Iniciativa de cidadão interrompe projeto irregular de hidrelétrica

A hidroeletricidade é uma fonte renovável, mas discute-se o impacto da construção de barragens no meio ambiente e nas comunidades locais

Comentário Akatu: A construção de mais hidrelétricas para atender à demanda maior de energia da população pode não ser a melhor saída para evitar racionamento ou blackouts. Demandar menos, através da prática do consumo consciente de energia, é uma ação que, multiplicada por milhões, colaboraria para reduzir a necessidade de construção de novas barragens. Germano Woehl Júnior é um exemplo de cidadão e consumidor consciente.  Além de exercitar o seu poder de transformação, ainda divulga a importância do ato às crianças da rede pública, ajudando a formar mais cidadãos conscientes.

 

Germano Woehl Júnior, pesquisador do laboratório de fotônica do Instituto de Estudos Avançados no Centro Técnico Espacial, em São José dos Campos (SP), e fundador da ONG Instituto Rã-Bugio, em Guaramirim (SC), conseguiu, a partir de iniciativa própria, barrar um projeto de hidrelétrica que trocaria por 15 megawatts a paisagem de Corupá, no norte do Estado, onde a cachoeira da Bruaca desce da Serra do Mar, no meio da mata atlântica, com um salto de 96 metros.

No final do ano passado, Woehl levou o caso ao Ministério Público e repercutiu a história na imprensa, por meio de entrevistas e cartas. O resultado: a Fundação de Meio Ambiente do governo estadual cancelou a licença que ela mesma concedera meses antes, reconhecendo que na ocasião se baseara num processo com informações incompletas.

Há anos Woehl cuida de bichos e florestas na serra catarinense. Viaja de ônibus sempre que pode e economiza em tudo, da roupa às contas de restaurante. Com o que poupa, compra matas em Santa Catarina, para conservar a paisagem que conheceu menino e, adulto, descobriu que ia perder.

Foi assim que criou o Instituto Rã-Bugio. Era uma propriedade de 7 hectares, adquirida por R$ 17 mil. Em seu terreno, achou 41 espécies de sapos, rãs e pererecas. Ao classificá-las, encontrou um atalho para a educação ambiental. Hoje, cerca de 2.500 alunos da rede pública freqüentam o local a cada ano, gratuitamente. Quem os guia é a professora Elza Nishimura Woehl, mulher de Germano.

Órfão aos 11 anos, Woehl cresceu capinando roça e entregando leite de porta em porta. Só estudou em escola pública, formou-se em Física em 1983 (como o melhor aluno da Universidade Federal do Paraná) e doutorou-se com uma tese sobre o congelamento do átomo. Woehl e sua esposa acabam de criar outra reserva natural, no município de Itaiópolis.

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