUTILIZE
É preciso proporcionar uma longa vida útil aos produtos, para fazer valer o uso dos recursos naturais aplicados em sua produção. Além disso, isso evita seu descarte precoce. Por isso, repasse aqueles produtos que estão encostados na sua casa: doe, troque, revenda ou use a sua criatividade para encontrar uma nova função para eles.

RECICLE
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), de todo os resíduos lançados aos mares, 80% são plásticos. No Brasil, 20,9% do plástico é reciclado, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Países líderes na reciclagem conseguem índices mais altos, como a Noruega (37%), Suécia (34,5%) e Alemanha (33%). Para saber como fazer a separação e a destinação correta do material reciclável, clique aqui: https://www.akatu.org.br/noticia/plasticosoceanos/.
Veja como separar os materiais para a reciclagem: https://www.akatu.org.br/wp-content/uploads/2017/06/Tabela.pdf

 

Microplásticos: a poluição que você não vê

Partículas minúsculas de plástico também fazem parte da poluição marítima, ainda que não possam ser facilmente vistas a olho nu. Apesar de “invisíveis”, os microplásticos têm impacto negativo no ecossistema, pois concentram poluentes orgânicos persistentes (POPs), como químicos industriais, e são facilmente consumidos pela fauna marinha – o que significa que, indiretamente, microplásticos contaminados com POP acabam sendo consumidos pelas pessoas.

A lavagem de roupas com tecidos sintéticos e a abrasão de pneus são duas das principais fontes de microplásticos, segundo relatório da IUCN (Internacional Union for Conservation of Nature – https://portals.iucn.org/library/node/46622). Cosméticos e produtos de higiene pessoal, poeiras das cidades, revestimentos navais, marcações rodoviárias também originam essas micropartículas.

 

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