Henry Ford e a Construção Sustentável

Henry Ford não era preocupado com as questões ambientais, mas suas idéias podem ser adaptadas na busca pela sustentabilidade, por Luiz Fernando Lucho do Valle

A construção é sem dúvida uma das atividades humanas mais antigas e importantes para a história das civilizações. As técnicas construtivas foram se desenvolvendo ao longo dos séculos, quando as construções deixaram de ser apenas para atender as necessidades de abrigo, locomoção e outros.

Do aprendizado empírico ao desenvolvimento de técnicas sofisticadas, a humanidade conseguiu grandes evoluções na capacidade de construir. O que dizer das Pirâmides do Egito construídas de rocha, da Torre Eiffel – totalmente de ferro – passando pelo cimento Portland e os primeiros edifícios de construção armada. A soma dessas técnicas influencia e inspira engenheiros e arquitetos da indústria da construção, mas minha inspiração vem de outro segmento: a indústria automobilística.

A construção civil sustentável faz uso de materiais ecologicamente corretos e eficientes para promover o consumo consciente, através da economia dos recursos como água e energia elétrica, a redução da emissão de gases de efeito estufa durante todo processo construtivo, prolongando-se pela vida útil da edificação. Porém, o custo de uma construção sustentável é 10% mais caro devido o uso de materiais e equipamentos diferenciados, em média, na construção de um residencial para a classe B.

Quando comecei a pesquisar como reduzir os custos da obra sem repassar os valores adicionais na revenda, lembrei de um grande empreendedor da indústria automobilística – Henry Ford – pioneiro ao aplicar a montagem em série, produzindo em massa uma linha de automóveis com preço acessível. Adaptei o conceito da produção em escala aos empreendimentos. Padronizados, seguem uma planta estudada, gerando custos mais baixos e melhor qualidade na sua concepção. Além de reduzir o custo adicional das obras de 10% para 2 a 3%, o processo de produção em escala nos permite subsidiar a venda, ou seja, o percentual de gasto sobressalente não é repassado ao futuro morador.

Nesse processo de produção é possível viabilizar um produto que além de ser ecologicamente correto é economicamente competitivo no mercado imobiliário. Henry Ford e os pioneiros da construção civil não eram preocupados com as questões ambientais, mas suas idéias podem e devem ser adaptadas na busca pela sustentabilidade.

Assim como a indústria automobilística segue padrões de controle de qualidade, a construção sustentável conta com a certificação norte-americana LEED (Leadership in Environmental and Energy Design). O selo garante que a construção dos empreendimentos seja elaborada conforme regras claras de sustentabilidade, o que mostra uma mudança de postura do setor da construção como transformadores sociais em favor do meio ambiente.

Com foco no futuro do nosso planeta, faço analogia com a celebre frase de Henry Ford, “qualquer um pode ter um automóvel, desde que seja preto”, e adapto, “qualquer um pode ter um imóvel, desde que seja sustentável”.

Luiz Fernando Lucho do Valle é engenheiro civil e presidente da Esfera  Incorporadora.

Artigo originalmente publicado na revista Carbono Brasil e na Agência Envolverde.

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