Jovens que visitam o Akatu reclamam de falta de lazer e cultura

Estudante dá exemplo de como população pode economizar água durante o banho

O consumo consciente busca o equilíbrio entre as necessidades pessoais, as possibilidades ambientais e a melhoria da qualidade de vida de toda a sociedade. No caso dos jovens profissionais que visitaram a sede do Insituto Akatu, nesta quinta-feira (30/03), esse tripé se torna incompleto na maioria das vezes, já que seus bairros apresentam problemas de infraestrutura, além da falta de lazer e cultura.

“Não temos transporte eficiente e lazer, por exemplo. No meu bairro não há uma praça sequer”, disse Graziella da Silva Mello, 16, moradora da Vila Natal, zona sul de São Paulo. Graziella estava entre os 15 jovens do programa “Educação para o Trabalho”, parceria do Senac com o Instituto Pão de Açúcar, que tiveram seu primeiro contato com os conceitos do consumo consciente.

Malu Vilella, da área de marketing e relacionamento do Akatu, chamou a atenção para a reflexão sobre o que se está consumindo. Respeito, amor, solidariedade, justiça, cultura e lazer, segundo ela, podem e devem ser consumidos exageradamente. Água, alimentação e vestuário também são básicos para o bem-estar das pessoas, mas precisam ser consumidos de maneira consciente. Isso porque toda vez que se gasta um recurso como a água em excesso em um local, pode faltar em outro.

Porém, normalmente, as pessoas não fazem essa relação. Mas o consumidor consciente precisa compreender que suas ações cotidianas afetam a vida de todo o planeta e que o simples gesto de fechar a torneira enquanto escova os dentes faz a diferença se levado ao coletivo da sociedade. Basta dizer que 60% das doenças que chegam ao sistema público de saúde têm origem na falta de água de boa qualidade para os que experimentam a escassez. Eventualmente, todos pagam por isso quando são cobrados impostos mais altos para cobrir os custos da saúde pública.

O fato é confirmado pela jovem Jaqueline de Freitas, de 16 anos, que quer ser advogada. “Muita gente que eu conheço não tem acesso à água. Além disso, a água que chega na minha comunidade pode fazer mal se for consumida”, rebateu a jovem.

A situação da água foi mostrada em números por Malu. Enquantos muitos a desperdiçam lavando carro ou a calçada com esguicho, 2 bilhões de pessoas, ou quase um terço da população mundial, não tem acesso à água potável (dados da ONU).

“Meu pai colocou até um relógio na parede do banheiro. Meu banho não pode passar de cinco minutos, senão ele briga comigo”, disse Luma Natascha, 16, que tem como objetivo se tornar uma médica legista.

Um dado apresentado no encontro deve estimular muitos a seguirem o exemplo de economia dado pelo pai de Natascha: se todos os paulistanos fechassem a torneira ao escovar os dentes, seria poupada água equivalente ao volume despejado pelas Cataratas do Iguaçu durante nove minutos!

Muitas vezes a consciência desses consumidores esbarra na impossibilidade de ação. É o caso de Katia Alves, professora do grupo, que reclama da falta de locais na periferia para o descarte de pilhas.

“Nós sabemos que não se pode descartar pilhas a céu aberto. Mas quando fui procurar onde poderia descartá-las, só havia locais na região central. Essas políticas não chegam à nós”, disse Katia.

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