Lidar com videogames não é brincadeira

Os jogos eletrônicos estão cada vez mais presentes nas cartinhas de pedidos para Papai Noel, mas além de diversão, eles também trazem problemas

Desde o Telejogo, com seus riscos na tela que simulavam uma partida de tênis, ao Nintendo Wii, em que o jogador deve efetivamente realizar os movimentos de um tenista, os videogames passaram por uma rápida e profunda transformação tecnológica. Por isso, cada lançamento desencadeia uma febre entre as crianças. Somente no mercado norte-americano as vendas de videogames atingiram a impressionante cifra 12,5 bilhões de dólares no ano passado.

As projeções da consultoria PriceWaterhouseCoopers (PwC) estimam que o mercado mundial de videogames atingirá o valor de 46 bilhões de dólares em 2010, registrando um crescimento de 70% em cinco anos. A tendência é que o número aumente por conta da nova política das empresas de conquistar novos nichos de consumidores, tais como pessoas mais velhas que passaram a se “encantar” com os gráficos e o potencial de entretenimento dos games mais recentes.

Na hora de descartar
Neste Natal, como vem acontecendo sempre, muitas crianças e jovens vão ganhar novos aparelhos de videogames, o que condenará o antigo ao imediato esquecimento.  Mas além de destruir alienígenas, salvar a Princesa Peach ou tocar perfeitamente as músicas de Guitar Hero III, os gamemaníacos precisam enfrentar um outro desafio: combater o problema do lixo eletrônico gerado por essa troca constante de equipamentos.

Segundo estudos feitos por diversos institutos – Ibope, IDG Analysis e Trevisan Consultores – havia no Brasil, em 2005, 11,5 milhões de consoles (aparelhos de videogames). Destes, 5,8 milhões são consoles antigos, que provavelmente serão trocados por outros mais modernos.

Esses consoles, se descartados de maneira inadequada colocam em risco o meio ambiente e a saúde humana devido aos metais pesados utilizados em seus componentes, como mercúrio, cádmio e chumbo. O PVC, por exemplo, um plástico usado na composição das carcaças de alguns consoles, não é completamente reciclável e, quando incinerado, emite substâncias tóxicas que são cumulativas no ambiente e nos seres vivos, podendo permanecer na cadeia alimentar e afetar indiretamente seres humanos. Já os BRTs (retardantes de chamas) são elementos utilizados em alguns componentes para evitar incêndios, e que, eventualmente, provocam desordens hormonais e reprodutivas.

Devido aos perigos mencionados e às dificuldades de reciclagem, o ideal é tentar estender a vida útil do videogame antigo dando-o para alguém da família ou algum amigo que tenha interesse nele. Caso não se conheça ninguém a quem presentear o console antigo, ele pode ser entregue para o Centro de Democratização de Informática (CDI)  que os encaminha para outras entidades com quem realizam projetos em parceria. O CDI existe em vários estados e você pode verificar qual o mais próximo visitando o site www.cdi.org.br.

As Casas André Luiz são outra instituição que recebe videogames usados. Ela revende os aparelhos usados em suas lojas e o dinheiro é revertido para as ações sociais da entidade. Um dos diferenciais desta instituição é que ela recebe também equipamentos quebrados e providencia o conserto. Para saber como efetuar a doação, acesse o site das Casas André Luiz,  www.andreluiz.org.br, ou ligue para 0800-773-4066.

Guia verde
A ONG ambientalista Greenpeace elabora, com base na sustentabilidade ambiental de seus processos produtivos, um ranking de empresas norte-americanas de tecnologia. A lista, chamada “Guia dos Eletrônicos Verdes”, a é atualizada trimestralmente desde agosto de 2006. Em novembro deste ano, analisou pela primeira vez a fabricação dos videogames da Sony, Microsoft e Nintendo. As três empresas fabricam os consoles mais populares do momento, respectivamente, Playstation 3, Xbox 360 e o inovador Wii, que tem liderado nas listas de pedidos de Natal.

Entre as três grandes, a Sony foi listada como a empresa que menos traria impactos do ponto de vista ambiental – considerando todos os seus produtos, não só o console. A Microsoft, Parceiro Institucional do Akatu, não se classificou bem, principalmente por conta da falta de programas para lidar com os resíduos que produz. Já a Nintendo pecou no quesito sustentabilidade e ocupou a última colocação. Quem quiser saber mais detalhes sobre a avaliação, pode acessar diretamente o ranking, em inglês, no endereço http://www.greenpeace.org/international/campaigns/toxics/electronics/how-the-companies-line-up

O Greenpeace adota basicamente dois critérios para classificar as empresas. O primeiro é a presença de elementos químicos nas peças do produto e seu grau de periculosidade sobre o meio ambiente. E o segundo é o nível de responsabilidade da empresa, em escala mundial, sobre os resíduos gerados. Nesta etapa, a entidade considera se a empresa possui programas ou está preparada para receber de volta os equipamentos usados, ou quebrados, bem como a existência de programas de reciclagem de peças.

A idéia do Guia, segundo o próprio Greenpeace é “limpar” o processo de fabricação dos produtos eletrônicos e estimular as empresas a aumentar o controle sobre os resíduos decorrentes de suas operações e do uso de seus produtos. O consumidor pode contribuir com esse processo – após avaliar a sua real necessidade de adquirir algum produto – dando preferência às fabricantes que demonstram maior preocupação com o meio ambiente. Assim, valorizará boas práticas, estimulando as empresas a manterem essa conduta e incentivando outras a fazerem o mesmo.

É bom lembrar, no entanto, que os processos de fabricação podem variar de país para país, bem como os programas de gerenciamento de resíduos. Por isso, em caso de dúvida, é importante checar as informações junto à filial brasileira (se houver), por meio dos canais de atendimento ao consumidor.

Outros fatores
Além do problema dos resíduos, os videogames também exigem uma reflexão por parte dos pais e dos filhos, na hora de seu consumo. Uma delas é a quantidade de matéria-prima empregada em sua fabricação. De acordo com a Rede WWF, somente em um microchip de 32 gramas, são utilizados 32 litros de água.

A pirataria também é um problema a se evitar neste mercado. Cerca de 94% dos consoles no Brasil faz parte do “mercado cinza”, termo utilizado para designar produtos ilegais que chegam ao país por via do contrabando.

E, por fim, os pais devem oferecer outras opções de entretenimento para os filhos, tomando o cuidado de evitar que os jogos se tornem um vício, trazendo  problemas à saúde e estimulando a sedentarização precoce.

Com informações de Portal G1, UOL e Greenpeace.

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