Jornalista defensor dos direitos humanos recebe avalanche de ameaças de morte

Mensagens de ódio contra diretor da ONG Repórter Brasil aumentaram após publicação de entrevista falsa em jornal mineiro

 

O Instituto Akatu solidariza-se com o jornalista Leonardo Sakamoto, diretor da ONG Repórter Brasil e conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão, que tem sido ameaçado de morte após a publicação no dia 30 de janeiro de uma falsa declaração no jornal mineiro Edição do Brasil.

O jornal estampou na capa o título “Cientista político diz que aposentados são ‘inúteis para a sociedade’”, com a foto do jornalista. Sakamoto negou ter concedido a entrevista publicada pelo jornal que, após ser questionado pelo jornalista, publicou uma nota de esclarecimento. Segundo o periódico Edição do Brasil, a entrevista foi recebida por e-mail, por intermédio da suposta assessora Luiza Amália. Na nota, o jornal afirma que “houve má fé por parte da pessoa que respondeu, com provável intenção de prejudicar tanto o jornal quanto Leonardo Sakamoto. O Edição do Brasil já está tomando medidas cabíveis para saber quem tentou prejudicar a imagem do nosso jornal.”

O Instituto Akatu repudia as mensagens de ódio destinadas ao jornalista e cobra que as autoridades punam os responsáveis pelas ameaças de morte e falsidade ideológica. A transição para uma sociedade mais justa que almejamos depende da livre divulgação de informações, de forma transparente e ética, por todos os atores sociais.

As ameaças de morte não são novidade para Sakamoto, que mantém um blog no portal UOL que aborda questões sociais. A ONG que dirige, Repórter Brasil, é dedicada a tornar públicas situações que ferem direitos trabalhistas e que causam danos socioambientais. No início de fevereiro, a Repórter Brasil e a inPacto publicaram, respaldados pela Lei de Acesso à Informação, a terceira edição da Lista de Transparência do Trabalho Escravo contemporâneo, com 340 empregadores autuados por uso de trabalho análogo ao de escravo entre dezembro de 2013 e dezembro de 2015. O Supremo Tribunal Federal mantém, desde dezembro de 2014, a decisão de bloquear o documento publicado semestralmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

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